
O Brasil já conta com 225 empresas, marcas e soluções de tecnologia voltadas ao setor de viagens, segundo o Panorama das Travel Techs 2026, elaborado pela Loupit. O levantamento mapeia o ecossistema em 16 categorias e mostra como a tecnologia vem ocupando cada vez mais espaço na jornada corporativa.
Da pesquisa e reserva ao pagamento, mobilidade, despesas e fidelização, as soluções estão se multiplicando. Mas a distribuição não é homogênea: algumas áreas concentram grande parte das empresas, enquanto outras ainda têm poucos players.
Onde estão as empresas
A categoria Tecnologia para Turismo lidera o ranking, com 56 empresas, seguida por Mobilidade (33) e Viagens Corporativas (24).
Também se destacam Agências de Viagens Online, com 21 empresas; Eventos, com 17; e Experiências, com 15.
Já áreas diretamente relacionadas ao controle financeiro das viagens têm uma oferta menor: são 12 empresas em Despesas Corporativas e 10 em Backoffice. Financeiro, Hospedagem, Metabuscadores e Serviços para Viajantes reúnem seis empresas cada.
O cenário indica uma forte concentração da inovação em infraestrutura turística, mobilidade e distribuição, enquanto pagamento, conciliação e controle de gastos ainda apresentam espaço para novos negócios.

Muito dinheiro em poucas empresas
O número de empresas impressiona, mas os investimentos mostram outra realidade: o capital está concentrado em poucos nomes.
A Onfly e a Paytrack captaram, cada uma, R$ 240 milhões em rodadas de investimento. Já a Voll foi vendida à Warburg Pincus em uma operação que avaliou a empresa em R$ 606 milhões de enterprise value.
A diferença entre a quantidade de empresas e a concentração dos aportes revela um ecossistema pulverizado, formado em grande parte por negócios especializados, regionais ou ainda sem grandes volumes de capital de risco.

Tudo em uma única plataforma
Uma das principais tendências apontadas pelo estudo é a corrida pelo modelo all in one.
Empresas que começaram oferecendo uma solução específica estão incorporando serviços complementares, aproximando áreas como reserva, pagamento, gestão de despesas e prestação de contas.
Na prática, as fronteiras entre as categorias ficam cada vez menos claras — e a disputa passa a ser pela capacidade de oferecer uma experiência completa para empresas e viajantes.
IA passa de recurso a protagonista
A inteligência artificial é outro divisor de águas.
Segundo a Loupit, a tecnologia deixou de ser apenas um recurso adicional e passou a fazer parte da estrutura central de novas soluções.
“Até pouco tempo, IA era um módulo que se acrescentava a uma plataforma pronta. Hoje as empresas que entram no mercado já nascem com o modelo no centro da arquitetura”, afirma Leonardo Crispim, CTO da Loupit.
Para o executivo, a mudança também eleva o nível de competição entre as travel techs e altera a forma como as soluções serão avaliadas pelo mercado.
Viagens de negócios movimentam bilhões
O avanço tecnológico acompanha o forte crescimento das viagens corporativas no país. O Business Travel Index 2026, da Global Business Travel Association (GBTA), projeta US$ 35,8 bilhões em gastos com viagens de negócios no Brasil neste ano, colocando o país entre os dez maiores mercados globais.
O crescimento estimado é de 13,8%, quase o dobro da média mundial, de 7,2%. Em reais, a movimentação pode chegar a aproximadamente R$ 158 bilhões.
“Temos um dos mercados que mais crescem no mundo, 225 empresas de tecnologia atuando nele e uma parte enorme da compra corporativa ainda acontecendo por telefone, e-mail e planilha”, afirma Patrick Tytgadt, CEO da Loupit.
Para ele, o mapa revela não apenas o tamanho do ecossistema, mas também o potencial que ainda existe para a digitalização do setor.
O estudo completo está disponível gratuitamente, mediante cadastro, em no site, com página própria para cada uma das 16 categorias mapeadas.







