
A CVC Corp deve encerrar 2025 com crescimento de 25% no faturamento e perspectiva de expansão contínua em 2026, impulsionada pela performance da Rextur Advance e pela consolidação das operações na Argentina. A informação foi dada pelo CEO da companhia, Fábio Godinho, em entrevista exclusiva ao M&E.
A Rextur Advance deve atingir R$ 5,5 bilhões em vendas neste ano, aproximando-se do volume da CVC Operadora. “A diversificação é hoje a principal vantagem competitiva do grupo. Temos nove empresas, três na Argentina e seis no Brasil. Essa estrutura dilui riscos e sustenta o crescimento de forma equilibrada”, afirmou o executivo.
O grupo reúne empresas com perfis distintos e complementares, que sustentam a estratégia de diversificação da CVC Corp e diluem riscos entre os segmentos de lazer, corporativo e distribuição. A CVC Operadora mantém acordos exclusivos, hotéis preferenciais e mais de um milhão de bloqueios com companhias aéreas. A Rextur Advance opera no mercado B2B, com condições comerciais diferenciadas.
A Visual Turismo aposta em produtos sob medida e deve encerrar 2025 com crescimento acima de R$ 300 milhões, reforçando o bom desempenho das marcas do grupo. A Trend Operadora combina foco nos segmentos corporativo e de lazer, oferecendo suporte técnico e soluções integradas, enquanto a Conectas atua como broker de conteúdo terrestre, com tecnologia aplicada à distribuição.
“Cada marca cumpre um papel estratégico dentro do grupo. A força da CVC Corp está justamente nessa combinação entre exclusividade, escala e diversificação de receita”, resumiu Godinho.
Estratégia de diversificação e reconstrução da reputação

A CVC Corp divide seu faturamento em 75% no Brasil e 25% na Argentina. No mercado brasileiro, o equilíbrio entre B2B e B2C é de 50% para cada lado — reflexo da estratégia de pulverizar receitas e reduzir a dependência da CVC Operadora.
“Algumas unidades crescem mais, outras menos, mas o resultado consolidado é estável e positivo. Crescemos bem na Argentina, no B2B e no B2C, com exceção do setor marítimo, que sofreu redução de 30% de capacidade. Mesmo assim, o grupo avança de forma consistente”, disse o CEO.
A retração no segmento de cruzeiros é explicada pela diminuição de três navios no mercado. “A MSC já anunciou um navio adicional, o que ajuda, mas ainda não cobre totalmente o déficit de capacidade”, completou.
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Godinho afirmou que o grupo atravessou um período de reconstrução da reputação e retomada da confiança com o trade, trabalho sustentado por transparência, diálogo e presença ativa junto a agentes e franqueados. Com foco em resultado, digitalização e retomada internacional, a CVC Corp tenta transformar uma fase de recuperação em um novo ciclo de expansão.
“O grupo voltou a crescer trimestre após trimestre, com base sólida. A meta agora é consolidar a posição de liderança em todos os canais, do físico ao digital”, concluiu Fábio Godinho.
Além da diversificação, o avanço digital tem sido outro pilar estratégico do grupo. Hoje, 60% das vendas das lojas físicas são concluídas via WhatsApp, reforçando o conceito de omnicanalidade com os franqueados. A CVC Corp conta atualmente com 1.600 unidades e deve abrir outras 200 até o fim de 2025, entre Brasil e Argentina.
“O cliente confia na loja próxima de casa, mas quer conveniência digital. Por isso, a integração entre canais é essencial”, afirmou Godinho.
Tendência: Internacional deve liderar crescimento até 2027

A recuperação da demanda internacional deve sustentar parte relevante do avanço da CVC Corp até 2027. O movimento reflete a retomada das viagens ao exterior entre brasileiros, favorecida pela estabilidade cambial e pela ampliação da oferta de assentos.
“Se o dólar se estabilizar e a economia mantiver fôlego, o mercado externo vai crescer mais que o doméstico. Gol e Latam estão ampliando capacidade, e a Azul ainda se ajusta após o Chapter 11. O cenário tende a ser favorável”, avaliou Godinho.
Segundo o executivo, a CVC Corp está preparada para capturar essa retomada por meio da ampliação de contratos internacionais na hotelaria e de acordos diretos com companhias aéreas nos principais destinos de demanda, como Buenos Aires, Orlando, Nova York, Lisboa e Santiago.
A empresa aposta em maior disponibilidade de produto, competitividade de preço e no fortalecimento da relação com franqueados e agentes para sustentar a expansão no segmento hoteleiro internacional.
CVC ao longo dos anos

Fundada em 1972, em Santo André (SP), a CVC começou com excursões rodoviárias curtas e se tornou a maior operadora de turismo da América Latina. Ao longo das décadas, ampliou sua atuação para o turismo aéreo, internacional e corporativo, acompanhando a expansão da renda e da demanda por viagens no Brasil.
Em 2013, a empresa abriu capital e passou a ser listada na B3 sob o código CVCB3, adotando o formato de holding — CVC Brasil Operadora e Agência de Viagens S.A. — que consolidou diferentes negócios do setor sob o nome CVC Corp. Desde 2016, a companhia não tem controlador principal, e mais de 88% das ações estão pulverizadas no mercado. A família Paulus, fundadora da marca, voltou ao quadro acionário em 2023, com cerca de 10% de participação.
A CVC Corp atua nos segmentos de lazer, viagens corporativas e intercâmbio, com presença no Brasil e na Argentina. No mercado brasileiro, reúnem-se marcas como CVC Viagens, Experimento Intercâmbio Cultural, RexturAdvance, Trend Viagens e Visual Turismo. Na Argentina, o grupo controla o Grupo Bibam (que inclui a marca de luxo Biblos), Ola e Almundo, fortalecendo a presença regional e a integração de canais físicos e digitais.
A expansão internacional começou em 2018, com a compra das empresas argentinas, marcando uma nova fase de crescimento e diversificação. A partir de 2020, porém, a companhia enfrentou forte crise financeira e operacional, agravada pela pandemia, problemas contábeis e trocas sucessivas de comando. O período exigiu reestruturação, revisão de processos e renegociação de dívidas.
Nos últimos anos, a empresa tem retomado gradualmente sua capacidade financeira e a confiança do mercado, apoiada em ajustes de governança, digitalização e reposicionamento das marcas. A reconstrução da reputação e o fortalecimento da relação com o trade se consolidam como pilares da nova fase de crescimento da CVC Corp.







