Nada comparado aos tempos áureos de Varig, Vasp ou Transabrasil, mas o mercado de aviação cresce acelerado com uma postura diferente e agressiva no país. Depois de anunciar o Voar Melhor – Guia do Passageiro, o presidente da entidade, Eduardo Sanovicz, apresentou o Panorama Abear – confronto de informações de desempenho do setor aéreo com mercados internacionais que, marca um novo momento da aviação no país, onde a estatística passa a ser analisada como instrumento de evolução [ou não] do segmento no Brasil. Outro dado apresentado foi a evolução no transporte em janeiro deste ano, que somou mais de 7 milhões de pax no doméstico.

“Um conjunto de dados organizados que integram informações públicas, técnicas e privadas e que possui uma característica muito importante por ser o primeiro anuário [analítico] no país”, disse Sanovicz ao apresentar o Panorama Abear .

O documento lançado pela entidade compilou as informações do setor no ano de 2012, com destaque para a pontualidade das aéreas que somou 79%, contra 82% praticada no mercado americano. Outro ponto de destaque no documento são os índices de extravio de bagagem onde o Brasil [aéreas da Abear] chegam a 2,8% em números a cada mil ocorrências, chegando próximo da Ásia que tem 1,7% e abaixo da América do Norte com 3,1% dos casos.

“Esses números são consideráveis para o Brasil se analisarmos as dificuldades de infraestrutura aeroportuárias no país”, disse o consultor técnico da Abera, Maurício Emboaba. Segundo ele, além das questões de pontualidade o Panorama traz números do mercado como Herfindahl–Hirschman Index(HHI) que mede a concentração econômica e competitividade do mercado.

“Hoje o Brasil és entre os 10 países mais competitivos no mercado de Aviação”, disse Sanovicz. Já o consultor da Abear, Adalberto Febeliano, acrescentou que o país é o 3ª mercado doméstico mundial, com 100 mil passageiros transportados. “Estamos atrás de EUA e China, somente” afirmou.

Sanovicz afirmou que em 90 dias a versão do Panorama Abear será lançada. “Teremos, entre os meses de maio e junho a versão atualizada destes dados. A ideia é tornar anual a análise de evolução do setor, antes vista apenas por modos estatísticos”, comentou. O Panorama traz ainda dados sobre os principais mercados, preços e custos do setor aéreo, comparativo de tarifas, além de previsões para os próximos anos.

“Sim, a rodoviária mudou para o aeroporto”, diz Sanovicz
“A rodoviária mudou para o aeroporto e isso é motivo de orgulho para nós”, disse o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, rebatendo a postagem da professora Rosa Marina de Brito Meyer, de Letras da PUC,  que ironizou via rede social o advogado Marcelo Pereira dos Santos, que estava de bermuda e camisa regata no Aeroporto Santos Dummont.

“Triplicamos o número de passageiros e não duplicamos os aeroportos. Por isso, hoje, a rodoviária está dentro do aeroporto”, reforçou o presidente da Abear. Entre os dados repassados ao público presente, Sanovicz destacou a queda – nos últimos 10 anos – de 43% do valor dos bilhetes aéreos, o incremento de 180% do setor e ainda a projeção de crescimento para os próximos sete anos.

“Hoje o Brasil é o terceiro mercado [doméstico] aéreo no mundo com 100 milhões de pax transportados. Estamos atrás de Estados Unidos [620 milhões] e China [250 milhões]”, comentou. Outro dado importante levantado por Sanovicz foi a elevação dos preços dos bilhetes em 2013. “Depois de 10 anos em queda, as tarifas foram elevadas em 4%”, confirmou.

Relacionamento – O presidente da Abear ressaltou que a entidade, hoje, busca além de desmistificar o setor para o público apresentar – com transparência – as atividades e o desenvolvimento do setor.  Ele ainda disse que, hoje, os custos aéreos impactam no preço dos bilhetes com ênfase para o QAV [41% do custo],  tributos sobre o combustível como o ICMS [praticado a 25% em São Paulo e em outros estados e a questão da sustentabilidade, que tem o bicombustível quatro vezes mais caro que o QAV fóssil. “A redução do ICMS do Distrito Federal para 12% ocasionou um aumento de 56 voos para o destino, um consumo 24% no consumo de QAV e uma queda de 2 a 3% no bilhete aéreo”, disse.

Luciano Palumbo