Acidente da última sexta-feira (9) não deixou nenhum sobrevivente (Voepass/Guilherme Oliveira)
Associação processará Voepass, fabricante ATR e Anac por danos morais (Voepass/Guilherme Oliveira)

A Associação dos Familiares das vítimas do acidente com um avião da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024, vai ingressar com uma ação coletiva por danos morais contra a companhia aérea, a fabricante da aeronave ATR e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O anúncio foi feito após a divulgação, na quinta-feira (23), do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

O documento concluiu que o acidente resultou de uma combinação de falhas envolvendo a empresa, a tripulação e a fiscalização regulatória. Segundo o tenente-coronel Paulo Fróes, um dos investigadores do Cenipa, a aeronave não reunia condições técnicas e regulatórias para realizar o voo.

Entre os apontamentos da investigação, o relatório destaca que um dos itens inoperantes era o limpador de para-brisa da aeronave. Segundo Fróes, as restrições previstas na Lista de Equipamentos Mínimos (MEL) impediam que a aeronave tivesse previsão de decolagem nessa condição.

Voepass ignorou falhas

Cenipa
Documento reúne as conclusões da investigação e aponta falhas identificadas na aeronave antes do voo entre Cascavel e Guarulhos (Divulgação/Secretaria de Segurança de São Paulo)

O Cenipa também confirmou que o sistema de degelo das asas apresentou falha nos dois voos anteriores ao acidente. De acordo com a investigação, os problemas não foram registrados formalmente no diário de bordo e teriam sido comunicados apenas de forma verbal aos mecânicos.

Ainda segundo o relatório, a investigação identificou uma cultura de normalização de desvios dentro da Voepass, com subnotificação de panes e troca de componentes defeituosos por outros que apresentavam problemas semelhantes.

O Cenipa ressalta que suas investigações têm caráter preventivo e não atribuem responsabilidade civil ou criminal. A Anac suspendeu as operações da Voepass em março de 2025 e cassou o certificado de operador aéreo da companhia em junho do mesmo ano, após identificar irregularidades que, segundo a agência, não foram corrigidas.

A Polícia Federal de Campinas deve concluir o inquérito criminal sobre o caso nas próximas semanas. O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024. O ATR 72-500 fazia o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando caiu em um condomínio residencial de Vinhedo. As 62 pessoas que estavam a bordo morreram.