
A saturação do aeroporto de Guarulhos, proximidade com cidades importantes e facilidade de acesso de todo o interior e de estados vizinhos. Esses fatores fizeram com que os voos internacionais que começam a operar em Viracopos, na cidade de Campinas (SP), em dezembro já registrarem vendas de diversos pontos do país.
Juarez Cintra Filho, presidente do Grupo Ancoradouro, que faz a mediação do Painel Viracopos, questionou os executivos das companhias aéreas que irão operar no aeroporto sobre o impacto desses novos voos. O executivo lembrou que quando a concessionária Aeroporto Brasil começou a administrar Viracopos, ele alertou tanto as aéreas como o aeroporto de que a demanda iria além do estado de São Paulo.
O primeiro a responder foi José Roberto Trinca, diretor de Vendas da American Airlines. Ele afirmou que a companhia já desejava esta operação no interior paulista há bastante tempo, mas não esperava tamanho sucesso. Segundo o executivo as duas frequências (Nova York três vezes por semana e Miami diário) já têm mais de 50% de ocupação. “Foi uma resposta muito rápida nas vendas. Sabemos da importância do interior e temos vendas do Norte do Paraná, Sul de Minas e também da capital”, contou. “Dependo do horário e da região, se chega mais rápido em Viracopos do que em Guarulhos”, complementou.
Mario Carvalho, diretor geral da Tap para a América do Sul, reiterou que a companhia portuguesa apostou na região antes mesmo da reforma do aeroporto. “A operação teve início em 2010 e sempre soubemos do potencial e da pujança desta região. Campinas é a capital do interior e para atrair também passageiros de São Paulo o aeroporto tem que ter mais conforto e ser melhor do que Guarulhos”, afirmou.
A Copa Airlines planejou um voo quatro vezes por semana com uma aeronave com capacidade para 124 passageiros. Os estudos mostraram uma capacidade muito maior e em dezembro a companhia inicia um voo diário com um Boeing 737-800, que conta com 160 assentos. “No início não sabíamos que a oportunidade seria tão grande. Temos clientes comprando esses bilhetes não apenas do interior, mas de diversas partes do país por meio de nossos acordos com Tam, Gol e Azul”, destacou Gustavo Esusy, gerente regional da Copa Airlines para o Mercosul.
O mesmo acontece com a Gol, que registrou a migração de passageiros vindo de São Paulo para os seus voos internacionais que, com escala em Santo Domingo, na República Dominicana, serve Orlado e Miami, nos Estados Unidos. “Quando iniciamos as vendas, tivemos uma surpresa, pois houve demanda de cidades mais distantes e também da capital. Foi além das nossas expectativas”, reiterou Renato Melo, gerente comercial da Gol. “Quem sabe em breve não anunciamos um voo para a América do Sul”, adicionou.
Pioneira na operação em Viracopos, a Azul também terá os seus voos internacionais a partir de Campinas. Em dezembro Fort Lauderdale e Orlando, na Flórida, receberão frequências da aérea brasileira. Somente nos dois primeiros dias de vendas, foram comercializados 50 mil bilhetes. “A conectividade da Azul colaborou para este sucesso. Tivemos vendas de Minas, Belo Horizonte e também uma participação grande de São Paulo”, disse Ronaldo Veras, assessor da presidência da companhia.
Anderson Masetto, de Campinas (SP)







