
O Ministério Público francês pediu nesta quarta-feira (26), em Paris, a condenação da Airbus e da Air France por homicídio culposo no julgamento de apelação pelo acidente do voo AF447, que caiu no Atlântico em 1º de junho de 2009 após decolagem do Rio de Janeiro com destino à França e causou 228 mortes. O MP solicita a reversão da decisão de primeira instância, que havia absolvido as empresas em 2023.
Os procuradores afirmaram que falhas no treinamento das tripulações da Air France e na resposta técnica da Airbus sobre problemas em sondas de medição de velocidade influenciaram o contexto que levou à queda da aeronave, um A330. As conclusões se baseiam nos dados das caixas-pretas, que indicaram perda de parâmetros de velocidade enquanto o avião atravessava zona de instabilidade próxima ao equador.
Durante as alegações finais, a acusação disse que as companhias não agiram com a urgência necessária diante das ocorrências relatadas em equipamentos semelhantes. “Solicitamos a revogação da sentença que absolveu os acusados e, portanto, senhora presidente, pedimos que dite uma sentença condenatória por homicídio culposo”, declararam os procuradores.
O julgamento em apelação começou no fim de setembro e deve ser concluído em 27 de novembro. Em caso de condenação, Airbus e Air France estão sujeitas a multa de até 225 mil euros.
O acidente envolveu passageiros de 33 países, incluindo 72 franceses e 58 brasileiros. A perda das vidas é lembrada pelas famílias, que acompanharam a sessão em silêncio. “Já se passaram dezesseis anos desde a tragédia, é muito tempo, tempo demais. Espero que sua luta termine quando o tribunal proferir sua sentença dentro de alguns meses”, afirmou o procurador-geral Rodolphe Juy-Birmann ao se dirigir ao grupo.
Para o setor de aviação, o desfecho pode gerar revisões de procedimentos internos, além de impacto financeiro e reputacional às empresas, segundo fontes que acompanham o processo.







