
O fortalecimento do turismo de cruzeiros na América do Sul esteve no centro das discussões do XI Encontro Regional de Cruzeiros e Turismo Náutico-Fluvial, realizado em Punta del Este, no Uruguai. Representando o Brasil, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, defendeu uma atuação conjunta entre os países da região para ampliar a oferta de roteiros internacionais, facilitar o deslocamento de passageiros e tornar o continente mais competitivo diante de outros mercados globais.
Durante o evento, o ministro afirmou que o objetivo é criar condições para que turistas estrangeiros permaneçam mais tempo na América do Sul, visitando diferentes destinos em uma única viagem. Segundo ele, a integração entre os países pode impulsionar o fluxo de visitantes e gerar novos investimentos para toda a cadeia do turismo.
“Queremos que um visitante estrangeiro enxergue a possibilidade de conhecer vários países em uma mesma viagem. Precisamos estimular roteiros combinados, facilitar a circulação de turistas e ampliar a conectividade marítima”, afirmou Gustavo Feliciano durante o encontro.
Brasil lidera mercado de cruzeiros na América do Sul
O Brasil chega ao encontro regional ocupando a posição de principal mercado de cruzeiros da América do Sul. Dados da temporada 2024/2025 mostram que o setor movimentou R$ 5,43 bilhões na economia brasileira, resultado impulsionado pelo aumento da demanda por viagens marítimas e pela retomada das operações em diferentes portos do país.
Ao longo da última temporada, 838.096 passageiros embarcaram em cruzeiros com operação na costa brasileira. O volume representa o segundo maior da série histórica do setor.
Desse total, 85,3% dos viajantes eram brasileiros, enquanto 14,7% vieram do exterior. Entre os turistas internacionais, os argentinos responderam por 68% dos embarques realizados no país. Em seguida aparecem os uruguaios, com 10%, os chilenos, com 7%, os italianos, com 5%, e os norte-americanos, responsáveis por 4% dos passageiros estrangeiros.
Os números reforçam a importância do mercado regional para a indústria de cruzeiros e sustentam a proposta apresentada pelo governo brasileiro de ampliar a integração entre os países vizinhos.
Impacto econômico vai além do turismo

Além da movimentação de passageiros, o segmento também apresentou resultados expressivos para a economia nacional. Segundo o levantamento do setor, as operações da temporada 2024/2025 contribuíram para a geração de aproximadamente 84,6 mil postos de trabalho, entre empregos diretos, indiretos e induzidos.
O estudo também aponta que cada R$ 1 investido pelas empresas de cruzeiros gerou R$ 4,05 em movimentação econômica no Brasil. O impacto alcança diferentes áreas da cadeia produtiva, como hospedagem, alimentação, transporte, comércio, serviços turísticos e operações portuárias.
Os dados reforçam o peso da atividade para municípios que recebem escalas durante a temporada e evidenciam o potencial de expansão do segmento nos próximos anos.
Próxima temporada terá aumento de capacidade
As perspectivas para a temporada 2026/2027 também foram apresentadas durante o encontro em Punta del Este. A expectativa é de crescimento da oferta de viagens ao longo da costa brasileira.
Estão previstos oito navios operando regularmente no país, com capacidade total de 831.254 leitos, volume cerca de 24% superior ao registrado na temporada anterior.
A programação prevê 190 roteiros e 675 escalas em portos brasileiros, conectando destinos nacionais a cidades como Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este, fortalecendo a integração turística entre Brasil, Argentina e Uruguai.
O aumento da oferta acompanha a recuperação do setor após os impactos enfrentados nos últimos anos e amplia as possibilidades de circulação de turistas pelo continente.
Cooperação regional é prioridade
Durante sua participação no encontro, Gustavo Feliciano destacou que diversos países sul-americanos vêm desenvolvendo iniciativas capazes de fortalecer o turismo marítimo e que a troca de experiências pode acelerar o crescimento da atividade em toda a região.
Segundo o ministro, o patrimônio natural da América do Sul representa um diferencial competitivo para atrair turistas internacionais interessados em viagens de longa duração.
“Há boas práticas sendo desenvolvidas em toda a região, que podem ser compartilhadas e adaptadas às diferentes realidades dos nossos países. Temos um patrimônio natural extraordinário, que faz da América do Sul uma das regiões mais promissoras do mundo para o turismo de cruzeiros. O Brasil chega a este encontro com disposição para contribuir, cooperar e construir, ao lado de nossos parceiros, uma agenda que fortaleça o turismo regional”, declarou.
A proposta apresentada pelo Brasil inclui a ampliação da cooperação entre governos, operadores, companhias marítimas e autoridades portuárias para estimular novos roteiros internacionais, facilitar a circulação de passageiros e aumentar a competitividade da região no mercado global de cruzeiros.
Especialistas do setor avaliam que a integração entre destinos pode ampliar o tempo de permanência dos turistas na América do Sul, favorecer a distribuição dos visitantes entre diferentes países e impulsionar o desenvolvimento econômico das cidades portuárias. Com a previsão de crescimento da oferta de viagens na temporada 2026/2027 e o fortalecimento das parcerias regionais, o turismo de cruzeiros segue como um dos segmentos mais relevantes para a economia do turismo sul-americano.







