
O projeto do novo terminal de passageiros do Porto de Santos ganhou uma alternativa para viabilizar sua execução e reduzir a dependência do leilão do terminal de contêineres STS-10. A Autoridade Portuária de Santos (APS) estuda financiar diretamente a construção da infraestrutura necessária para a transferência das operações de cruzeiros do Macuco para o Valongo.
A proposta surge em meio às incertezas envolvendo o leilão do Tecon Santos 10, que enfrenta questionamentos e ainda não possui cronograma definido. Caso o novo modelo seja aprovado pelos órgãos reguladores, as obras poderão começar no início de 2027.
Novo modelo para viabilizar o projeto
Originalmente, a construção da laje e do píer que darão suporte ao novo terminal estava vinculada ao vencedor do leilão do STS-10, com investimento estimado em cerca de R$ 1,2 bilhão.
Com o atraso do certame, a APS passou a avaliar a possibilidade de executar a obra com recursos próprios. O projeto ainda deverá passar por análises técnicas e econômicas, incluindo a elaboração do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), que será submetido à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e posteriormente ao Tribunal de Contas da União (TCU).
A expectativa é que os trâmites avancem ainda este ano, permitindo a definição do modelo de execução da obra.
Estrutura inspirada em Miami
Planejado para ocupar a área do Valongo, próxima ao Centro Histórico de Santos, o novo terminal substituirá a atual instalação localizada no bairro do Macuco.
O empreendimento prevê investimentos totais superiores a R$ 1,7 bilhão, somando os aportes da infraestrutura portuária e os recursos da Concais, concessionária responsável pela operação do terminal de passageiros.
Inspirado no terminal da MSC Cruzeiros em Miami, o projeto foi concebido para eliminar gargalos operacionais atualmente enfrentados em Santos. A estrutura contará com três berços exclusivos para navios de cruzeiro, permitindo a atracação simultânea de três embarcações.
Os passageiros terão acesso direto aos navios por meio de fingers climatizados, dispensando o transporte por ônibus até berços mais distantes, prática comum na operação atual durante períodos de maior movimentação.
Capacidade ampliada e operação mais eficiente
O complexo também incluirá edifício-garagem com mais de mil vagas, passarelas de acesso, áreas de check-in, espaços comerciais e serviços de alimentação.
O conceito operacional prioriza o fluxo contínuo de embarque e desembarque, reduzindo filas e tornando mais ágil a movimentação de passageiros e tripulantes.
Com a nova estrutura, a capacidade anual de atendimento poderá dobrar em relação ao terminal atual, que recebe cerca de 1,2 milhão de passageiros por ano.
Projeto em discussão desde 2019
A transferência do terminal de cruzeiros para o Valongo vem sendo discutida desde 2019 e ganhou força após alterações no Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos, aprovadas em 2020.
Desde então, o projeto passou por estudos de viabilidade, revisões de área e análises regulatórias. Em 2025, a Antaq aprovou a mudança da área de concessão da Concais, eliminando uma das etapas burocráticas necessárias para a implantação do empreendimento.
Considerado estratégico para o turismo marítimo brasileiro, o novo terminal busca consolidar Santos como principal porta de entrada de cruzeiros do país, com infraestrutura alinhada aos padrões dos maiores portos de passageiros do mundo.







