Rio
Semana de vestuário impulsiona ocupações de quartos e negócios de turismo B2B (Beatriz Waehneldt/M&E)

RIO DE JANEIRO – O Rio Fashion Week 2026 marcou seu retorno à Cidade Maravilhosa entre 14 e 18 de abril, com desfiles, experiências, programação cultural e encontros de negócios espalhados pelo município, com concentração no Pier Mauá. O Mercado & Eventos acompanhou a programação de perto e apresenta um balanço do evento, que busca reposicionar o Rio de Janeiro no calendário da moda, com impacto direto no turismo e na economia local.

O calendário de cinco dias de evento abrigou corredores de exibições, zonas de experiências com ativações de marcas e exposições, áreas de estandes de alimentação, palcos de festas e espaços com aulas gratuitas de yoga, spinning e pilates. Os espaços de trânsito em galpões receberam a movimentação de criadores de conteúdo, mídia, modelos e público geral, tanto cariocas quanto estrangeiros, com destaque de uso de vestimentas de tendências e fora do padrão.

O evento também promoveu o Espaço Saber do Rio, com painéis e debates sobre tendências e mercado, e as Business Sessions, voltadas a encontros entre criadores, compradores e investidores. O espaço concentra interações entre moda, arte e tecnologia, funcionando como área de circulação e permanência do público.

O catálogo de marcas de agendamento de desfiles alinhou assinaturas de polos de alfaiataria, fabricantes de roupas de banho de mar e oficinas de peças de experimentação de cortes. A relação de grifes de roupas exibiu etiquetas de Angela Brito, Aluf, Lenny Niemeyer, Lucas Leão e Osklen. O cronograma também contou com a marca Hisha em fase de estreia de passarelas.

A área de recepção de credenciais de estrangeiros atestou as entradas de profissionais de sedes de exterior. A lista de passaportes registrou Imruh Asha, Juan Costa Paz, Luz García, Alix Morabito, Grace Neal, Constanza Cavalli Etro e François-Ghislain Morillion.

Ações de patrocinadores na Rio Fashion Week

Injeção de R$ 100 milhões: Rio Fashion Week alavanca hotelaria em 2026
Exposição “A Alta Costura do Carnaval” (Beatriz Waehneldt/M&E)

O ingresso HUB abrigou ativações de marcas como Mantecorp, Serviço Social do Comércio (SESC), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), Sebastian Professional, Riachuelo, Jean Paul Gaultier e ainda divulgações do filme O Diabo Veste Prada 2. A praça de céu aberto do complexo forneceu pontos de vendas de pratos de gastronomia e agenda de cultura de música.

A exposição aberta para o público do evento, “A Alta Costura do Carnaval”, um dos grandes destaques do evento celebra o trabalho do estilista Henrique Filho. Com curadoria de Gringo Cardia e idealização de Milton Cunha, a mostra reúne 50 figurinos luxuosos usados por celebridades como Sabrina Sato e Xuxa, com o objetivo de reposicionar as elaboradas produções carnavalescas no mesmo patamar da haute couture internacional. Além de enaltecer a genialidade do criador que atua há cinco décadas nos bastidores, o espaço permite aos visitantes acompanhar ao vivo a técnica e a precisão das bordadeiras de seu ateliê.

Segundo dados divulgados pela prefeitura, a expectativa é de movimentação de cerca de 100 milhões de reais durante o evento. A projeção inclui efeitos diretos e indiretos em setores como turismo, hotelaria e serviços. Levantamento do HotéisRIO indica taxa média de ocupação de 73,35% entre 15 e 18 de abril. As regiões mais procuradas incluem Ipanema/Leblon (77,44%), Centro (cerca de 74%) e Leme/Copacabana (71,52%).

Alfredo Lopes, presidente do HotéisRIO, em entrevista à outro jornal, afirma que “eventos atraem negócios e visitantes, o que garante previsibilidade e permite o planejamento de investimentos. Além disso, Rio de Janeiro e moda combinam e desfilam charme, em uma sintonia muito positiva para nossa imagem”.

Apesar do impacto econômico, o evento registrou problemas operacionais. Atrasos superiores a uma hora nos desfiles do primeiro dia comprometeram a experiência de convidados e imprensa. Na passarela, a ausência de modelos internacionais de grande projeção reduz o alcance global esperado. Também surgem questionamentos sobre diversidade, com predominância de padrões corporais específicos em algumas apresentações.

Outro ponto citado é a ausência de menção ao aniversário da morte de Zuzu Angel durante a abertura do evento. O encerramento ocorre com desfile de Lenny Niemeyer no Museu do Amanhã. A apresentação revisita 35 anos da marca, com releitura de peças e referências de coleções anteriores.

O encerramento do evento ocorreu nas dependências do Museu do Amanhã, com desfile da marca Lenny Niemeyer. A apresentação no salão de museu festejou os 35 anos da empresa, por meio de costuras de revisões de cortes de tecidos de coleções de tempos de passado. A programação final incluiu festas e atividades paralelas, como o Baile Essencial, além de ações de bem-estar no último dia.