Argentina
Programa de cidadania por investimento deve estrear no segundo semestre de 2026 e promete tornar o passaporte argentino um dos mais atrativos do mercado (Reprodução/Reuters/Agustin Marcarian)

A Argentina está cada vez mais próxima de lançar seu programa de cidadania por investimento, conhecido internacionalmente como “golden passport” ou passaporte dourado. A iniciativa, que deverá entrar em operação no segundo semestre de 2026, tem potencial para se tornar uma das mais relevantes do mundo e a primeira do gênero na América do Sul.

O modelo prevê a concessão da cidadania argentina a estrangeiros que realizarem investimentos considerados estratégicos para o país. A base legal do programa foi estabelecida em julho de 2025, quando o presidente Javier Milei assinou o Decreto 524/2025, permitindo que investidores internacionais solicitem a nacionalidade sem a necessidade de residência prévia no território argentino.

Atualmente, o projeto encontra-se em fase final de implementação. O governo ainda trabalha na definição de aspectos fundamentais, como o valor mínimo dos aportes exigidos, os setores elegíveis para investimento e os procedimentos formais de candidatura.

Especialistas apontam que a proposta argentina poderá se diferenciar de programas semelhantes já existentes na Europa e no Caribe. Entre os atrativos discutidos estão um prazo reduzido para análise dos pedidos, estimado em cerca de 30 dias úteis, e regras mais flexíveis para inclusão de familiares dos investidores.

Outro fator que aumenta o interesse pelo futuro programa é a força do passaporte argentino. Atualmente, o documento figura entre os mais bem posicionados em rankings globais de mobilidade internacional, permitindo acesso sem visto a mais de uma centena de destinos. Além disso, cidadãos argentinos contam com livre circulação nos países integrantes e associados ao Mercosul, incluindo Brasil, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador.

A expectativa é que a combinação entre mobilidade internacional, proximidade geográfica com os Estados Unidos e a relevância econômica da Argentina como integrante do G20 torne o programa bastante competitivo no mercado global de cidadania por investimento.

O que será preciso para conquistar o passaporte dourado da Argentina?

Embora os critérios definitivos ainda não tenham sido divulgados, especialistas acreditam que o governo poderá direcionar os aportes para áreas consideradas prioritárias, como tecnologia, turismo e energias renováveis. Outras possibilidades em análise incluem investimentos imobiliários, participação em empresas locais e aportes em programas de financiamento vinculados ao Estado.

Consultorias e escritórios especializados em imigração acompanham de perto o desenvolvimento da iniciativa e estimam que as primeiras concessões de cidadania possam ocorrer ao longo de 2027, caso o cronograma de implementação seja mantido.

Para o setor de viagens e turismo, a medida pode representar uma nova oportunidade de atração de capital estrangeiro e fortalecimento da imagem da Argentina como destino de negócios e investimentos na América Latina.

Com informações de CNTravel.