Do discurso à prática: como o turismo tenta assumir seu papel climático na COP30
Especialistas discutem caminhos para transformar metas globais em ações locais (Divulgação)

O turismo entrou com força na pauta da COP30 e ampliou seu espaço nas discussões globais que movimentaram Belém. Pela primeira vez, o setor ganhou dois dias inteiros de debates dentro da conferência, no estande Conheça o Brasil, do Ministério do Turismo, na Green Zone. Foi ali que, em 18 de novembro, aconteceu o painel “Turismo e Clima: do compromisso global à transformação local”, reunindo Marina Figueiredo (Braztoa), Cássio Garkalns (GKS Inteligência Territorial) e Jaqueline Gil (UnB/Amplia Mundo).

O encontro lotou o espaço e levou o público a pensar, de forma prática, sobre como transformar compromissos climáticos em ações reais nos territórios. A conversa se apoiou em três frentes complementares: uma visão institucional sobre políticas públicas e metas do país; uma análise conceitual baseada em dados, tendências e modelos globais; e exemplos aplicáveis do mercado, trazendo para o cotidiano de empresas e viajantes o impacto da agenda climática.

O propósito central foi descomplicar um debate que costuma parecer distante de quem viaja ou trabalha no setor. Diante de um público majoritariamente formado por visitantes, os painelistas explicaram como funcionam as negociações da conferência e situaram o turismo dentro dos compromissos globais. As falas reforçaram que as escolhas de cada viajante, empresa e destino têm peso direto nessa transição.

Para Marina Figueiredo, colocar o turismo no centro dessa pauta é urgente. “O turismo precisa estar no centro da transição climática e ser parte da solução. Quando tornamos esse debate mais acessível e conectado à experiência real de quem vive o turismo, abrimos um caminho concreto para um turismo mais resiliente, responsável e preparado para o futuro”, disse. Ela reforçou a necessidade de transformar discussões ambientais em decisões de mercado e modelos de negócio mais inteligentes.

Cássio Garkalns destacou o impacto territorial do setor. “O turismo, quando planejado com foco no território, pode gerar benefícios reais para as pessoas e contribuir diretamente para a redução de emissões e o fortalecimento das comunidades”, afirmou.

Já Jaqueline Gil trouxe uma avaliação crítica sobre a distância entre compromissos e práticas. “Discutimos os compromissos climáticos, globais e brasileiros, e seu descompasso com a realidade e a prática no turismo. Muito disso se deve à falta de conhecimento dos gestores e dos líderes. O problema é sério, e a solução precisa ser urgente.”

O painel reforçou que as mudanças necessárias não dependem apenas de acordos internacionais. Passam também pelas escolhas cotidianas de quem viaja e de quem vive do setor. Pela capilaridade e pela ligação direta com pessoas, territórios e natureza, o turismo ocupa uma posição estratégica na transição climática.