Em forte desvalorização, peso argentino supera 1 mil por dólar pela primeira vez
Moeda americana tem menor cotação desde junho de 2024 e Bolsa brasileira acumula 29% de alta no ano (Reprodução/Forexnewsnow)

O dólar fechou em queda nesta terça-feira (11), cotado a R$ 5,27, o menor valor em 17 meses, enquanto o Ibovespa avançou e registrou o 12º recorde consecutivo. O movimento reflete o otimismo dos investidores com a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro, que veio abaixo do esperado. A expectativa é de que o Banco Central inicie o ciclo de cortes da taxa Selic em 2026.

Segundo a ata divulgada pelo Banco Central, a inflação recente apresentou comportamento mais favorável, influenciada pela valorização do câmbio e pela queda nos preços de commodities e alimentos. O documento pondera, contudo, que a demanda aquecida e o mercado de trabalho ainda pressionam os preços.

“O Comitê seguirá vigilante e não hesitará em retomar o ciclo de alta se julgar apropriado. Reafirmou-se o firme compromisso com o mandato do Banco Central de levar a inflação à meta”, afirmou o texto. A autoridade monetária reconheceu moderação gradual da atividade econômica e redução nas expectativas de inflação, mas não indicou data para o início do afrouxamento monetário.

O IPCA de outubro subiu 0,09%, informou o IBGE, desaceleração de 0,39 ponto percentual em relação a setembro, quando havia avançado 0,48%. Foi a menor taxa para o mês em 27 anos. Com o resultado, a inflação acumulada chegou a 3,73% no ano e 4,68% em 12 meses, abaixo dos 5,17% do período anterior.

Três dos nove grupos pesquisados tiveram deflação em outubro: Artigos de residência (-0,34%), Habitação (-0,30%) e Comunicação (-0,16%). O recuo em Habitação foi puxado pela queda de 2,39% na energia elétrica residencial, impactada pela troca da bandeira tarifária vermelha patamar 2 pela vermelha patamar 1, que reduziu a cobrança extra na conta de luz de R$ 7,87 para R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos.

No mercado, o dólar acumula queda de 1,19% na semana, 1,99% no mês e 14,68% no ano. Já o Ibovespa sobe 0,77% na semana, 3,82% no mês e 29,08% em 2025.

No exterior, as atenções se voltam para o impasse orçamentário nos Estados Unidos. O Congresso discute uma proposta para encerrar a paralisação parcial do governo, que já dura 42 dias. A votação está prevista para esta tarde na Câmara dos Representantes. O presidente Donald Trump declarou apoio à medida, o que pode acelerar a reabertura.

“Temos apoio suficiente de democratas e vamos reabrir o nosso país”, disse Trump a jornalistas. O projeto prevê o funcionamento do governo até 30 de janeiro de 2026 e pagamento retroativo a servidores afetados.

A paralisação já causou o cancelamento de mais de mil voos e afetou programas federais como o de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP), que enfrenta atrasos nos repasses.

Nos mercados globais, as bolsas dos Estados Unidos operaram mistas. O Dow Jones subia 0,22%, enquanto o S&P 500 recuava 0,26% e o Nasdaq caía 0,58%. Na Europa, os índices encerraram em alta com otimismo sobre o fim do impasse americano e balanços positivos. O FTSE 100 avançou 1,15%, renovando recorde de fechamento, e o STOXX 600 subiu 1,33%.

Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única. Em Tóquio, o Nikkei caiu 0,14%, enquanto o KOSPI, em Seul, subiu 0,81%. Em Hong Kong, a Xpeng teve valorização após anunciar novos modelos de robotáxi. Analistas projetam crescimento de 4,5% para a economia chinesa em 2026, com exportações enfraquecidas e o setor imobiliário em desaceleração.

*Com informações da Reuters.