Brasil
Representando a Embratur, o gerente de Informação e Inteligência de Dados, Fábio Montanheiro (Divulgação/Embratur)

A Embratur entrou de vez em um dos temas mais urgentes do turismo global. Durante um webinar internacional promovido pela ONU Turismo em parceria com a European Travel Commission, a agência brasileira apresentou sua estratégia baseada em dados para enfrentar os desafios climáticos e reposicionar o país no cenário internacional.

O encontro reuniu representantes de mais de 30 países e discutiu como transformar números em decisões práticas. Do lado brasileiro, o recado foi claro: não dá mais para falar de turismo sem cruzar dados ambientais, sociais e econômicos.

Dados viram ferramenta de decisão, não só relatório

Quem puxou a apresentação foi o gerente de inteligência da Embratur, Fábio Montanheiro. Ele mostrou que o Brasil está estruturando uma base mais robusta de indicadores, algo que vai além de relatórios institucionais.

“Estamos avançando na construção de um conjunto robusto de indicadores que permitirá uma leitura qualificada do turismo na Amazônia, integrando variáveis ambientais e socioeconômicas”, afirmou.

Em vez de decisões baseadas em percepção, o turismo passa a ser planejado com dados concretos, algo que destinos europeus já fazem há anos.

Amazônia vira laboratório de turismo sustentável

Um dos principais projetos apresentados foi o Observatório do Turismo da Amazônia, desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual do Amazonas.

A proposta é simples na teoria, mas complexa na execução: reunir informações confiáveis sobre turismo em toda a Amazônia Legal. Hoje, esses dados são fragmentados, o que dificulta qualquer estratégia de longo prazo.

Com a adesão dos nove estados da região, o projeto quer criar um painel inédito, conectando turismo com conservação ambiental.

A ideia é entender, por exemplo, como o fluxo de visitantes impacta áreas sensíveis e como isso pode ser equilibrado com geração de renda local.

Brasil quer falar a mesma língua do mundo

Outro ponto importante foi a adoção de padrões internacionais. A Embratur está trabalhando com manuais de indicadores desenvolvidos pela ONU Turismo, o que permite comparar o Brasil com outros destinos globais.

“A utilização desses manuais possibilita que o Brasil entre em um circuito internacional de medição do turismo, com dados comparáveis aos de outros países”, explicou Montanheiro.

Isso resolve um problema antigo: o país sempre teve potencial, mas pouca padronização. Sem isso, fica difícil competir ou até se posicionar em rankings e análises globais.

Movimento também é político e estratégico

Participar de fóruns como esse vai além de marcar presença. É uma forma de posicionar o Brasil como um player relevante na discussão sobre turismo e clima. O webinar fez parte das ações do DataLab da European Travel Commission, um núcleo focado justamente em transformar dados em políticas públicas.

Com 63 participantes, majoritariamente europeus, o encontro serviu como vitrine para mostrar que o Brasil está tentando se alinhar às práticas mais avançadas do setor.

Relação com a ONU Turismo ganha força

A participação recente não foi isolada. A parceria entre Embratur e ONU Turismo vem se intensificando, especialmente em iniciativas ligadas à inovação, sustentabilidade e inteligência aplicada ao setor.

Em 2025, por exemplo, o Brasil já havia apresentado sua estratégia de inteligência em um fórum global realizado na China. Agora, o movimento continua, com mais consistência, foco e presença ativa em debates internacionais.

O que isso muda na prática

Pode parecer um tema distante, mas essa mudança impacta diretamente o viajante. Destinos mais preparados tendem a oferecer experiências mais organizadas, sustentáveis e com menor impacto ambiental.

Além disso, o uso de dados ajuda a evitar problemas clássicos como superlotação, degradação de áreas naturais e falta de planejamento, tornando as viagens mais equilibradas e responsáveis.