
O setor de Alimentação Fora do Lar mantém trajetória de crescimento no estado de São Paulo e amplia a participação na economia de serviços. É o que revela o mais recente levantamento do Núcleo de Pesquisa e Estatística da Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp), baseado em dados do Mapa de Empresas do Governo Federal. Segundo o estudo, o número de empresas do segmento cresce 20,3% entre 2024 e 2025 no território paulista. O levantamento inclui estabelecimentos como hotéis, restaurantes, bares, padarias, lanchonetes, conveniências e operações ligadas à comercialização de refeições prontas.
Em 2024, São Paulo contabiliza 438.457 empresas ligadas ao setor. Em 2025, esse total sobe para 527.385 empreendimentos ativos. Já em abril de 2026, o número alcança 559.223 estabelecimentos, avanço de 6% em relação ao ano anterior. Atualmente, o estado concentra 27,5% dos 2.034.335 empreendimentos ativos do segmento em todo o Brasil. Para a Fhoresp, o desempenho acompanha mudanças estruturais no comportamento do consumidor, além da consolidação de novos modelos de negócio voltados à conveniência e ao consumo fora de casa.
A federação informa que a expansão é puxada principalmente pelas atividades diretamente relacionadas à Alimentação Fora do Lar. O segmento passa de 407.672 empresas em 2024 para 491.911 em 2025, crescimento de 20,7%. Em abril deste ano, o setor já soma 522.370 negócios em operação. Segundo a entidade, diferentes fatores contribuem para esse avanço. Entre eles estão o aumento da demanda após o período da pandemia de Covid-19, a retomada da circulação de pessoas, a consolidação dos aplicativos de entrega e a diversificação dos formatos de alimentação urbana.
Alimentação Fora do Lar muda hábitos de consumo em SP

O economista Luís Carlos Burbano, coordenador do Núcleo de Pesquisa e Estatística da Fhoresp, avalia que o crescimento do setor reflete mudanças no comportamento de consumo da população paulista. “O cidadão está com maior poder de compra e prefere fazer suas refeições fora, o que, muitas vezes, significa ganhar tempo e conveniência”, afirma o especialista. De acordo com a pesquisa, a expansão das refeições prontas e das cozinhas voltadas exclusivamente para delivery altera a dinâmica tradicional do mercado de alimentação.
A Alimentação Corporativa também aparece como um dos vetores de crescimento identificados pela federação. Empresas que fornecem refeições para escritórios, indústrias, hospitais e centros logísticos ampliam presença em diferentes regiões do estado. Segundo o levantamento, o fornecimento de alimentos preparados para consumo domiciliar reúne atualmente cerca de 119,5 mil empresas em São Paulo. O volume representa 22,9% de toda a atividade de alimentação registrada no estado.
A Fhoresp avalia que o crescimento dos aplicativos de entrega e a mudança nos hábitos urbanos criam novas possibilidades de operação para pequenos e médios empreendedores do setor. A redução da necessidade de grandes salões físicos e o fortalecimento do consumo remoto também influenciam a abertura de novos negócios. O diretor-executivo da federação, Edson Pinto, destaca que os modelos empresariais passam por adaptações para atender diferentes perfis de clientes. “Hoje, os modelos de negócios estão mais flexíveis, atendendo às necessidades dos clientes de forma mais cômoda, competitiva e alinhada às demandas do mercado”, pontua.
Além do delivery, o turismo aparece como outro fator associado à expansão do setor em São Paulo. Segundo Edson Pinto, o aumento da circulação de turistas no estado contribui diretamente para o crescimento das atividades ligadas à alimentação e hospitalidade. De acordo com dados da Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as atividades turísticas em São Paulo mantêm crescimento desde 2024. O movimento impacta hotéis, restaurantes, bares e serviços relacionados ao atendimento de visitantes nacionais e internacionais.
Nos últimos anos, o turismo corporativo, os eventos de negócios, os shows, os festivais culturais e o calendário esportivo ampliam o fluxo de consumidores em estabelecimentos de alimentação. Regiões turísticas do litoral, interior e capital paulista também registram aumento na procura por serviços ligados à gastronomia e hospedagem. Segundo a Fhoresp, a expansão do setor possui impacto direto na geração de empregos e no fortalecimento do empreendedorismo. O segmento de alimentação está entre os principais empregadores da economia de serviços no Brasil, com participação relevante entre pequenos negócios e empresas familiares.
A entidade afirma que o desempenho recente reforça a importância estratégica de hotéis, restaurantes e bares para a economia paulista. Além da movimentação financeira, o setor influencia cadeias ligadas à agricultura, logística, turismo, eventos e distribuição de alimentos. “O desempenho registrado nos últimos dois anos neste segmento reforça o potencial e a importância estratégica de hotéis, de restaurantes e de bares para geração de empregos, para o empreendedorismo e para a dinamização de serviços como um todo no Brasil”, declara Edson Pinto. A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo informa que representa atualmente mais de 504 mil empresas paulistas e 24 sindicatos patronais ligados aos setores de hospedagem e alimentação.
O crescimento da Alimentação Fora do Lar acompanha uma tendência observada em grandes centros urbanos brasileiros, marcada pelo aumento do consumo rápido, pela busca por conveniência e pela ampliação dos serviços digitais de entrega. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios relacionados à concorrência elevada, custos operacionais, contratação de mão de obra e adaptação tecnológica. A digitalização dos serviços, o uso de aplicativos e as mudanças no comportamento do consumidor continuam influenciando a dinâmica do mercado.
Especialistas do setor também observam que o crescimento das operações voltadas exclusivamente para delivery modifica a ocupação urbana e o perfil dos empreendimentos gastronômicos. Em algumas regiões, cozinhas compartilhadas e centros logísticos de alimentação passam a substituir modelos tradicionais de restaurante com atendimento presencial. Ainda assim, bares, restaurantes e padarias seguem como parte relevante da atividade econômica paulista, impulsionados tanto pelo consumo diário da população quanto pelo fluxo turístico e corporativo do estado.







