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Queda nas matrículas e dificuldades para obtenção de vistos podem reduzir em 111 mil o número de estudantes estrangeiros nas universidades americanas no segundo semestre de 2026 (Magnific)

O número de estudantes internacionais matriculados em universidades dos Estados Unidos pode cair em 111 mil no outono de 2026, segundo estimativa da Associação de Educadores Internacionais (NAFSA, na sigla em inglês) e da JB International. A redução pode representar uma perda de aproximadamente US$ 3,4 bilhões em receitas para faculdades e universidades americanas, além do impacto estimado de 40 mil empregos relacionados ao setor.

O levantamento aponta que a queda ocorre em meio à combinação de fatores que dificultam a entrada de estudantes estrangeiros no país. Entre eles estão a redução no número de solicitações, atrasos na concessão de vistos e mudanças nas políticas de imigração implementadas durante a administração do presidente Donald Trump.

O impacto deve ser maior entre instituições que concentram uma parcela significativa de seus alunos vindos do exterior. A redução nas matrículas de pós-graduação aparece como um dos principais fatores para a retração prevista, especialmente em programas de doutorado.

Estudantes enfrentam queda nas inscrições e dificuldades com vistos

Restrições a estudantes internacionais nos EUA podem gerar perda de US$ 3,4 bilhões
Estudantes estrangeiros enfrentam queda nas inscrições, dificuldades para obter vistos e mudanças nas regras de permanência nos Estados Unidos (Divulgação\NAFSA)

Dados recentes da Association of American Universities Data Exchange mostram que as inscrições internacionais para programas de doutorado nos Estados Unidos para o outono de 2026 caíram 21%. As admissões de estudantes internacionais recuaram 17%, enquanto as admissões totais em programas de doutorado diminuíram 15%.

A incerteza em relação ao financiamento federal para pesquisas também aparece como um dos fatores que afetam a procura por programas de pós-graduação. Universidades americanas dependem de recursos federais para parte relevante de suas atividades de pesquisa e formação de pesquisadores.

O cenário também é observado nos processos de graduação. Dados do Common App indicam que as inscrições internacionais para o ciclo acadêmico de 2026-2027 caíram 9%. Entre alguns dos principais mercados emissores de estudantes, a redução chegou a 14% na Índia, 34% em Gana e 17% na Nigéria.

Uma pesquisa realizada pelo Institute of International Education (IIE) na primavera de 2026 reforça a perspectiva de retração. Quase dois terços das instituições participantes afirmaram esperar novas quedas nas matrículas internacionais no ano acadêmico de 2026-2027. Algumas universidades projetam redução de até 40% nas matrículas de estudantes estrangeiros em programas de pós-graduação.

Vistos e mudanças nas regras aumentam incerteza

Entre os principais obstáculos apontados pelas pesquisas está a dificuldade para obter vistos de estudante. Uma ordem executiva de 16 de dezembro de 2025 estabeleceu restrições para cidadãos de 39 países, sem exceções gerais para candidatos aos vistos F, utilizados por estudantes, ou J, destinados a participantes de programas de intercâmbio.

Entre os países afetados estão Irã e Nigéria, que possuem uma participação relevante no fluxo de estudantes internacionais para os Estados Unidos.

A realização da Copa do Mundo de 2026 também afetou o cenário de processamento de vistos. O Departamento de Estado anunciou prioridade no atendimento de solicitações de vistos de pessoas com ingressos para partidas do torneio e que viajariam aos Estados Unidos.

O calendário do Mundial coincidiu com um período tradicionalmente importante para a emissão de vistos de estudantes e visitantes de intercâmbio. A temporada entre maio e agosto costuma concentrar uma parcela significativa das solicitações de estudantes e acadêmicos que precisam chegar ao país antes do início do ano letivo.

Outro problema apontado é a disponibilidade limitada de agendamentos em consulados americanos. Relatos indicam atrasos ou pouca oferta de horários para estudantes internacionais em países como Índia e China e em diferentes localidades da Europa. Em alguns casos, pedidos de agendamento acelerado também não foram atendidos.

A Índia e a China estão entre os principais países de origem dos estudantes internacionais matriculados em instituições americanas, o que faz com que eventuais dificuldades nesses mercados tenham impacto direto sobre o volume total de alunos estrangeiros.

Além dos problemas relacionados aos vistos, mudanças nas regras de permanência também aumentaram a incerteza para estudantes que planejam estudar nos Estados Unidos.

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Em agosto de 2025, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) propôs substituir o sistema conhecido como “duração do status”, utilizado para estudantes com visto F e visitantes de intercâmbio com visto J. Pelo modelo anterior, esses estudantes podiam permanecer no país enquanto mantivessem as condições previstas para seu programa.

Em julho de 2026, o DHS publicou a regra final que prevê a substituição da chamada duração do status (D/S) por uma data de admissão definida. A mudança estabelece 15 de setembro como marco para a implementação do novo modelo.

A alteração pode afetar principalmente estudantes matriculados em programas de maior duração ou que precisam estender sua permanência para concluir cursos, pesquisas ou outras atividades acadêmicas. Para as universidades, a mudança representa mais uma variável em um cenário já marcado pela redução das inscrições internacionais e pela dificuldade de planejamento dos estudantes.

O conjunto desses fatores pode afetar não apenas as universidades, mas também setores ligados à economia gerada pelos estudantes estrangeiros. Além das mensalidades, alunos internacionais movimentam recursos com moradia, alimentação, transporte, serviços e outras despesas durante o período em que permanecem nos Estados Unidos.

Com a projeção de queda de 111 mil estudantes no outono, a NAFSA e a JB International estimam que o impacto econômico das restrições e da redução da demanda poderá chegar a US$ 3,4 bilhões em receitas para instituições de ensino superior. A estimativa de 40 mil empregos perdidos também considera os efeitos indiretos da redução da presença de estudantes internacionais na economia americana.

O cenário coloca as universidades americanas diante de uma possível redução em uma importante fonte de receita e diversidade acadêmica, ao mesmo tempo em que estudantes estrangeiros enfrentam maior incerteza sobre vistos, admissões e permanência no país.

Com informações de InfoMoney