
As viagens corporativas no Brasil movimentaram R$ 1,05 bilhão em fevereiro de 2026, registrando crescimento de 4,12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são do levantamento mensal da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas, que analisa o desempenho de 11 segmentos do setor.
Apesar do resultado positivo, o cenário internacional inspira cautela. Segundo o diretor executivo da entidade, Douglas Fernandes de Camargo, os conflitos globais podem influenciar o comportamento do mercado nos próximos meses. “Estamos monitorando a situação internacional. O Brasil, pelas condições que apresenta, pode ser um bom destino para abrigar eventos antes programados para outros países”, afirmou.
Serviços aéreos lideram crescimento
O desempenho de fevereiro foi impulsionado principalmente pelo segmento de Serviços Aéreos, que segue como o principal motor do setor de viagens corporativas. A categoria respondeu por 58,9% do volume total, com faturamento de R$ 621 milhões, alta de 5,41% na comparação anual. O resultado indica aumento no volume de vendas, mesmo diante de pressões sobre os preços.
Já o segmento de Hotéis representou 30,5% do total, com faturamento de R$ 321 milhões e crescimento mais moderado de 1,98%, acompanhado por estabilidade no número de transações.

Segmentos emergentes ganham força
Outros segmentos também apresentaram desempenho positivo. A categoria Demais Serviços movimentou R$ 60 milhões, com crescimento de 10,26%. O segmento de Transfer teve forte expansão, com alta de 62,17% no faturamento e avanço de 69,29% nas transações.
O Seguro Viagem foi outro destaque, mais que dobrando de tamanho: o faturamento cresceu 123,39%, enquanto o volume de transações avançou 50,15%.
De acordo com Camargo, o mercado doméstico teve papel fundamental no resultado consolidado. “Grande parte desse desempenho vem do mercado nacional, que representou 71% do faturamento”, destaca.
Quedas em lazer e cruzeiros
Na contramão do crescimento geral, alguns segmentos registraram retração significativa. Pacotes de Viagens e Lazer tiveram queda de 42,99% no volume e de 18,61% nas transações. O segmento de Cruzeiros também apresentou desempenho negativo, com recuo de 41,82% na receita e redução de 71,43% no número de operações.
O Transporte Ferroviário foi outro destaque negativo, com retração expressiva de 79,63%.
Mais transações e pressão nos preços das viagens corporativas
No consolidado, o número total de transações cresceu 5,38%, alcançando 1,46 milhão. O avanço indica uma retomada sustentada pelo aumento no volume de compras, embora com pressão sobre os preços médios.
O movimento sugere um consumidor corporativo mais atento aos custos, priorizando opções de menor valor em um cenário ainda marcado por incertezas globais.







