
A América Latina é a região que menos utiliza plataformas digitais para gestão de despesas em viagens corporativas, segundo o Business Travel Index 2026, da Global Business Travel Association (GBTA). Apenas 33% dos viajantes da região afirmam que suas empresas adotam esse tipo de sistema, ante 48% na média global. Entre os profissionais que têm acesso às ferramentas, 82% registram despesas pelo celular.
O percentual de uso móvel é o segundo maior entre as regiões analisadas, atrás apenas da Ásia-Pacífico, onde chega a 84%. Os dados foram apresentados durante a convenção anual da GBTA, realizada em Chicago, nos Estados Unidos.
Para Jordana Souza, cofundadora e diretora de Novos Negócios da Voll, os números indicam que a principal barreira está na adoção das ferramentas pelas empresas, e não na disposição dos viajantes em utilizá-las. “O viajante latino-americano já incorporou o celular à rotina. Quando a empresa oferece uma ferramenta simples e integrada, a adesão acontece naturalmente. O problema é que muitas organizações ainda operam com processos fragmentados e pouco digitais na gestão de viagens corporativas”, afirma.
A diferença também aparece na etapa de reserva das viagens. Segundo o levantamento, 50% dos viajantes latino-americanos trabalham em empresas que exigem ou incentivam reservas por canais corporativos, como TMCs ou plataformas online. A média mundial é de 65%. Além disso, 27% dos profissionais da região estão em empresas que não oferecem cartão corporativo, maior percentual entre as regiões analisadas.
“Reserva, pagamento e prestação de contas ainda funcionam como processos separados em muitas empresas. Isso aumenta a burocracia para o viajante e reduz a visibilidade dos gastos para a organização”, diz Souza.
Brasil concentra crescimento das viagens corporativas

O cenário ocorre em um mercado brasileiro que deve registrar crescimento nas viagens corporativas em 2026. De acordo com o BTI 2026, o Brasil deverá movimentar US$ 35,8 bilhões no segmento neste ano, alta de 13,8%, maior crescimento projetado entre os 15 principais mercados do mundo.
“O mercado brasileiro cresce rapidamente. Quanto maior o volume de viagens, maior também a necessidade de processos digitais que tragam controle, eficiência e inteligência para a gestão”, afirma Souza.
Na avaliação da executiva, a inteligência artificial pode ser utilizada para integrar etapas que hoje funcionam de forma separada. Entre as aplicações citadas estão a recomendação de tarifas, a aplicação automática das políticas da empresa, a organização de despesas e a identificação de oportunidades de economia.
A abertura dos viajantes latino-americanos ao uso de tecnologia também apareceu no Business Travel Index 2025. Na edição anterior, 67% dos profissionais da região disseram estar confortáveis com reservas realizadas por plataformas de inteligência artificial, contra 58% na América do Norte e 52% na Europa.
“Os dados dos dois anos contam uma história parecida. O viajante demonstra abertura à tecnologia, mas ainda encontra uma estrutura corporativa pouco conectada. Existe espaço para um salto de digitalização, especialmente com soluções móveis e inteligência artificial”, conclui Souza.







