
Mais de nove anos de Gol Linhas Aéreas e mais de sete anos de Avianca. Poucos têm o privilégio de trabalhar em duas das maiores companhias aéreas da América Latina por tanto tempo e conhecer tão bem seus respectivos negócios. É o caso de Tarcísio Gargioni, um dos fundadores da Gol, onde permaneceu de 2000 a 2009, e um dos responsáveis por revolucionar as operações da Avianca no Brasil como vice-presidente de Marketing e Vendas, de 2011 a 2018.
Ao M&E, Tarcísio comentou sobre a união de Gol e Avianca numa mesma holding, chamada de Grupo Abra, que irá ter o controle acionário da Avianca e da Gol, bem como participações na Viva Colombia e na low-cost chilena SKY. Neste caso, Gol e Avianca irão continuar operando de forma independente e mantendo suas respectivas marcas e culturas. E segundo ele, a união será benéfica tanto para as empresas, quanto para os clientes.
“No ponto de vista financeiro, a união das duas companhias sob uma mesma holding terá grandes benefícios, com ganhos de escala em investimentos e redução de custos. O passageiro, por sua vez, será diretamente beneficiado, com mais opções de rotas, maior facilidade, mais benefícios relacionados aos programas de fidelização e benefícios e até mesmo uma possível redução de tarifas no futuro”, destacou Tarcísio Gargioni.
“O cliente terá a oportunidade de viajar para muitos mais destinos. Vejo esta união como uma salada de frutas totalmente diferentes, mas que, no final, o sabor acaba sendo muito bom”
O fundador da Gol frisa que a união dos negócios é benéfica não só para o mercado brasileiro, incluindo o cliente Gol, mas também para todos os clientes da América Latina da Avianca. “São operações que têm poucas sobreposição de rotas. Ou seja, os clientes terão a oportunidade de viajar para muitos mais destinos. Vejo esta união como uma salada de frutas totalmente diferentes, mas que, no final, o sabor acaba sendo muito bom”, revela.
Segundo ele, este “sabor bom” é proveniente de duas companhias com produtos diferentes, mercados diferentes e DNAs diferentes, mas que, no fundo, têm os mesmos propósitos “de buscar maior rentabilidade, ganhos de escala e sinergia. Juntas, as companhias terão uma frota de mais de 240 aeronaves, ou seja, o patamar muda e, com isso, os aspectos relacionados ao investimento acabam tendo ganhos em escala”, diz Gargioni.
União que está dentro do contexto macro econômico

Embora imprevisível, a união de Gol e Avianca é considerada natural por Tarcísio Gargioni, dado o momento em que a aviação passa neste período de pós-pandemia. “Se analisarmos o lado da aviação, que passou por essa crise mundial, é um setor que requer escala, que tem baixos índices de rentabilidade, logo é natural que, depois da crise, haja processos de incorporação e união, justamente para ganhar escala e buscar sinergias”, frisou.
“É um setor que requer escala, que tem baixos índices de rentabilidade, logo é natural que, depois da crise, haja processos de incorporação e união, justamente para ganhar escala e buscar sinergias”
Para Tarcísio, é normal também que neste começo seja preciso realizar alguns ajustes operacionais, já que cada companhia tem seus respectivos acordos e relações comerciais, o que eventualmente pode causar algum conflito concorrencial. Com relação ao mix de frotas, Gargioni não acredita que haverá uma padronização dos modelos utilizados em rotas domésticas pela Gol (B737s) e Avianca (A320s). “Ter dois fornecedores não impede de ter ganhos de escala nas negociações”, destacou.
O fundador da Gol acredita ainda que as agências regulatórias verão com bons olhos esta união ao perceberem as vantagens que serão criadas para o consumidor, seja para passageiros ou para clientes de cargas. “É uma união que trará benefícios diretos para o usuário”, finalizou Tarcisio Gargioni.
Livro sobre a fundação da Gol
Em janeiro deste ano, Tarcísio lançou o livro “26 semanas para voar”, onde conta todos os detalhes que antecederam o lançamento oficial da Gol, com o voo inaugural realizado no dia 15 de janeiro de 2001, bem como os primeiros anos de atividade da companhia. A edição foi lançada em 15 de janeiro, dia em que a Gol completou seus 21 anos de história, e foi distribuída a todos os funcionários da companhia. O livro também já está a venda no Mercado Livre.







