
Em um estado onde o agronegócio domina a narrativa, um novo protagonista tem ganhado espaço com cada vez mais força: o turismo. Não apenas como motor econômico, mas como ponte entre a conservação ambiental e a geração de renda local. Esse foi o tom das falas que marcaram a segunda noite da FIT Pantanal 2025, em Cuiabá.
“Nosso estado é conhecido como o estado do agronegócio. Mas e os pequenos negócios nessa cadeia? Onde eles entram?”, provocou Lélia Brun, diretora superintende do Sebrae-MT, em entrevista coletiva. A resposta vem sendo construída com planejamento e, principalmente, conexão. “A gente acredita no desenvolvimento do turismo como uma alavanca para isso. Hoje, temos 52 empresas mapeadas na cadeia turística e 20 novos produtos em construção. Tudo isso se soma à criação de novos espaços, novas narrativas, credibilidade.”
Para ela, mais do que capacitar empreendedores, o papel do Sebrae é gerar ecossistemas férteis: “As conexões transformam os ambientes. Estar aqui, junto com parceiros e clientes, é o que torna o desenvolvimento possível.”

A FIT tem funcionado justamente como esse espaço de conexão. Para Maria Letícia, secretária adjunta de Turismo do estado, a feira vai além da vitrine. “Tem muita gente que chega aqui, descobre um município, um atrativo, e decide visitar. É esse o intuito. Mato Grosso é enorme — são três biomas, quatro polos — e tem muita coisa ainda a ser descoberta.”
Além das atrações culturais, da gastronomia e das experiências, o evento carrega um lado mais técnico e estratégico. “Tem aldeia do conhecimento, capacitação, reuniões com representantes de outros estados. Os prefeitos estão vindo com mais força, acreditando no turismo como vetor de desenvolvimento para seus municípios. E isso é um avanço gigante”, afirmou Letícia.

Quem também reforçou esse espírito de cooperação foi Luis Carlos Nigro, diretor da Fecomércio-MT. Segundo ele, o turismo só se sustenta quando há sinergia real entre público e privado: “O turismo é transversal. Atravessa o comércio, os serviços, o artesanato, a cultura. Não há como falar em desenvolvimento se a gente não fortalece os negócios locais. Quando o turista consome aqui, ele ativa toda uma cadeia.”
Mais do que um evento promocional, a FIT Pantanal tem se consolidado como um laboratório vivo de como o turismo pode ser pensado de forma estratégica, sustentável e inclusiva — do pequeno produtor rural ao empreendedor da cidade.

“O turismo é a ponte que conecta nossa riqueza natural à prosperidade das nossas comunidades. Investir nessa cadeia é investir no futuro sustentável do nosso estado, garantindo emprego, renda e qualidade de vida para nossa gente”, finaliza Luis Carlos Nigro.







