Portugal amplia controle migratório em Lisboa após filas de até nove horas no aeroporto
Governo anuncia novas portas eletrônicas e investimento milionário para reduzir gargalos na imigração (Reprodução/Jorge Silva/X.com)

Após um fim de semana marcado por filas de até nove horas nos guichês de imigração do aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, o governo de Portugal anunciou medidas emergenciais para tentar normalizar a operação do principal terminal aéreo do país. Entre as ações está a ampliação do número de portas eletrônicas de controle de fronteira, que passará de 16 para 24.

Além disso, foi aprovado um investimento de 7,5 milhões de euros, cerca de R$ 49 milhões, para reforçar os sistemas de entrada e saída no espaço Schengen até 2028. A crise foi classificada pelo próprio governo como um embaraço e expôs fragilidades na adaptação ao novo sistema europeu de controle de fronteiras.

A implementação do novo modelo, voltado a cidadãos de fora da União Europeia, entrou em funcionamento em Portugal em 12 de outubro e é apontada como uma das principais causas do aumento no tempo de espera. Em Lisboa, o impacto foi mais intenso a partir de 10 de dezembro, com a entrada da segunda fase do sistema, que passou a exigir dados biométricos dos passageiros, como fotografia e impressões digitais.

Com cada atendimento levando mais tempo, o aeroporto não estava preparado nem em termos tecnológicos nem de recursos humanos. A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, reconheceu falhas técnicas e operacionais e anunciou o reforço de 80 agentes no aeroporto, em meio a um período considerado mais exigente por causa das festas de fim de ano.

Apesar do reforço, os tempos de espera continuaram elevados. Atualmente, segundo a ministra, há 236 agentes atuando no controle de fronteiras em Lisboa, enquanto o número considerado ideal seria de 270. Um dos entraves para ampliar rapidamente o efetivo é a exigência de formação específica em controle migratório, certificação que depende da agência europeia Frontex.

Sem essa habilitação, os agentes não podem atuar diretamente nos postos de imigração, o que limita a capacidade de resposta imediata à crise. O governo português afirma que as medidas anunciadas visam estabilizar a operação no curto prazo e preparar o aeroporto para os novos padrões de controle exigidos pelo sistema europeu.

Com informações da CBN