
A Organização Mundial da Saúde afirma que já contabiliza 11 casos confirmados de hantavírus relacionados ao surto no cruzeiro MV Hondius, incluindo três óbitos registrados desde o início da situação. Apesar da escalada no número de infectados, a entidade informa que não existe evidência de propagação da doença em maior proporção neste período.
O anúncio foi divulgado pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em pronunciamento público realizado em Madri. Durante sua fala, o gestor coloca de forma clara: “Não há sinais de que estejamos vendo o início de um surto maior”. Entretanto, o mesmo diretor ressalva que a situação “pode mudar” nos próximos dias, tendo em conta o longo intervalo entre a exposição ao vírus e o surgimento de sintomas.
A confirmação da Espanha de um novo caso no mesmo dia em que a OMS fez seu pronunciamento reforça a instabilidade do cenário. Uma mulher espanhola que estava embarcada no MV Hondius testou positivo para hantavírus após ser retirada do navio e colocada em isolamento hospitalar em instalação militar de Madri.
De acordo com comunicado do Ministério da Saúde espanhol, a paciente apresentou febre e problemas respiratórios, porém mantém condição estável e sem sinais de piora clínica relevante. A mulher integra um grupo de 14 cidadãos espanhóis removidos da embarcação no domingo anterior. Os demais passageiros deste contingente produziram resultados negativos na testagem até o momento.
OMS reafirma controle, mas alerta para cenário incerto
A OMS menciona que nove dos 11 casos já documentados correspondem à cepa Andes do hantavírus, uma variante considerada rara que consegue ser transmitida entre seres humanos em contextos específicos envolvendo proximidade física. O hantavírus, de forma geral, se propaga mediante contato com fezes, urina ou secreções salivares de roedores selvagens contaminados.
A doença manifesta-se normalmente por meio de sintomas como febre, tremores de frio e dores no sistema muscular, porém possui capacidade de progredir para insuficiência respiratória de caráter severo. Conforme orienta a OMS, os sinais podem aparecer em período compreendido entre sete dias e oito semanas posterior à exposição. Tedros recomenda que os passageiros que foram retirados do navio cumpram quarentena estabelecida em 42 dias. Esta medida busca rastrear potenciais desenvolvimentos da infecção e evitar transmissões secundárias.
Na Holanda, 12 profissionais de um hospital universitário foram colocados em isolamento preventivo após entrarem em contato com fluidos biológicos de um paciente acometido sem aplicarem protocolos reforçados de proteção. O hospital Radboud University Medical Center comunica que o potencial de contaminação encontra-se em patamar baixo, contudo classifica a medida como precaução necessária.
O surto eclodiu durante uma expedição da embarcação MV Hondius, que executava itinerário comercial conectando a Argentina, a Antártida e ilhas remotas localizadas no Atlântico Sul. Segundo dados de autoridades sanitárias, este representa o primeiro surto de hantavírus documentado em uma embarcação de cruzeiro de passageiros.
Durante os últimos dias, países envolvidos mobilizaram operações coordenadas de evacuação e repatriação dos passageiros. No total, 87 passageiros e 35 membros da tripulação abandonaram a embarcação em Tenerife, na Espanha, utilizando equipamento de proteção individual completo. Três vidas foram perdidas desde o registro inicial do surto: um casal holandês e um cidadão alemão. O MV Hondius prossegue em deslocamento rumo a Rotterdam, na Holanda, onde será submetido a processo de limpeza aprofundada e desinfecção completa antes de retomar operações.
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*Com informações de g1.







