Fabio Godinho, CEO da CVC
Fabio Godinho, CEO da CVC

A CVC encerrou o terceiro trimestre de 2025 com 1.597 lojas no Brasil e na Argentina, o maior número da história do grupo CVC Corp, e prevê fechar o ano com 200 novas unidades abertas nos dois países. O movimento reforça a estratégia de expansão física com integração digital e consolida a retomada da companhia no varejo de viagens.

O desempenho ocorre em meio à recuperação financeira da empresa. Segundo balanço divulgado nesta terça-feira (11), a CVC Corp registrou lucro líquido de R$ 40,6 milhões no 3T25, alta de 181% em relação ao mesmo período de 2024. O lucro ajustado somou R$ 62,5 milhões e o EBITDA ajustado atingiu R$ 130,5 milhões, com margem de 34,6%, a melhor desde antes da pandemia. A geração de caixa operacional chegou a R$ 146 milhões, impulsionada pela gestão mais eficiente do capital de giro.

Em entrevista ao M&E, o CEO da CVC Corp, Fábio Godinho, destacou que o fortalecimento da rede física é parte de um modelo de crescimento equilibrado e sustentável. “O cliente confia na loja próxima de casa, mas quer conveniência digital. Por isso, a integração entre canais é essencial”, afirmou.

Hoje, 60% das vendas das lojas físicas são concluídas via WhatsApp, o que demonstra o avanço da estratégia de omnicanalidade com os franqueados. A companhia também ampliou a capilaridade internacional, com 25% do faturamento vindo da Argentina e o restante distribuído entre B2B e B2C no Brasil, em proporções equilibradas.

O grupo mantém nove empresas, sendo seis no Brasil e três na Argentina, com perfis complementares. A CVC Viagens segue focada em acordos exclusivos e bloqueios aéreos, enquanto a Rextur Advance, que deve atingir R$ 5,5 bilhões em vendas em 2025, impulsiona o segmento B2B. “A diversificação é hoje a principal vantagem competitiva do grupo. Essa estrutura dilui riscos e sustenta o crescimento de forma equilibrada”, disse Godinho.

O balanço também mostrou redução de R$ 198 milhões na dívida líquida, após o pré-pagamento de debêntures e antecipação de juros. A alavancagem caiu para 0,5 vez a relação Dívida Líquida/EBITDA, e a Fitch Ratings reafirmou o rating da companhia em BBB, elevando a perspectiva de estável para positiva.

A companhia planeja manter o ritmo de expansão com foco na eficiência operacional e no fortalecimento da rede de franqueados. “Cada marca cumpre um papel estratégico dentro do grupo. A força da CVC Corp está nessa combinação entre exclusividade, escala e diversificação de receita”, resumiu o CEO.

A recuperação da demanda internacional também deve sustentar parte relevante da expansão nos próximos anos. Segundo Godinho, o grupo está preparado para capturar o avanço das viagens ao exterior por meio de novos contratos na hotelaria e acordos diretos com companhias aéreas em destinos como Buenos Aires, Orlando, Nova York, Lisboa e Santiago.