
As longas filas no controlo de fronteiras do Aeroporto de Lisboa estão associadas à saturação estrutural da infraestrutura e à concentração de voos em horários de pico, segundo declarações de especialistas do setor e operadores da aviação, em análises divulgadas pela Lusa.
O antigo gestor da Iberia, PGA e SATA, Rui Quadros, afirmou que o novo Sistema de Entrada/Saída da União Europeia (EES) não pode ser apontado como causa exclusiva dos constrangimentos, embora reconheça que a sua implementação aumenta a pressão sobre uma infraestrutura já limitada. Quadros acrescentou ainda que a adoção de sistemas desta natureza deveria considerar prazos e avaliações ajustadas à capacidade de cada aeroporto.
A professora Maria Baltazar, do ISEC Lisboa, relaciona os constrangimentos à forte concentração de voos em determinados horários e ao crescimento do aeroporto em espaço físico limitado. Ela considera que o EES não é a principal causa dos atrasos, mas sim um fator adicional num sistema sob pressão.
Já o diretor da SkyExpert, Pedro Castro, destaca que o desempenho varia conforme o aeroporto e o volume de passageiros não-Schengen. Ele afirma que Lisboa concentra mais de 10 milhões de passageiros deste perfil por ano e que a operação como hub intensifica os picos de chegada simultânea de voos, o que pressiona o controlo de fronteiras.
Aeroporto como porta de entrada
O setor do turismo manifesta preocupação com os efeitos das filas na experiência de entrada no país. O presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, afirmou que a persistência de filas pode afetar sobretudo mercados fora do espaço Schengen e gerar “dano reputacional”, com impacto na confiança dos viajantes.
Já o presidente da ANAV, Miguel Quintas, afirmou que a experiência de entrada influencia diretamente a perceção do destino. Segundo ele, filas prolongadas podem afetar reservas futuras e aumentar a preferência por destinos com processos de entrada mais rápidos.
A por sua vez, AHP informou que, até o momento, não há registo de queda nas reservas. Ainda assim, a entidade reconhece que o primeiro contato do turista com o país ocorre no aeroporto e que atrasos prolongados podem afetar a perceção do destino.
*Con informações do Publico.







