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Linha de financiamento poderá ser contratada até dezembro e terá prazo de até cinco anos (Agência Brasil/BNDES)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu uma nova linha de financiamento de até R$ 8 bilhões para fortalecer o setor aéreo brasileiro em meio ao aumento dos custos operacionais, principalmente com o querosene de aviação (QAV). Embora o programa contemple quatro empresas do transporte aéreo regular doméstico, a distribuição dos recursos mostra uma forte concentração nas três maiores companhias do país. Azul, Gol e Latam poderão contratar até R$ 2,5 bilhões cada, enquanto a Abaeté terá limite de R$ 80 milhões.

A linha utiliza recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) e poderá ser acessada até dezembro de 2026. Segundo o governo federal, a medida busca ampliar o capital de giro das empresas diante da elevação dos preços do combustível, pressionados pelas oscilações do mercado internacional de petróleo e pelos reflexos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio.

Distribuição acompanha o tamanho da operação das empresas

Apesar de o anúncio incluir quatro companhias, praticamente todo o potencial de contratação está concentrado nas líderes do mercado brasileiro. Juntas, Azul, Gol e Latam respondem pela maior parte da malha aérea nacional, operando milhares de voos diariamente e transportando milhões de passageiros por ano.

Cada uma das três empresas poderá solicitar financiamentos de até R$ 2,5 bilhões, totalizando R$ 7,5 bilhões do limite disponível. A Abaeté, companhia voltada para operações regionais, poderá acessar até R$ 80 milhões.

A diferença nos valores acompanha o porte operacional de cada empresa. Enquanto as grandes companhias mantêm centenas de aeronaves em atividade e elevado consumo de combustível, a empresa regional possui uma estrutura significativamente menor, com atuação concentrada em mercados específicos.

Esse modelo de distribuição foi definido levando em consideração a necessidade de capital de giro de cada operador e sua participação na aviação comercial doméstica.

Alta do combustível motivou criação da linha

O aumento do preço do querosene de aviação tem sido um dos principais desafios enfrentados pelas empresas aéreas em 2026. O combustível representa uma das maiores despesas do setor e sofreu forte impacto com a valorização internacional do petróleo.

A instabilidade provocada pelos conflitos no Oriente Médio elevou os custos de produção e distribuição dos combustíveis, afetando diretamente o transporte aéreo em diversos países.

Com isso, o governo decidiu utilizar recursos do FNAC para criar uma linha específica destinada ao financiamento das empresas, oferecendo condições consideradas mais favoráveis em relação às praticadas pelo mercado.

Condições do financiamento

Os financiamentos terão taxa fixa de 4% ao ano sobre os recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil, além das condições operacionais definidas pelo próprio BNDES.

O prazo de pagamento poderá chegar a 60 meses, permitindo que as companhias utilizem os recursos para reforçar o caixa e enfrentar o aumento das despesas operacionais.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o setor voltou a enfrentar um período de pressão financeira após a recuperação registrada no pós-pandemia. Em declaração divulgada pelo banco, ele afirmou que o aumento dos custos com combustível voltou a comprometer a operação das empresas aéreas brasileiras.

Recursos não serão liberados automaticamente

Embora o valor anunciado seja de até R$ 8 bilhões, isso não significa que todo o montante será desembolsado imediatamente.

Na prática, o programa estabelece um limite máximo disponível para contratação. Cada companhia interessada deverá solicitar o financiamento, passar pela análise de crédito do BNDES e cumprir todos os requisitos estabelecidos pelo banco.

O volume efetivamente contratado dependerá da demanda das empresas, da capacidade financeira de cada uma e da aprovação das operações.

Dessa forma, o valor final desembolsado poderá ser inferior ao teto divulgado pelo governo.

Linha prioriza empresas responsáveis pela maior parte da malha aérea

O formato adotado pelo programa demonstra que a prioridade é garantir liquidez às empresas que concentram a maior oferta de voos domésticos no Brasil.

Azul, Gol e Latam operam praticamente toda a estrutura de transporte aéreo regular de passageiros no país, atendendo milhares de frequências semanais e conectando capitais, cidades médias e destinos turísticos.

Ao direcionar praticamente todo o limite da linha para essas empresas, o governo busca preservar a capacidade operacional do sistema aéreo nacional diante do cenário de custos elevados.

Ao mesmo tempo, o programa também reserva espaço para empresas regionais, ainda que em uma escala proporcionalmente menor.

Setor aéreo segue enfrentando desafios financeiros

Mesmo com a recuperação gradual da demanda por viagens após a pandemia, as companhias aéreas continuam convivendo com fatores que pressionam seus resultados financeiros.

Além da alta do combustível, o setor ainda enfrenta oscilações cambiais, custos elevados de manutenção, despesas com leasing de aeronaves e aumento de gastos operacionais.

Nos últimos anos, empresas brasileiras também passaram por processos de reestruturação financeira, renegociação de dívidas e revisão de estratégias para manter a sustentabilidade dos negócios.

A nova linha do BNDES surge como mais um instrumento de apoio financeiro voltado ao setor, permitindo que as companhias tenham acesso a capital em condições diferenciadas para enfrentar um período de maior pressão sobre seus custos.

Crédito busca preservar a conectividade aérea

Além do impacto direto nas empresas, a manutenção da operação das principais companhias também influencia a conectividade entre cidades brasileiras, especialmente em regiões que dependem do transporte aéreo para deslocamentos de passageiros e movimentação de cargas.

Com o financiamento disponível até dezembro de 2026, o governo pretende ampliar a capacidade de investimento das empresas e reduzir os efeitos provocados pelo aumento do custo do querosene de aviação, considerado atualmente um dos principais fatores de pressão sobre a aviação comercial brasileira.

*Com informações de Estadão