Por Beatriz Waehneldt e Felipe Abílio

Brasil no radar: Avianca detalha expansão, integração com a Gol e planos para 2026
Companhia reforçou metas de 2026 e comentou pressão do mercado brasileiro (Reprodução)

A Avianca abriu os bastidores do seu planejamento para 2026 e deixou claro que “o Brasil é peça central” na estratégia do Grupo Abra, especialmente por meio da integração com a Gol. A manhã em Bogotá reuniu executivos de alto escalão para destrinchar resultados, avanços e o plano de “unificar produtos, ampliar conectividade e consolidar o grupo como uma potência aérea nas Américas”, como resumiram representantes da empresa.

“Tem sido um grande ano para a Abra”, afirmou Adrián Neuhauser, CEO do grupo. Ele lembrou que o projeto começou “quase cinco anos atrás como conceito” e agora se torna “uma realidade concreta na operação”. A avaliação interna, segundo ele, é de que o grupo passa por “uma virada de chave”.

A apresentação abriu lembrando um marco simbólico: os 106 anos da Avianca. A companhia, nascida na Colômbia, mas parte da história de toda a região, agora entra, segundo os executivos, em “uma fase de transformação em escala continental”.

Hoje, o grupo opera mais de 300 aeronaves, está presente em 25 países, atende 140 destinos e reúne mais de 30 mil colaboradores. “Transportamos 52 milhões de passageiros até outubro e deve ultrapassar 70 milhões até o fim de 2025”, destacou a companhia.

Brasil no radar: Avianca detalha expansão, integração com a Gol e planos para 2026

Neuhauser afirmou ainda que 2025 representou “um momento importante não só para a Avianca, mas para a Gol”, destacando a saída da empresa brasileira do Chapter 11. “Hoje estamos realmente operando como grupo. Estamos unindo redes, empurrando sinergias e entregando produtos melhores para o cliente.”

Ele reforçou a visão central da holding: “Dar mais acesso à conectividade aérea, de maneira segura e digna, é algo que nos orgulha.”

Experiência do passageiro: conectividade, frota e conteúdo

A experiência do cliente foi um dos eixos de destaque. Segundo a Avianca, “investir no passageiro” segue como prioridade, com foco em conectividade, renovação de frota e entretenimento.

A companhia afirmou que já tem “cerca de dez aeronaves A320neo equipadas com Wi-Fi”, com expansão acelerada prevista para 2026. O objetivo é, nas palavras dos executivos, garantir “uma experiência consistente em toda a rede”, permitindo que o passageiro trabalhe, assista a conteúdo ou se mantenha online mesmo em aeronaves narrow-body.

A biblioteca de entretenimento também cresceu. A Avianca informou que já possui “mais de 300 títulos” e destacou parcerias com HBO Max e F1 TV. Segundo a companhia, o objetivo é oferecer “variedade para um viajante cada vez mais exigente — inclusive em rotas curtas”.

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Nos bastidores, executivos reforçaram que “ter um produto alinhado, independentemente da aeronave”, será decisivo para fortalecer a competitividade do grupo, especialmente no Brasil.

Integração Avianca–Gol

O tom da apresentação reforçou que a integração entre Avianca e Gol “não é mais um plano, é prioridade”. A companhia afirmou que o movimento deve ampliar a presença no maior mercado aéreo da América do Sul.

Frederico Pedreira, CEO da Avianca, disse que 2025 será lembrado como “um ano de inflexão”. Para ele, foi o período em que o grupo “passou a operar de forma realmente coordenada”, com ganhos em eficiência e estratégia.

Já Gabriel Oliva, presidente e COO da Avianca, afirmou que a malha e o produto entraram em “uma fase de maturidade operacional”. Ele destacou que as decisões agora são “mais consistentes, tanto no desenho das rotas quanto na padronização do serviço”.

Executivos reforçaram que 2026 será dedicado a consolidar essa integração. “Vamos intensificar a conectividade Brasil–Américas”, afirmou um deles, destacando que o produto deve se tornar “cada vez mais homogêneo”.

Malha, eficiência e operação coordenada

A Avianca afirmou que a reorganização da malha foi essencial para sustentar o crescimento do grupo. Segundo a companhia, a distribuição de aeronaves, horários e frequências passou por ajustes para “aumentar a eficiência e reduzir gargalos”.

Oliva explicou que o planejamento de 2026 considera “a maturação plena das rotas reforçadas em 2025”, com foco especial na conectividade entre Colômbia, Caribe, América Central e Brasil. “Regularidade e disponibilidade são essenciais para o desempenho da malha combinada”, disse o executivo.

Gol pós-Chapter 11

O encontro também destacou a importância da saída da Gol do Chapter 11. Para Neuhauser, a reestruturação “fecha um ciclo e abre outro”, permitindo acelerar projetos conjuntos.

Segundo o grupo, a retomada da Gol “abre espaço para integrar produtos, ampliar acordos de codeshare e melhorar soluções de conectividade”. A empresa afirmou que a evolução ocorrerá “de maneira progressiva, respeitando etapas regulatórias e operacionais”.

Padronização e unificação de produtos

A Avianca também abordou o plano de unificar, gradualmente, o padrão de produto dentro do grupo. Executivos afirmaram que o objetivo é oferecer “uma experiência estável, independentemente do trecho ou da empresa”.

A padronização envolve, segundo a companhia, processos internos, pontualidade, cabines, sistemas de entretenimento e a jornada digital do passageiro. “Estamos trabalhando para que o cliente navegue entre as marcas com menos fricção”, afirmou um executivo.

A expansão do Wi-Fi e a ampliação do catálogo de conteúdo fazem parte desse movimento.

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Frota: modernização e entregas contratadas

A Companhia também apresentou atualizações sobre a frota. A família Airbus A320neo continuará sendo “o eixo central da expansão”, devido a ganhos de eficiência e alcance.

Executivos informaram que parte das entregas para 2026 e 2027 “já está contratada”. A modernização, segundo eles, contribui para “reduzir custos, ampliar autonomia e melhorar indicadores ambientais”.

Brasil no centro do mapa estratégico

O Brasil apareceu como um dos mercados prioritários da holding. Para o grupo, o país é “essencial para a conectividade continental”, tanto pelo tamanho quanto pela posição geográfica.

A integração com a Gol foi descrita como “ferramenta para ampliar alcance regional e criar novos fluxos de passageiros”. Segundo a holding, esse processo ganhará intensidade “à medida que a unificação avançar”.

2026: ano de consolidação

No encerramento, executivos afirmaram que 2026 será dedicado à consolidação. Entre as metas estão:

  • ampliar conectividade aérea;
  • avançar na padronização de produtos;
  • expandir a frota com aeronaves mais eficientes;
  • fortalecer entretenimento e serviços digitais.

“O objetivo é fortalecer nossa presença nas Américas e aperfeiçoar a experiência do passageiro”, afirmou o grupo. “O foco no Brasil continuará guiando decisões estratégicas ao longo do próximo ano”, finalizou.