Caos nos céus americanos: paralisação afeta controle de tráfego e atrasa milhares de voos
Governo e oposição trocam acusações enquanto passageiros enfrentam longas esperas (Freepik/Wirestock)

A paralisação do governo norte-americano começa a impactar diretamente os céus dos Estados Unidos. Problemas de pessoal no controle de tráfego aéreo causaram atrasos nos principais aeroportos do país, incluindo Nova York, Washington, Newark e Houston, segundo informou a Administração Federal de Aviação (FAA) na noite desta quinta-feira (23).

A agência relatou falta de funcionários em dez centros de controle diferentes e precisou emitir paradas em terra nos aeroportos de Houston Bush e Newark Liberty. Em Washington, os voos partindo do Ronald Reagan National Airport registraram atrasos médios de 31 minutos, enquanto o LaGuardia, em Nova York, teve espera média de 62 minutos.

De acordo com o site de monitoramento FlightAware, mais de 4,2 mil voos foram afetados apenas nesta quinta, incluindo 15% das partidas em aeroportos de Nova York, Newark e Washington. A situação preocupa o setor aéreo, já que 13 mil controladores de tráfego e 50 mil agentes da TSA (Administração de Segurança de Transporte) estão trabalhando sem receber salário desde o início da paralisação.

A Casa Branca admitiu que o cenário pode piorar. “Tememos que haja atrasos, interrupções e cancelamentos significativos de voos nos principais aeroportos do país nesta temporada de festas”, disse a secretária de imprensa, Karoline Leavitt.

Enquanto isso, republicanos e democratas trocam acusações sobre a responsabilidade pela crise. A oposição afirma que Donald Trump se recusa a negociar o fim do impasse. “São eles que paralisaram o país”, disseram líderes democratas em comunicado.

O tema desperta lembranças do caos de 2019, quando uma paralisação de 35 dias obrigou as autoridades a reduzir o tráfego aéreo em Nova York e Washington após aumento nas ausências de controladores e longas filas nos postos de segurança.

Atualmente, a FAA opera com 3,5 mil controladores a menos do que o ideal. Muitos trabalham em regime de horas extras e semanas de seis dias, cenário que, segundo sindicatos, já era insustentável mesmo antes da atual crise.

“Estamos à beira de um colapso operacional. O sistema aéreo dos EUA não suporta mais esse ritmo”, afirmou um representante sindical ouvido pela Reuters.

A expectativa é que o problema se agrave nos próximos dias, especialmente com o aumento das viagens de fim de semana e de feriados.