
A aposta da Latam no maior ciclo de expansão da América do Sul ganhou um capítulo decisivo quando o Brasil voltou ao centro das discussões durante o Investor Day, realizado na Bolsa de Valores de Nova York, nesta terça-feira (9) O Chief Commercial Officer, Ramiro Alfonsín, sustentou que o país vive hoje o momento mais sólido da companhia, mesmo com o avanço da concorrência e o cenário macroeconômico incerto. “Pessoalmente me sinto muito confiante com a nossa proposta de valor no mercado no Brasil. Temos conseguido, novamente, ganhar participação no segmento corporativo. Acreditamos que nossa oferta é muito diferenciada em relação aos concorrentes”, afirmou.
Segundo ele, parte dessa força vem da proximidade com o cliente, algo que a Latam considera ter recuperado nos últimos anos. “Nossa rede, combinada às iniciativas nos canais de vendas, vem nos colocando mais próximos do cliente do que antes. O programa de fidelidade é extremamente forte, acabamos de ser reconhecidos como o melhor programa do país, inclusive pelos bancos brasileiros. E a posição que temos hoje em aeroportos-chave como Guarulhos, Congonhas e Brasília é uma posição que nunca tivemos antes”, disse, em uma das falas mais contundentes da apresentação.
A visão brasileira se conecta à estratégia maior da companhia para capturar o potencial da América do Sul. Alfonsín mostrou projeções que apontam para US$ 5 bilhões de receita e reforçou que o crescimento não virá apenas de expansão de capacidade, mas de uma melhoria profunda na qualidade do tráfego. “Crescer não é só voar mais. É voar melhor, com clientes que buscam mais valor, mais experiência e mais fidelidade. A receita premium está dobrando porque o passageiro está mudando e nós mudamos com ele”, afirmou.
O CCO destacou ainda que o continente é um mercado subatendido, com apenas 1,6 viagem per capita ao ano — muito abaixo de mercados maduros como EUA e Europa. A demanda internacional latino-americana cresceu 24% em 2024, o maior avanço global, e o Brasil segue como motor fundamental dessa expansão. Guarulhos concentrou 70% do tráfego internacional do país e a Latam mantém ali uma frequência que supera concorrentes com folga.
Um ponto sensível ganhou destaque: a redução prevista da frota widebody a partir de 2027, em um momento em que o longo curso vive demanda aquecida. Alfonsín tentou minimizar o impacto estrutural. “Há várias formas de mitigar isso. A demanda de longo curso continua muito forte e os widebodies são fundamentais. Temos flexibilidade nas decisões de frota: podemos estender contratos, acelerar negociações ou ajustar o mix conforme a necessidade. Assim, não vemos isso como uma limitação estratégica, e sim como parte da gestão normal de frota que fazemos ano após ano.”
Na análise do executivo, a vantagem competitiva se consolida também na malha, a Lstam lidera quatro dos cinco maiores aeroportos da região e domina mercados como Chile, Peru e Equador. No Brasil, a empresa ampliou presença e se posiciona de forma inédita nos hubs estratégicos. “Essa presença não é circunstancial. É uma estratégia construída ao longo de anos”, resumiu.
Alfonsín reforçou que o avanço no segmento premium, o fortalecimento do corporativo e o crescimento do programa de fidelidade, que já reúne mais de 15 milhões de membros, sustentam a confiança da companhia no país e na região. “Temos a malha mais abrangente, o produto mais competitivo e a estratégia digital mais avançada da região. Com isso, vamos entregar resultados ainda mais fortes em 2026 e além”.







