
O Rio de Janeiro deve registrar aumento de 13,2% na oferta de voos internacionais em 2026, na comparação com o ano anterior. Os dados fazem parte de um levantamento da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) e apontam que o estado deverá concentrar cerca de 22% de toda a oferta internacional prevista para o Brasil no período.
A expansão ocorre em um cenário de crescimento também na oferta total de voos no estado. De acordo com o levantamento, o número de operações domésticas e internacionais deve aumentar 6,3% em relação a 2025. O percentual fica acima da média nacional projetada pela entidade, de 4,2%. Segundo a Abear, a malha aérea do estado deverá alcançar aproximadamente 250 voos diários em 2026. Desse total, cerca de 202 serão operações domésticas e 49 internacionais.
O resultado coloca o estado entre os principais pontos de entrada e saída de passageiros em viagens internacionais no país. A ampliação da oferta também ocorre em um momento de expansão das operações do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, que vem recebendo novas rotas e frequências. A Prefeitura do Rio relaciona parte desse movimento ao Programa Municipal de Fomento a Novas Rotas Aéreas Internacionais. Em março, o município anunciou a seleção da Gol para a iniciativa, com previsão de três voos semanais entre o Galeão e o Aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, a partir de julho de 2026.
Rio concentra parte da expansão internacional do país
A participação estimada de 22% na oferta internacional brasileira considera a quantidade de operações previstas para o estado em relação ao total projetado nacionalmente. O levantamento da Abear coloca o estado em posição relevante na distribuição da malha internacional brasileira.
A entidade acompanha a evolução da oferta e da demanda do setor aéreo por meio de dados de mercado. Em seu Panorama da Aviação Brasileira, a associação utiliza informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Banco Central e da Petrobras, entre outras fontes, para analisar indicadores do transporte aéreo. No caso do estado, a ampliação da malha internacional também se relaciona à estratégia de fortalecimento do Galeão como aeroporto de conexão. Em março, a Prefeitura informou que o município havia registrado 2,1 milhões de visitantes estrangeiros em 2025 e associou a expansão de novas rotas à estratégia de turismo internacional da cidade.
O aeroporto já registra aumento na movimentação internacional em períodos de maior demanda. Para julho de 2026, o RIOgaleão estimou aproximadamente 1,7 milhão de passageiros, sendo 580 mil internacionais, além de crescimento de 19% na demanda internacional em comparação com julho de 2025. A concessionária também projetou cerca de 3,3 mil voos internacionais no mês. Entre as operações destacadas para a temporada estão a nova ligação da Gol entre o Rio e Nova York e a retomada dos voos da Aerolíneas Argentinas para Córdoba. O RIOgaleão também apontou Buenos Aires, Santiago e Panamá entre os principais destinos e origens internacionais no período.
Segundo a Abear, a expansão da oferta no estado está relacionada, entre outros fatores, às políticas públicas estaduais voltadas à tributação do combustível de aviação. A associação cita a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o Querosene de Aviação (QAV) para 7%.
Outra medida mencionada é o diferimento do recolhimento do imposto nas operações de abastecimento. Para a entidade, as mudanças na tributação contribuem para ampliar a oferta de voos e a conectividade aérea no estado. O QAV representa um dos principais componentes de custo das companhias aéreas. A própria Abear acompanha a variação do combustível em seus indicadores setoriais e aponta o impacto do preço do insumo sobre a estrutura de custos das empresas.
Em publicação de junho de 2026, a associação informou que as companhias aéreas haviam gastado R$ 3,8 bilhões acima do previsto com QAV desde o início da guerra. O dado foi apresentado pela entidade em meio às discussões sobre custos e condições para a operação do setor aéreo. A questão tributária, portanto, aparece no levantamento como um dos fatores associados ao crescimento da oferta no Rio. A Abear sustenta que políticas que reduzem ou postergam a carga incidente sobre o combustível podem contribuir para a ampliação da conectividade.
Novas rotas e frequências ampliam a conectividade
A projeção de crescimento para 2026 ocorre junto a movimentos específicos de companhias aéreas. Além da ligação entre o Galeão e Nova York anunciada pela Gol, outras empresas ampliaram ou programaram frequências internacionais no aeroporto. A Lufthansa, por exemplo, anunciou operação diária entre o estado e Frankfurt durante o período de 1º de julho a 30 de setembro de 2026. A ampliação temporária de frequência acompanha o período de verão no Hemisfério Norte.
O cenário também inclui conexões com a América do Sul, que representam parte relevante da movimentação internacional do Rio. Entre os destinos com maior movimentação na alta temporada estão Buenos Aires e Santiago, além do Panamá, utilizado também como ponto de conexão para outros mercados. A ampliação da oferta internacional tem impacto direto sobre a conectividade dos destinos turísticos fluminenses, já que o Galeão funciona como principal porta de entrada aérea internacional do estado. O aumento da quantidade de voos pode ampliar a disponibilidade de assentos e facilitar o acesso de mercados emissores estrangeiros.
Para o trade turístico, a evolução da malha também influencia a distribuição da demanda. Mais frequências e novas ligações podem alterar a capacidade de comercialização de produtos turísticos, especialmente em períodos de maior procura. Ao mesmo tempo, a expansão prevista não significa necessariamente aumento equivalente no número de passageiros. A oferta representa a capacidade disponibilizada pelas empresas, enquanto a demanda depende da ocupação dos voos e do comportamento dos mercados emissores.
Os números divulgados pela Abear mostram, portanto, uma expansão da capacidade aérea prevista para o estado em 2026. O crescimento internacional de 13,2% supera o avanço de 6,3% estimado para a oferta total do Rio e também fica acima da projeção nacional de 4,2%. Com aproximadamente 250 voos por dia, sendo 202 domésticos e 49 internacionais, o estado deverá ampliar sua participação na malha aérea brasileira. A concentração de cerca de 22% da oferta internacional prevista para o país reforça o papel do Rio na conectividade aérea com outros mercados.
*Com informações de Ana Clara Silva, do Diário do Rio.







