
A série documental “Voepass 2283 – A Queda” estreia no Globoplay nesta sexta-feira (7), dois anos após o acidente aéreo que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP). Produzida pelo Jornalismo da Globo em três episódios, a obra apresenta imagens inéditas, entrevistas exclusivas e uma reconstituição dos momentos que antecederam a queda da aeronave, utilizando gravações em simulador de voo e recursos de inteligência artificial.
A produção foi desenvolvida enquanto as investigações sobre o acidente ainda estavam em andamento e acompanhou os desdobramentos do caso até a conclusão da apuração criminal da Polícia Federal, divulgada um dia antes da estreia da série. O documentário reúne entrevistas com profissionais ligados ao caso, familiares das vítimas e integrantes da equipe responsável pela produção.
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Entre os depoimentos inéditos está o da ex-comissária de bordo da Voepass Eloá Belarmino, que relata problemas enfrentados por funcionários durante a operação das aeronaves da companhia. “Até o pessoal falava que era uma sucata voadora. A gente costumava falar que a gente só não sabia o dia, a hora, quem seria, qual seria o avião. Porque era uma roleta russa.”
O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando o ATR 72-500, matrícula PS-VPB, que fazia o trajeto entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), caiu no quintal de uma residência em um condomínio de Vinhedo. O desastre foi o mais grave da aviação brasileira desde o acidente com o voo da TAM, em 2007.
Reconstrução do voo Voepass 2283

A série reúne registros nunca exibidos publicamente, incluindo imagens da aeronave pouco antes da decolagem em Cascavel e cenas do trabalho realizado por bombeiros e peritos no local da queda. Para reconstruir o voo, a equipe utilizou imagens captadas em um simulador de ATR na Áustria, além de sequências produzidas com inteligência artificial para reproduzir o exterior da aeronave.
Segundo o diretor Thiago Guimarães, a escolha pelo simulador ocorreu porque não havia equipamento disponível no Brasil para esse tipo de gravação. “Todas as imagens da cabine, botão, alarme que acende, tudo aquilo ali foi feito num simulador de ATR. A gente foi até a Áustria porque não tem simuladores disponíveis aqui para gravação no Brasil.”
As cenas externas passaram por um processo de pós-produção para garantir fidelidade técnica às características da aeronave. “Foi um trabalho exaustivo mesmo, detalhista, de composição das imagens para colocar a luz certa, a luz verde de tal lado, a luz vermelha de tal lado, para que a gente conseguisse um efeito realista.”
Mobilização das famílias
Além da investigação técnica, a produção acompanha a atuação dos familiares das vítimas ao longo dos dois anos seguintes ao acidente, mostrando reuniões, cobranças às autoridades e a busca por respostas sobre as causas da tragédia. De acordo com Guimarães, durante a produção ficou evidente que a mobilização das famílias se tornou um dos principais eixos da narrativa.
“A melhor história a ser contada era, de fato, a história da mobilização das famílias por justiça.” O documentário também registra a atuação da associação de familiares das vítimas e o acompanhamento das investigações conduzidas pelas autoridades.
“O documentário consegue fazer um acompanhamento desse trabalho. Você vai acompanhando o movimento dessas pessoas que estavam destruídas e passam a se mobilizar numa busca por justiça.”
Para o diretor, esse processo também revela os impactos humanos deixados pela tragédia.”No fundo, a mobilização dessas pessoas também foi uma maneira para elas se manterem vivas. Como lidar com uma tragédia? Onde buscar forças para continuar vivendo?”
“Voepass 2283 – A Queda” tem direção de Thiago Guimarães e Clarissa Cavalcanti, produção executiva de Fatima Baptista, roteiro de Andrey Frasson, Erik Von Poser, Tarso Araújo e Thiago Guimarães, além de produção de Stephanie Lotufo.







