
A temporada de cruzeiros 2025/2026 em Alagoas chegou ao fim com números que ajudam a explicar por que o destino vem ganhando espaço no radar internacional. Ao longo de seis meses, entre novembro e abril, o estado recebeu cerca de 134 mil visitantes que desembarcaram no porto da capital, Maceió, em 35 escalas realizadas por oito navios diferentes.
O último deles foi o Costa Diadema, que marcou o encerramento da temporada nesta sexta-feira (24). Mais do que o movimento nos píeres, o saldo aparece na economia: a estimativa é de R$ 95 milhões injetados diretamente no estado, segundo dados baseados em levantamento da Fundação Getulio Vargas.
Impacto econômico vai além do porto
O efeito desse fluxo turístico se espalha por diferentes setores. O cálculo considera um gasto médio de R$ 710 por visitante durante a parada, incluindo consumo em bares, restaurantes, transporte e compras.
Esse dinheiro circula rápido e chega a quem está na ponta. Motoristas, guias, comerciantes e vendedores ambulantes sentem a diferença nos dias em que os navios atracam. É o tipo de turismo que muda o jogo porque distribui renda de forma mais pulverizada.
O crescimento de 18% em relação à temporada anterior mostra que não se trata de um pico isolado. Existe uma tendência de expansão consistente, que também aparece quando se olha para trás. Em comparação com 2022/2023, quando foram registradas 21 escalas, o salto chega a 66%.
Retorno dos turistas fortalece estratégia
Um ponto que chama atenção é o comportamento do visitante. De acordo com a FGV, seis em cada dez cruzeiristas acabam voltando ao destino em outra oportunidade, geralmente ficando mais tempo e explorando melhor a região.
Esse dado ajuda a entender por que os cruzeiros têm um papel estratégico dentro do turismo. Eles funcionam como uma vitrine. O visitante conhece o básico em poucas horas e, se a experiência for positiva, volta depois com mais calma. Isso cria um ciclo interessante: o impacto imediato é financeiro, mas o ganho de médio prazo vem com a fidelização.
Comércio local sente o aumento no movimento
Para quem vive do turismo, os dias de chegada de navios têm um ritmo diferente. No Pavilhão do Artesanato, um dos pontos mais visitados da cidade, o aumento no fluxo é visível. A comerciante Estelita resume bem esse cenário. “Os navios são muito bem-vindos aqui pra gente. Sou proprietária de uma loja de vestuário e noto um grande aumento do movimento com a chegada dos cruzeiros”, conta.
Ela explica que as vendas sobem justamente nesses dias e que o contato com turistas de diferentes partes do mundo também traz visibilidade para o destino. “Os turistas gostam bastante de Alagoas, ouvimos muitos elogios.”
Estratégia pública ajuda a sustentar crescimento
O avanço do setor também passa por planejamento. Segundo o secretário estadual de Turismo, Paulo Kugelmas, o resultado é fruto de uma estratégia contínua de promoção do destino.
“A temporada de cruzeiros consolida Alagoas como um destino competitivo nesse segmento. A cada nova temporada nós superamos a anterior”, afirma.
Ele destaca que os investimentos feitos ao longo dos últimos anos ajudaram a posicionar o estado de forma mais relevante no mercado. “Isso traduz o trabalho do Governo de Alagoas na promoção do destino, com investimentos assertivos no setor turístico.”
Turismo de cruzeiros ganha força no Brasil
O desempenho de Alagoas acompanha um movimento maior dentro do turismo brasileiro. Os cruzeiros voltaram a crescer nos últimos anos, impulsionados pela retomada da demanda e pelo interesse por experiências mais completas, que combinam transporte e hospedagem.
Destinos que conseguem oferecer estrutura, receptividade e boas experiências durante a parada tendem a se destacar. E é justamente nesse ponto que Maceió vem ganhando espaço.
O que esperar das próximas temporadas
Com números em alta e um impacto financeiro relevante, a expectativa é de continuidade no crescimento. A tendência é que novas rotas incluam o estado e que o número de escalas aumente nos próximos ciclos. O desafio agora passa por qualificar ainda mais a experiência do visitante. Isso envolve desde infraestrutura até serviços turísticos mais preparados.








