
Em parceria com o Sebrae, a Embratur, lançou oficialmente nesta nesta terça-feira (14), durante a WTM Latin America, uma nova plataforma pensada para democratizar o acesso do mercado brasileiro às prateleiras turísticas internacionais, diversificar a promoção internacional do Brasil e gerar negócios: a DesBRAva.
Em entrevista exclusiva ao Mercados & Eventos, a coordenadora de Gestão Estratégica da Embratur, Carolina Stolf, detalha como o ecossistema da nova plataforma alinha a narrativa de estados, municípios e empresas às diretrizes do Plano Brasis, ajudando os setores público e privado a falarem uma mesma língua na hora de promover o Brasil no exterior. Para Stolf, o fortalecimento técnico do setor garante que o crescimento do fluxo de visitantes gere impacto econômico equilibrado em todas as regiões do país.
M&E – A DesBRAva nasce para dar uniformidade à estratégia de promoção internacional do Brasil. De que maneira a plataforma facilitará o alinhamento para que estados, municípios, grandes empresas e pequenos empreendedores falem “a mesma língua” e sigam as diretrizes do Plano Brasis?
Carolina Stolf – A DesBRAva parte de um diagnóstico claro: o Brasil ainda atua de forma fragmentada no mercado internacional. A plataforma organiza essa atuação ao reunir, em um único ambiente, dados, inteligência de mercado, capacitação, conexão e negócios. As trilhas dão escala ao método do Plano Brasis, permitindo atuação com o mesmo referencial estratégico. Isso alinha narrativa, posicionamento e execução. O resultado é mais consistência e eficiência na promoção internacional.
M&E – Historicamente, o mercado internacional parecia restrito a grandes players. Como a DesBRAva democratiza o acesso do pequeno empreendedor brasileiro às prateleiras do mundo da Embratur?
Carolina Stolf – O acesso ao mercado internacional sempre exigiu estrutura, rede e conhecimento técnico. A DesBRAva reduz essa barreira ao oferecer diagnóstico, capacitação, conexão e acesso a recursos, como banco de imagens e materiais audiovisuais. Por esse motivo o Sebrae é o nosso maior parceiro nessa iniciativa, pois ela amplia o alcance para pequenos negócios. O empreendedor passa a estruturar produto exportável e acessar parceiros internacionais, para organizar a oferta qualificada e o acesso a oportunidades reais.
M&E – O “Selo Embratur” e as certificações progressivas são apresentados como ativos de confiança para o investidor estrangeiro. Quais são os critérios de rigor técnico para que esses selos sejam reconhecidos e valorizados pelos operadores internacionais?
Carolina Stolf – A confiança é a base da decisão de compra no turismo internacional. A certificação da DesBRAva foi construída com rigor técnico e validação prática que vem da metodologia do Plano Brasis. Não é apenas conteúdo concluído. É aplicação comprovada com framework para todo e qualquer tipo de perfil. O selo sinaliza para o mercado que aquela empresa ou empreendedor está preparado para fazer negócios internacionalmente. Isso reduz risco para o operador e acelera a tomada de decisão.
M&E – A plataforma é descrita como um motor de negócios e não apenas um portal de aulas. Como a estrutura de networking B2B foi desenhada para garantir que o engajamento digital se transforme em contratos e conversões reais?
Carolina Stolf – A DesBRAva foi concebida para ser um ecossistema completo para estimular a geração de negócios entre os elos da cadeia de promoção, e também prepará-los para a promoção virar conversão com a cadeia internacional. Em uma fase mais madura, a certificação progressiva da ferramenta da trilha de internacionalização dentro da plataforma ganhará o benefício da inserção no diretório Brasil Travel Specialist, funcionando como credencial reconhecida pelos operadores internacionais e uma porta aberta a empreendedores e empresas de turismo.
M&E – O autodiagnóstico é o ponto de partida na plataforma. Como as trilhas de aprendizado específicas foram curadas para atender às demandas atuais do turista global?
Carolina Stolf – Na verdade, o ponto de partida é a plataforma ser o ponto de encontro dessa cadeia turística que trabalha ou quer trabalhar com o turismo internacional. E para isso, precisamos criar um espaço de conexão entre os elos dessa cadeia. O autodiagnóstico é o elemento que transforma a DesBRAva em uma jornada personalizada para internacionalizar um destino, um empreendimento, como hotel ou uma experiência de empreendedor, bem como fortalecer o portfólio e alinhar as estratégias de um DMC por exemplo, para não haver diluição de esforços e caminharmos todos juntos na mesma direção.
A trilha de internacionalização da DesBRAva foi criada para dar escala ao Plano Brasis e capacitar o trade a aplicar esse método na prática. Ela orienta, de forma objetiva, em qual mercado atuar, com qual estratégia e por quais canais. Indica quais ferramentas usar — seja no B2B, com operadores e distribuidores, seja no B2C, com o consumidor final e a imprensa. O autodiagnóstico personaliza esse direcionamento para cada negócio. O resultado é atuação mais precisa e maior conversão em turistas reais.
M&E – Com a meta de bater recordes de turistas internacionais, como a plataforma ajudará a garantir que esse crescimento seja sustentável e distribuído de forma equilibrada entre as diversas regiões do Brasil?
Carolina Stolf – A DesBRAva ajuda a preparar destinos e negócios para direcionar esforços com mais assertividade na promoção internacional. O que estamos fazendo é ampliar o acesso de pequenos empreendedores e gestores de destinos à estratégia, aos dados e às ferramentas necessárias para atuar de forma mais competitiva no mercado internacional. Isso é importante para que a promoção não fique apenas na visibilidade, mas se converta em entrada de turistas internacionais, geração de divisas e impacto econômico nas regiões. Quanto mais territórios estiverem preparados, mais condições o Brasil terá de crescer com estratégia e melhor distribuição de oportunidades.
M&E- A DesBRAva é classificada como a maior entrega de infraestrutura de negócios da história recente da Embratur. Qual é o próximo passo previsto para a segunda fase de evolução da ferramenta, após consolidar a base de usuários do trade?
Carolina Stolf – A DesBRAva não é uma iniciativa isolada. Ela nasce como a interseção das estratégias da Embratur para dar escala, ordenamento e facilitar o acesso do trade à atuação internacional. Na próxima fase, avançamos com a trilha completa e o sistema de diagnóstico, que gera inteligência territorial para orientar decisões e políticas públicas. Isso permite identificar lacunas e atuar com mais precisão. Ao integrar dados, capacitação e mercado, a estratégia ganha aplicação prática. O objetivo é descomplicar e ampliar a participação de todo o setor.







