Por falta de aeronaves Lufthansa suspende e reduz voos entre Brasil e Alemanha
Lufthansa diz que custos altos comprometem a competitividade (Reprodução/Airway)

O aumento de impostos e taxas sobre a aviação na Alemanha levou a Lufthansa a anunciar o corte de cerca de 100 voos domésticos por semana na próxima programação de verão europeu. O presidente-executivo da companhia, Carsten Spohr, afirmou que os custos impostos pelo Estado ao setor “praticamente duplicaram desde 2019”, o que compromete a competitividade das operações.

“Sem uma redução nos custos de localização, novos cortes serão inevitáveis”, disse Spohr. A companhia alega que o aumento das tarifas e tributos sobre passagens mais baratas está acelerando uma mudança no perfil dos viajantes, com maior demanda por cabines executivas e premium, em detrimento da econômica.

A Lufthansa vem enfrentando uma sequência de desafios, de greves e atrasos na entrega de aeronaves à pressão sobre suas margens. No ano passado, a empresa reduziu sua projeção financeira duas vezes e não atingiu as metas de rentabilidade definidas em 2021.

Em setembro, o grupo já havia anunciado um plano de reestruturação que prevê o corte de até 4 mil cargos administrativos até 2030, a maioria deles na Alemanha.

O cenário é visto com preocupação pelo setor. A Associação Alemã da Indústria da Aviação (BDL) alertou que a viabilidade do país como hub internacional “está em crise”, com queda no número de aeronaves estacionadas em aeroportos alemães, de 190 para 130 em apenas cinco anos.

A BDL estima que os custos adicionais possam chegar a 4,4 bilhões de euros em 2025, o que representaria a perda de 10 mil empregos e cerca de 4 bilhões de euros em impacto econômico anual.