
LISBOA – A 36ª edição da BTL consolidou Lisboa como palco de encontros estratégicos para o turismo europeu. A feira, considerada uma das mais importantes da Europa, reúne destinos, operadores, companhias aéreas e compradores internacionais em um ambiente que vai muito além da simples exposição institucional.
Para Bernardo Cardoso, diretor de Turismo de Portugal e responsável pela atração do mercado brasileiro, o evento funciona como uma engrenagem essencial para fortalecer a presença portuguesa no Brasil. “É um encontro de entidades do trade que operam aqui em Portugal e que ajudam a trazer brasileiros para cá”, afirmou. Segundo ele, a dimensão da edição evidencia tanto o peso econômico do setor quanto a importância do relacionamento direto com operadores e agentes de viagens.
O evento conta com uma ampla agenda e a participação de mais de 20 buyers brasileiros oficialmente convidados, além de uma delegação expressiva do Brasil presente por outras frentes. “É um momento único de conversa com todo o trade em Portugal, sejam hotéis, DMCs ou regiões”, destacou.
Crescimento que desafia as estatísticas
Portugal já recebe mais de um milhão de visitantes brasileiros por ano, mas medir com precisão esse fluxo se torna cada vez mais desafiador.
“Muitos brasileiros hoje têm dupla nacionalidade”, explica Bernardo. Ao entrarem com passaportes europeus (portugueses, italianos, espanhóis ou outros) deixam de ser identificados nas estatísticas como brasileiros, o que dificulta a mensuração real da demanda.
Ainda assim, os indicadores econômicos mostram avanço: na comparação com o período anterior, houve crescimento próximo de 5% nas receitas geradas pelo mercado brasileiro. Para Bernardo, é necessário investir em novas ferramentas e tecnologias para captar dados mais precisos sobre esse público.
Portugal como casa
Ao discutir os fatores que atraem brasileiros, Bernardo propõe uma mudança de perspectiva. “Portugal não é apenas um destino, não é só uma porta de entrada. É um lugar que também pertence ao Brasil.”
A base dessa estratégia está na herança histórica: cerca de 180 milhões de brasileiros carregam ascendência portuguesa, transformando a viagem em algo diferenciado, mais próximo de um reencontro do que de uma simples visita turística. “Você não gostaria de saber de onde veio a sua família?”, provoca.
Segundo o executivo, enquanto muitos destinos europeus atraem turistas apenas de forma pontual, como itens de uma “lista de check”, Portugal se diferencia ao criar uma conexão emocional com os visitantes. A ideia não é apenas que o turista conheça o país, mas que se sinta parte dele, cultivando laços que o incentivem a regressar.
Gastronomia e experiências únicas
O vínculo cultural é complementado pela diversidade gastronômica, apontada como um dos principais diferenciais competitivos do país. A tradição marítima e a expansão histórica de Portugal pelo mundo trouxeram especiarias e influências que moldaram uma culinária única. “Não estou dizendo que é melhor, estou dizendo que é diferente. Temos uma ampla variedade de sabores”, ressalta Bernardo.
No setor de vinhos, Portugal se destaca com mais de 250 castas autóctones, reforçando o potencial do enoturismo e das experiências imersivas. Em um território compacto, a combinação entre cultura, gastronomia, vinhos e hospitalidade cria um ambiente propício à fidelização.
Para Bernardo Cardoso, a estratégia está clara: fortalecer o elo cultural, ampliar experiências e mostrar ao turista brasileiro que Portugal é, acima de tudo, um lugar para chamar de casa.
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