
A Decolar tem apostado cada vez mais na inteligência artificial e desta vez, a nova ferramenta MARIANA vem para ampliar o acesso de hotéis e pousadas a dados e inteligência comercial. Com a solução desenvolvida para os parceiros de hospedagem, a empresa busca oferecer recursos que ajudem os estabelecimentos a acompanhar resultados, entender o comportamento da demanda e tomar decisões mais estratégicas.
A MARIANA tem potencial para alcançar mais de 30 mil meios de hospedagem, embora a companhia ainda não tenha estabelecido uma meta de adesão, revelou Roberto Rizo-Patrón, diretor Comercial de Produtos em Destino da Decolar, em entrevista ao M&E.
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O executivo afirma que a iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de aproximação com o setor hoteleiro. A proposta é disponibilizar tecnologia e informações que, em muitos casos, exigiriam equipes especializadas ou investimentos que nem todos os estabelecimentos conseguem realizar.
“Um dos meus sonhos era poder dar para todos os hotéis do Brasil um serviço como se eles tivessem um executivo de contas dedicado, mas usando inteligência artificial”, explicou Roberto. Segundo ele, a ideia é democratizar o acesso a ferramentas de análise e orientação comercial, sem depender da ampliação de equipes na mesma proporção do número de parceiros.
A tecnologia foi desenvolvida para o relacionamento com os meios de hospedagem e não substitui as soluções de inteligência artificial voltadas ao consumidor final. O foco é apoiar o hoteleiro na gestão da parceria com a Decolar e na leitura dos próprios resultados.
Entre os recursos, está a possibilidade de consultar o desempenho semanal ou mensal do estabelecimento e compará-lo com o de propriedades semelhantes na mesma região, considerando indicadores como tarifas, duração das estadias e antecedência das reservas.
A ferramenta também permite acompanhar tendências de demanda nos destinos. As informações são disponibilizadas de forma a preservar os dados individuais dos concorrentes: o parceiro consulta os próprios números e pode analisar referências de mercado de maneira agrupada, sem acesso a informações protegidas de outros estabelecimentos.
O acesso é feito pelo WhatsApp, após a autenticação do hoteleiro por meio do cadastro do número na extranet da Decolar. A ferramenta é gratuita para os parceiros, como parte dos investimentos da companhia em tecnologia e do esforço para ampliar os serviços oferecidos aos meios de hospedagem, conforme revelou Patrón.
Novas funcionalidades no radar
Depois de uma fase de testes com cerca de 100 hotéis e pousadas com contrato direto com a Decolar, iniciada entre o fim de junho e o começo de julho, a empresa já trabalha em novas funcionalidades a partir das solicitações e feedbacks dos próprios parceiros.
Entre as novidades previstas estão informações sobre o tráfego aéreo para os destinos, com dados que ajudem a relacionar o volume de passageiros que chegam a uma localidade à quantidade de pessoas que reservam hospedagem. Outra frente é a geração de relatórios mensais em PDF, enviados pelo WhatsApp na primeira semana de cada mês, com os resultados do período anterior. De acordo com o diretor, as duas funcionalidades estão em desenvolvimento para lançamento já nas semanas.
A ferramenta também se conecta a uma estratégia que inclui mudanças nas comissões, iniciativas de consultoria e programas de embaixadores voltados ao relacionamento com os hotéis. A intenção, segundo Roberto, não é necessariamente usar a tecnologia como instrumento inicial de captação de novos parceiros, mas fortalecer a relação com os estabelecimentos que já trabalham diretamente com a empresa.
“Nosso foco é ter o cliente no centro de tudo. E nosso cliente hoje é o parceiro para nós. Porque, afinal, se ele faz e oferece o melhor serviço, melhor experiência, faz com que o nosso viajante fique feliz em utilizar as nossas soluções”.
Tecnologia como complemento ao atendimento na Decolar
Apesar da automação de consultas e análises, o diretor ressalta que a inteligência artificial não deve substituir os executivos de contas – e nem mudar muito na dinamica deles no dia a dia. A proposta é permitir que esses profissionais dediquem mais tempo a negociações comerciais estratégicas e à oferta de produtos adicionais, enquanto a tecnologia facilita o acesso cotidiano a informações e orientações.
A construção da ferramenta contou com a participação de seis executivas de contas da Decolar, que ajudaram a definir um modelo de atendimento e a personalidade da solução. Rizo revelou ao jornal que cerca de 90% da equipe dele na empresa é formada por mulheres.
A ideia da MARIANA foi reproduzir parte da experiência de um consultor de confiança, sem transformar a interação em um chatbot convencional.
O investimento faz parte de uma estratégia tecnológica mais ampla. Segundo Rizo-Patrón, a Decolar destina cerca de US$ 100 milhões por ano a tecnologia, inteligência artificial e produtos. Para ele, o objetivo vai além da automação: trata-se de melhorar a experiência tanto de quem viaja quanto de quem oferece os serviços. Após o lançamento da SOFIA, agora o grupo implementa a MARIANA, que segundo Roberto, é a ‘irmã’ da IA voltada ao público final – e que já é um sucesso de uso.
“Não é só sobre tecnologia. É sobre experiência”, resume o executivo.
Na visão da companhia, segundo o diretor, ampliar o acesso dos parceiros a dados e ferramentas de análise pode ajudá-los a tomar decisões mais informadas, aprimorar a oferta e, consequentemente, contribuir para a experiência do viajante. E tudo isso é importante também para que a Decolar consiga atingir a sua meta principal: triplicar o negócio até 2030, como já antecipada por Roberto em entrevista ao M&E anteriormente.
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“Acima de tudo, queremos que os parceiros vejam na Decolar não só uma plataforma de vendas, mas um parceiro que vai ajudar a ter acesso à inteligência artificial, aos dados deles e a informações em tempo real sobre o mercado e a demanda, e assim crescer o seu negócio”, concluiu.







