
A aviação global pode alcançar 21,9 trilhões em demanda de passageiros até 2050, segundo projeção divulgada nesta terça-feira (17), em Genebra, pela Associação do Transporte Aéreo Internacional (Iata), com base no crescimento econômico, no aumento populacional e na expansão da conectividade aérea.
A estimativa integra o relatório Long-Term Demand Projections (LTDP), elaborado pela entidade que representa companhias aéreas globais, com base em modelo econométrico que considera indicadores como PIB per capita, população, oferta de voos, capacidade das aeronaves e cenários ligados à transição energética.
“As perspectivas para as viagens aéreas são positivas. As pessoas querem viajar e, em todos os cenários que modelamos, espera-se que a demanda por viagens aéreas mais que dobre até meados do século”, afirmou Willie Walsh, diretor-geral da Iata.
No cenário central, a demanda deve atingir 20,8 trilhões até 2050, ante 9 trilhões registrados em 2024, com crescimento médio anual de 3,1%. Em um cenário mais conservador, a projeção é de 19,5 trilhões, com taxa de 2,9% ao ano. As diferenças entre os cenários consideram variáveis como desempenho econômico, preços do combustível de aviação, políticas públicas e capacidade de infraestrutura.
Crescimento da aviação em mercados emergentes

A expansão será liderada por mercados emergentes. Ásia-Pacífico e África devem registrar as maiores taxas de crescimento, de 3,8% e 3,6% ao ano, respectivamente, entre 2024 e 2050. Europa e América do Norte devem avançar em ritmo mais moderado, com 2,5% e 2,8%.
Entre os mercados mais dinâmicos estão rotas dentro da África, conexões entre África e Ásia-Pacífico e voos dentro da Ásia, indicando aumento da demanda por conectividade e necessidade de investimentos em infraestrutura aeroportuária e regulação.
Tendências

O relatório aponta que a pandemia de Covid-19 provocou uma mudança estrutural na demanda global, criando uma lacuna que não deve ser totalmente recuperada até 2050, mesmo em cenários mais otimistas. A análise também indica desaceleração gradual no ritmo de crescimento da aviação.
A taxa média anual caiu de 6,1% entre 1972 e 1998 para 4,5% entre 1998 e 2024, com projeção de 3,1% até 2050, refletindo a maturidade de mercados consolidados, apesar da expansão contínua no volume de passageiros.
O modelo utilizado pela Iata reúne mais de meio milhão de observações, cobrindo cerca de 41 mil pares de países entre 2011 e 2024, com precisão média de 98% nas projeções, segundo a entidade.







