
Mesmo enfrentando uma das fases mais críticas de sua história recente, marcada por apagões prolongados, escassez de combustível e forte deterioração econômica, Cuba segue apostando no turismo como setor estratégico e confirma a realização da FIT Cuba 2026, entre os dias 6 e 10 de maio, em Varadero.
A crise atual não é recente. Desde 2020, com o impacto da pandemia, o país sofreu queda acentuada no turismo e perda de receitas em moeda forte. Entre 2019 e 2022, o cenário se agravou com o endurecimento das sanções dos Estados Unidos e a redução do apoio externo, especialmente no fornecimento de petróleo.
A partir de 2024, a situação entrou em colapso energético, com apagões frequentes em todo o território. Agora em março, um blecaute nacional deixou milhões de pessoas sem energia por mais de um dia, evidenciando a fragilidade do sistema.
Apesar desse cenário, a atividade turística segue operando. Em entrevista ao M&E, Roberto Silva, diretor da Sanchat Operadora, afirma que o setor continua ativo, ainda que com limitações regionais. “A operação turística está mantida, com algumas restrições pontuais. O governo tem priorizado o setor para preservar a entrada de divisas, o que garante certo nível de funcionamento”, explica.
Segundo ele, a entrada de turistas no país continua permitida, embora não totalmente normalizada. “O sistema de reservas segue funcionando, e o Ministério do Turismo envia informes semanais com orientações para o envio de visitantes”, destaca.
No recorte por destinos, há diferenças importantes. Em Havana, hotéis mais antigos enfrentam dificuldades, principalmente devido à instabilidade elétrica. Já empreendimentos de redes internacionais com geração própria, como Meliá Hotels International e Iberostar, conseguem manter suas operações.
Em Varadero, principal polo turístico do país, a situação é mais estável, com a maioria dos hotéis em funcionamento. Por outro lado, a região de Los Cayos enfrenta maiores restrições: diversos empreendimentos foram fechados devido à falta de combustível e à dificuldade logística, o destino fica a cerca de sete horas da capital.
Na logística aérea, o aeroporto de Havana segue operando normalmente, com chegadas e partidas regulares e sem cancelamentos relevantes, inclusive por companhias como a Copa Airlines. Ainda assim, há ajustes operacionais. “O Ministério orienta priorizar transfers coletivos em vez de individuais, para otimizar recursos e garantir melhor atendimento aos turistas”, afirma Silva.
O executivo reforça que o turismo é prioridade para o governo cubano. “O setor é estratégico para a entrada de divisas, então há um esforço claro para manter as operações dentro do possível”, diz.
Nesse contexto, a Sanchat Operadora organizará uma comitiva de cerca de 100 participantes, entre agentes de viagens, operadores e jornalistas, para a FIT Cuba 2026. A ação busca acompanhar de perto as condições do destino e fortalecer a relação com o mercado.
Mesmo diante das adversidades, Cuba segue recebendo visitantes, desde que haja planejamento e atenção às recomendações locais – cenário que reforça a importância do agente de viagens na orientação e segurança dos turistas.
Cuba garante turismo apesar da crise
A conselheira de Turismo de Cuba para o Brasil, Colômbia, Equador e Peru, Ivis Fernandez Peña, afirmou que o país atravessa um momento desafiador, marcado principalmente por dificuldades no setor energético. Segundo ela, o cenário atual é resultado de mais de 60 anos de bloqueio, o que historicamente impõe obstáculos à economia cubana. Ainda assim, o governo mantém esforços contínuos para enfrentar as adversidades e preservar setores estratégicos.
De acordo com a representante, o turismo segue como prioridade nacional e é tratado como um dos principais motores da economia. Por isso, toda a operação turística está garantida, incluindo transporte, hospedagem e excursões, assegurando a continuidade dos serviços oferecidos aos visitantes internacionais.
Ivis destacou que, apesar da redução no fluxo de turistas, a qualidade da experiência permanece intacta. Com a menor demanda, alguns hotéis foram temporariamente fechados como medida de otimização, já que se tratam de grandes estruturas que exigem altos custos operacionais. No entanto, unidades da mesma categoria e padrão seguem funcionando normalmente nos principais destinos turísticos.
A estratégia, segundo ela, permite manter o nível de excelência no atendimento sem comprometer a experiência dos viajantes. Os hotéis em operação são descritos como de alta qualidade, plenamente capazes de sustentar a demanda atual com eficiência e conforto.
A conselheira também ressaltou que os turistas continuam retornando satisfeitos, destacando a hospitalidade do povo cubano como um diferencial marcante. Para ela, não houve prejuízo na entrega do produto turístico, que segue sendo tratado como prioridade pelo governo.
Em relação à conectividade aérea, Ivis Fernandez garantiu que os voos provenientes da América Latina continuam operando normalmente. Companhias como Copa Airlines e Wingo mantêm suas frequências regulares, com conexões importantes via Panamá e ligações diretas com países como o Brasil e a Colômbia.
O abastecimento de combustível para as aeronaves, segundo ela, não tem comprometido as operações, permitindo a realização dos voos de ida e volta sem intercorrências. Dessa forma, a malha aérea regional segue estável.
Por fim, a representante apontou que a queda na emissão de turistas também está relacionada a campanhas negativas contra o destino, incluindo o uso de inteligência artificial para desestimular viagens. Ainda assim, reforçou que Cuba continua preparada para receber visitantes com qualidade e segurança, mantendo sua tradição no turismo internacional.







