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Setor retira 121 voos diários da malha aérea, e Azul, Gol e Latam preveem desaceleração do crescimento em 2026 (Criado com IA/Gemini)

As companhias aéreas Azul, Gol e Latam já desembolsaram R$ 3,8 bilhões a mais do que o previsto com combustível de aviação (QAV) desde o início da guerra no Oriente Médio. O aumento dos custos, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), tem provocado ajustes operacionais, redução de voos e revisão das projeções de crescimento das empresas no Brasil.

Os dados foram apresentados pela Abear, entidade que representa o setor aéreo nacional. De acordo com a associação, medidas adotadas pelo governo federal, como a isenção de PIS/Cofins sobre o QAV, o acesso a linhas de crédito e a prorrogação do pagamento das tarifas de navegação aérea à Força Aérea Brasileira (FAB), ajudaram a reduzir parte dos impactos financeiros enfrentados pelas companhias.

Durante reunião realizada em Brasília, o presidente da Abear, Juliano Noman, destacou a dimensão do aumento dos gastos. “Somente o valor gasto a mais em maio, cerca de R$ 1,6 bilhão, representa, por exemplo, o custo do arrendamento de 830 aviões de médio porte. Para se ter uma ideia, hoje nós temos em torno de 500 aviões voando no Brasil. O que pagamos a mais de combustível no mês passado já é mais da metade do que a gente gasta com o leasing da frota atual”, afirmou.

O avanço dos custos está diretamente relacionado à valorização do petróleo no mercado internacional. Desde o início do conflito, o preço do QAV subiu cerca de 70% no Brasil. O movimento ocorre em meio às restrições no Estreito de Ormuz, região estratégica para o escoamento global de petróleo, levando a commodity a ser negociada próxima de US$ 100 por barril, ante cerca de US$ 70 antes da guerra.

Embora o Brasil produza aproximadamente 80% do combustível de aviação consumido internamente, a política de preços da Petrobras segue referências internacionais, o que mantém o mercado doméstico exposto às oscilações globais. Ainda assim, a estatal sustenta que sua metodologia de precificação reduz impactos imediatos por meio de reajustes mais graduais.

No cenário regional, a dependência de importações é considerada limitada. Dados da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata) indicam que a América Latina produz cerca de 65% do combustível utilizado localmente e importa apenas 2% do Oriente Médio. A situação contrasta com a da Europa, que depende mais fortemente do abastecimento externo e enfrenta preocupações relacionadas ao fornecimento do produto.

Ajustes operacionais e revisão de crescimento

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Companhias ajustam malha aérea diante da disparada do querosene de aviação e da pressão sobre os custos operacionais (Banco de imagens/Freepik)

As perspectivas para os próximos meses permanecem desafiadoras para o setor. Mesmo diante da possibilidade de redução das tensões geopolíticas, executivos das companhias aéreas avaliam que os preços do petróleo e do combustível de aviação deverão permanecer elevados ao longo do ano.

A Latam informou que trabalha com a expectativa de manutenção dos preços acima dos níveis históricos até o fim do ano. A Azul também não prevê retorno do petróleo à faixa de US$ 70 por barril observada antes do conflito.

Como consequência, as empresas vêm ajustando suas operações. Segundo estimativa da Abear, o mercado deixou de operar, em média, 121 voos por dia apenas neste mês. Os cortes ocorrem por meio da redução de frequências em rotas específicas, sem eliminação de destinos atendidos.

Durante a reunião anual da Iata, realizada no Rio de Janeiro, o CEO da Azul, John Rodgerson, afirmou que a companhia concentrará esforços em mercados considerados sustentáveis. “A gente vai ajustar a capacidade conforme a nova necessidade”, disse. A empresa reduziu em 5% sua oferta entre maio e junho e não projeta crescimento em 2026.

A Latam informou que revisou operações em rotas com excesso de assentos disponíveis, incluindo ligações entre São Paulo e Rio de Janeiro. A expectativa de expansão da companhia foi reduzida de 11% para 8% até o fim deste ano.

Já o Grupo Abra, controlador da Gol, indicou anteriormente que cortes entre 7% e 9% da oferta poderiam ser implementados sem grandes impactos operacionais. A Gol informou que realiza ajustes semanais em sua malha aérea, sem detalhar a extensão das reduções.

Segundo a Abear, Azul, Gol e Latam operam atualmente voos para 138 destinos nacionais. Até o momento, as mudanças concentram-se na redução de frequências e capacidade em determinadas rotas.

Passagens aéreas registram aumento

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Preço das passagens sobe e o consumidor sente os efeitos no bolso (Criado com IA/Gemini)

O aumento do combustível também tem reflexos nas tarifas cobradas dos passageiros. Com custos operacionais mais elevados e menor oferta de assentos disponíveis, as companhias vêm repassando parte da pressão financeira para os preços das passagens.

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que as tarifas médias cresceram cerca de 25% nos meses de março e abril, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Nas estimativas divulgadas pelas empresas, a Azul aponta aumento médio de aproximadamente 30% nas passagens. O Grupo Abra trabalha com expectativa de elevação próxima de 20% e prevê transferir integralmente os impactos da alta do combustível para as tarifas até o fim do ano.