Kontik
Nando Vasconcellos, CEO do grupo Kontik (Yuri Ricci\M&E)

SÃO PAULO – O Kontik Insights 2026 reuniu nesta terça-feira (1), em São Paulo, profissionais e lideranças do setor de viagens corporativas para discutir as principais tendências do mercado e os impactos das transformações tecnológicas nos programas de viagens das empresas. Em sua segunda edição, o encontro apresenta uma leitura dos principais movimentos observados no mercado global de viagens corporativas, traduzindo esses cenários para a realidade brasileira.

Entre os temas abordados durante o evento estiveram inteligência artificial, experiência do viajante, gestão de viagens, análise de dados e o papel estratégico das viagens presenciais.

Segundo os dados apresentados, o mercado global de viagens corporativas deve movimentar US$ 1,71 trilhão em 2026, com crescimento de 7,2% nos gastos. O número de transações, porém, deve avançar apenas 1,3%, indicando que o crescimento do setor está mais relacionado ao valor e ao perfil das viagens do que ao aumento da quantidade de deslocamentos.

No Brasil, o desempenho aparece acima da média global. O país representa US$ 35 bilhões dos US$ 56 bilhões movimentados pelo mercado de viagens corporativas na América Latina. O crescimento brasileiro projetado para 2026 é de 13,8%, enquanto a América Latina deve avançar 11,7%.

Viagens corporativas ganham caráter mais estratégico

As apresentações de Cecília Herculino, diretora de Relacionamento da Kontik, e Juliane Corteza, Sales Leader da FCM, destacaram o crescimento do volume financeiro movimentado pelo setor, apesar de um avanço mais moderado no número de viagens.

Durante a apresentação, Cecília e Juliane destacaram que o crescimento do setor não significa necessariamente um aumento proporcional no número de viagens. A tendência apontada é de deslocamentos com objetivos mais definidos e maior cobrança por retorno sobre o investimento.

Até 2030, a expectativa apresentada no evento é de que o mercado global alcance US$ 2 trilhões em gastos com viagens corporativas. A expansão, segundo as executivas, deverá ser impulsionada principalmente por viagens consideradas estratégicas pelas empresas.

“Hoje em dia a gente não discute mais, bom, quanto eu tenho viajado, mas qual que é o retorno do meu investimento na minha viagem? Qual tá sendo a minha experiência estratégica? Eu tenho alcançado realmente os objetivos, os KPIs do meu negócio quando eu tenho feito aquela minha viagem?”, afirmou Cecília.

A avaliação também passa pela retomada da importância dos encontros presenciais após a aceleração das reuniões virtuais durante a pandemia. Segundo os dados apresentados, 74% dos viajantes afirmam ter viajado a mesma quantidade ou mais do que no ano anterior, enquanto 63% realizaram pelo menos uma viagem internacional no último ano. Além disso, 49% declararam ter ao menos uma pernoite em suas viagens.

Para as executivas, a conexão presencial voltou a ocupar um papel relevante nas estratégias empresariais, especialmente em situações que exigem relacionamento, troca de experiências e desenvolvimento de negócios.

Outro ponto destacado foi a relação entre inteligência artificial e demanda por viagens. Ao contrário da expectativa de que a adoção de IA poderia reduzir deslocamentos corporativos, os dados apresentados apontam para a criação de novos motivos para viajar.

A implementação de projetos de inteligência artificial, por exemplo, pode demandar consultorias, treinamentos e desenvolvimento, gerando novas necessidades de deslocamento de profissionais.

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IA ainda busca aplicação prática

Kontik Insights 2026 debate futuro das viagens corporativas e destaca avanço da inteligência artificial
Rafael Milagre, founder Viver de IA, Leandro Scripiliti, CTO Grupo Kontik, Mitikazu Lisboa, CEO Hive Marketing Technology e Roseli Vitor (Yuri Ricci\M&E)

A inteligência artificial também apareceu como um dos principais pontos de discussão do Kontik Insights. Apesar do interesse crescente das empresas, os dados apresentados mostram que a tecnologia ainda não provocou uma transformação ampla nos programas de viagens.

Segundo o levantamento apresentado, 93% dos gestores querem utilizar IA para geração de insights, enquanto 92% demonstram interesse em recursos analíticos e preditivos. Outros 89% apontam interesse em automações e novas aplicações da tecnologia. Ao mesmo tempo, 58% afirmam que a IA teve pouco ou nenhum impacto real em seus programas de viagens até o momento.

“O mercado não está pedindo IA, ele tá pedindo previsibilidade, certo? Ele tá pedindo conveniência e suporte”, destacou Cecília.

Nesse cenário, a tendência apontada durante o evento é de um mercado híbrido, no qual a inteligência artificial seja integrada aos processos sem necessariamente se tornar o centro da experiência. A combinação entre tecnologia, dados e automação deverá conviver com curadoria e atendimento humano.

“A gente não tá mais colocando se é o que eu aonde eu coloco IA, e ela tem que passar muito despercebida”, afirmou a executiva.

A experiência do viajante também ganhou espaço nas discussões. A avaliação apresentada é de que as empresas continuam buscando governança, compliance e eficiência, mas passaram a considerar com mais atenção aspectos como produtividade, bem-estar e experiência durante o deslocamento.

Kontrip apresenta integração com Claude

A Kontrip, travel tech especializada em gestão de viagens corporativas e controle de despesas, apresentou uma nova integração entre sua plataforma e o Claude, assistente de inteligência artificial da Anthropic.

A solução permite pesquisar, comparar e reservar passagens aéreas por comandos em texto ou voz, usando linguagem natural. Por meio do Model Context Protocol (MCP), o viajante informa destino, período e horários ao Claude e recebe opções de voos de acordo com a política de viagens da empresa. Após a escolha, a reserva é feita pela integração, enquanto a aprovação permanece na plataforma da Kontrip.

“A inteligência artificial está mudando a forma como as pessoas acessam a tecnologia. Em vez de exigir que o viajante aprenda a navegar por mais uma interface, estamos levando os recursos da Kontrip para um ambiente conversacional”, afirmou Peterson Prado, CEO da Kontrip.

Segundo a empresa, a escolha do Claude levou em conta uma pesquisa com clientes, que apontou a ferramenta como a mais utilizada por eles no ambiente corporativo.

A integração começa pelo aéreo, mas a Kontrip prevê expansão para hotéis e novas funcionalidades voltadas aos gestores, incluindo consultas sobre custos, identificação de viajantes fora da política e análises sobre o comportamento das viagens.

“Estamos mudando a porta de entrada para a nossa tecnologia. O viajante não precisa necessariamente começar sua jornada dentro da plataforma da Kontrip. Ele pode iniciar uma conversa, fazer um pedido e acessar os recursos da plataforma a partir dali. É uma mudança de interface que pode tornar a experiência muito mais simples”, afirmou Leandro Scripiliti, CTO da Kontrip.