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Tropical de Manaus, saudades de um sonho que não pode acabar

Que tristeza de ler hoje, no querido jornal manauara A Critica, que o Tropical Hotel de Manaus irá a leilão no dia 25 de julho, e que o valor arrecadado será utilizado para o pagamento de dívidas trabalhistas em processos que tramitam no Tribunal Regional do Trabalho.

Mesmo esperada desde a suspensão das atividades do hotel em maio – quando a luz foi cortada por falta de pagamento-, essa notícia abalou todos os profissionais do turismo, bem como os apaixonados pela Amazonas. Emblemático da nossa saudosa Varig, o Tropical de Manaus marcou os anos dourados do turismo de Manaus, quando o sucesso da Zona Franca, os oito voos diários para São Paulo, e as ligações internacionais da própria Varig, mas também da Braniff, da LAP e da Air France, atraiam turistas do mundo inteiro ao coração da Amazônia brasileira.

A tristeza leva a perguntar quais são as razões que levaram a esse desastre. Além do desaparecimento da Varig e das dificuldades da Tropical hotéis, o hotel da Ponta Negra fechou também pelo paradoxo da queda do turismo na Amazônia brasileira num momento da história aonde o ecoturismo e o turismo verde atraiam cada vez mais viajantes.

Enquanto Manaus recebeu nos anos 70 e 80 o Presidente da França, o Rei da Suécia e o Chanceler da Alemanha, enquanto artistas, escritores, ricos e famosos do mundo inteiro se hospedavam nos quartos do Tropical, são hoje os lodges da Costa Rica, do Vietnã ou da Indonésia  que recebem os grandes fluxos de ecoturistas. E quando esses escolham mesmo de ficar na Amazônia, percebe-se a concorrência das Amazônias peruana, colombiana, equatoriana, surinamense ou até francesa.

O turismo em Manaus tem, porém, imensas oportunidades com a atualidade das preocupações internacionais para preservar a floresta amazônica, e com a procura de destinos turísticos respondendo as novas tendências do ecoturismo. Num setor de concorrência extrema, o sucesso virá pelos números projetos que já existem, tanto de alojamento – do EcoPark ao Mirante do Gavião, do Juma Loge ao Hotel Amazonia, ou do Anavilhanas Lodge ao novo Casa Perpetua-, de lazeres – do Museu da Borracha e do MUSA ao Festival de Ópera-, de cruzeiros – da Katerre ao Aria ou ao Belle Amazon-, ou de restaurantes – do Caxirí ao Banzeiro. Eles já estão mostrando que o setor soube evoluir, e criar produtos e serviços oferecendo as experiências que os viajantes procuram.

Para crescer mesmo, e deixar a gente sonhar numa reabertura de um grande hotel internacional na Praia da Ponta Negra, o turismo na Amazônia terá talvez que seguir três ideias. A primeira é que a expectativa internacional de proteção do meio ambiente nessa região é imensa, trazendo um dever de excelência nesse setor. O desenvolvimento do turismo será olhada de muito perto, e qualquer desrespeito das práticas exemplares em termo de sustentabilidade, qualquer aceitação de atividades ecologicamente incorretas, terão um enorme impacto em comunicação e afugentarão os viajantes.

A segunda é que o turismo de Manaus só pode ser exclusivo, os fluxos serão sempre pequenos porque o acesso é difícil e as experiências intimistas. Com poucos visitantes, devem se privilegiar o luxo e o charme. E os produtos e serviços têm que ser de forte valor agregado para trazer ao estado e aos  habitantes os retornos econômicos indispensáveis.

A terceira ideia é que marcas excepcionalmente conhecidas no mundo inteiro Manaus e a Amazônia devem, para voltar a atrair os fluxos de viajantes que necessitam, apostar não somente na natureza, nas matas e nos rios, mas também na historia – a riqueza do patrimônio, começando pelo Teatro, ou a força do passado terrível do ciclo da borracha-, e nos seus povos – tradições culturais ou, mais ainda, vida autêntica das suas comunidades ribeirinhas. Morreu o Hotel Tropical, mas os ingredientes de um novo ciclo do turismo em Manaus existem e podem deixar acreditar que a Fênix pode talvez pousar um dia na praia da Ponta Negra.

Jean Philippe Pérol

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