Alex Bernardes, da LGBT+ Turismo Expo (Felipe Abílio/M&E)
Alex Bernardes, da LGBT+ Turismo Expo (Felipe Abílio/M&E)

SÃO PAULO – A próxima edição da LGBT+ Turismo Expo já tem data e direção bem definidas. O evento será realizado em 21 de julho, no Hotel Unique, em São Paulo, com uma proposta mais ajustada ao momento do mercado: menos volume e mais conexão. A ideia é simples, mas estratégica. Em vez de ampliar o número de participantes, a organização quer melhorar quem está dentro.

Segundo o organizador Alex Bernardes, a quinta edição chega com mudanças práticas no formato, tanto no espaço quanto no perfil do público. “A gente fez adaptações na planta para melhorar a circulação. Antes, o evento era muito comprido e quem entrava não enxergava o outro lado”, explica. A nova configuração cria corredores mais integrados, tentando equilibrar o fluxo e evitar áreas esvaziadas. Mas a principal mudança não está no desenho físico. Está no conteúdo e na curadoria.

Foco no público 60+ abre nova frente no turismo LGBT+

O tema central deste ano mira um público que começa a ganhar protagonismo no turismo: viajantes LGBT+ acima dos 50 e 60 anos. É uma geração que viveu boa parte da vida fora do radar do mercado e que agora aparece com novas demandas.

“A ideia é entender como essa primeira geração fora do armário está consumindo viagem. O que eles buscam, como preferem viajar, quais são as necessidades”, resume Alex.

Isso significa provocar destinos, operadoras e fornecedores a olhar com mais atenção para esse perfil. Um público que, além de mais maduro, costuma ter maior poder de consumo e busca experiências diferentes das gerações mais jovens.

Curadoria mais rígida e convite seletivo

Se no ano passado o evento registrou um bom volume de agentes de viagens, desta vez a organização decidiu mudar o critério de acesso. As inscrições passam a ser feitas por convite, com apoio direto das operadoras expositoras. A lógica é filtrar melhor o público. “Quero agentes que tenham conexão com o que a gente está fazendo”, afirma.

Entre as empresas envolvidas estão operadoras já reconhecidas no segmento LGBT+, como Visual, Orinter e Diversa, que agora também assumem o papel de selecionar quem participa.

Além disso, a estratégia inclui a escolha de embaixadores. São agentes com influência em nichos específicos, responsáveis por trazer convidados alinhados a cada segmento. No luxo, por exemplo, a curadoria fica com Rubia Carla, da Carta Turismo. Já no segmento de sol e praia, o nome é Marcos Reis.

Parcerias ampliam alcance e reforçam presença no trade

A edição de 2026 também reforça a rede de parcerias. Entre as novidades está a aproximação com a Clube Turismo, franquia que reúne mais de 600 agências no Brasil e deve levar parte dos franqueados ao evento.

Outra frente importante é a parceria com a Integração Trade, além da presença da imprensa especializada. O Mercado & Eventos será responsável por uma edição especial da revista oficial do encontro, com conteúdo focado no tema central.

A movimentação mostra um esforço claro de consolidar o evento como plataforma de conteúdo e negócios, e não apenas um ponto de encontro.

Fantour internacional começa a dar resultado

Uma das iniciativas que ganha continuidade é o famtour internacional. Após a feira, cinco agências estrangeiras participam de uma viagem pelo Brasil, com foco em destinos como Porto de Galinhas e Recife, em parceria com a Empetur.

A ação já começa a mostrar impacto real. “Os agentes que vieram no ano passado já estão vendendo o Brasil”, conta Alex.

Segundo ele, houve avanço especialmente na percepção de segurança, uma das principais barreiras para turistas internacionais. Antes, muitos desses profissionais comercializavam destinos como Buenos Aires e Peru, mas evitavam o Brasil.

Agora, o cenário começa a mudar. Já há grupos confirmados para o Carnaval, para a Parada de São Paulo, além de roteiros pelo Pantanal.

Limite de crescimento e mais conforto para expositores

Apesar da expansão do interesse, o evento esbarra em um limite físico. O número de expositores deve se manter em torno de 70, seguindo a capacidade do espaço.

A solução encontrada foi melhorar a experiência para quem já participa. Destinos como Pernambuco, Cuba e Colômbia terão áreas maiores, com mais conforto para atender agentes e apresentar produtos. A ideia é dar mais espaço também para coexpositores, como hotéis e receptivos, que passam a ter condições melhores de atendimento durante o evento.

Expectativa de consolidar referência no setor

Chegando à quinta edição, a LGBT+ Turismo Expo tenta equilibrar crescimento com consistência. A meta não é ser maior, mas mais relevante. “A expectativa é manter o padrão de qualidade e fazer um evento bonito, como sempre foi”, diz o organizador.

Nos bastidores, há a percepção de que o encontro já virou referência no setor. Segundo Alex, algumas ideias implementadas ao longo dos anos começam a aparecer em outros eventos do trade. Para este ano, a programação ainda deve ganhar um nome de peso como palestrante principal, reforçando o posicionamento do evento dentro do segmento.