
Com a alta do dólar e a redução dos gastos no exterior, os viajantes precisaram encontrar uma outra opção para lazer. E justamente o lazer superou os negócios e eventos no turismo de acordo com um levantamento feito em algumas empresas do setor de turismo, hotéis de lazer e de negócios.
Nos hotéis mais voltados para hóspedes de negócios Radisson Faria Lima (São Paulo), Radisson Alphaville e Comfort Suites Alphaville (Barueri), a crise chegou no segundo semestre. “No primeiro semestre tivemos excelentes resultados e conseguimos manter a previsão que havíamos feito. Porém, a partir de julho, o ano não foi o mesmo. As empresas e as demandas ficaram bem mais retraídas”, diz Danieli Pompeu, gerente de vendas do Radisson Faria Lima.
A gerente Mariana Fiore, responsável pelos dois empreendimentos de Alphaville, diz que mesmo com a crise as melhorias continuarão, como a reforma de áreas comuns e de apartamentos. “As crises política e econômica deixam as empresas inseguras e, com isso, temos retração em nosso segmento. Não estamos prevendo crescimento para 2016, mas ao menos que a demanda se mantenha como em 2015.”
Para driblar a baixa procura, o Quality Resort Itupeva, conhecido por sediar eventos corporativos, passou a investir mais no turismo de lazer. “As empresas estão mais cautelosas, reduziram a quantidade de dias para duração das reuniões e estão atuando fortemente na redução de preços. Este cenário nos preocupa muito pois, com a inflação, os custos aumentam e apertam as receitas”, afirma Michele Tavares, diretora de vendas do resort.
Por conta desses investimentos, o balanço do segundo semestre foi positivo na ocupação em feriados e finais de semana em relação ao primeiro semestre. Neste mês o Quality comemora 10 anos de operação, que serão marcados pelo recorde de ocupação no Natal e no Ano Novo. “Este fato é resultado da crise, que aqueceu ainda mais a demanda de lazer interna. Estamos há mais de dois meses com o pacote de Ano Novo esgotado”, confirma a executiva.
A região onde o Quality Resort Itupeva está localizado tem sido chamada de “a Orlando Paulista”, pela facilidade de acesso (próximo da Rodovia dos Bandeirantes, a 40 minutos de São Paulo ou de Campinas e a 20 minutos do Aeroporto de Viracopos) e opções de atividades como o Hopi Hari e Wet’n Wild e o centro de compras Outlet Premium. A diretora de vendas confirma novos investimentos para 2016, como a ampliação de uma sala de eventos e uma obra para dobrar a capacidade do restaurante e da cozinha. “Queremos crescer 9% em 2016”, anuncia.
O saldo foi positivo também no Mavsa Resort, que fica em Cesário Lange, a 90 minutos da capital paulista, e no Infinity Blue Resort & Spa, único resort de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. “Estamos avaliando a possibilidade de uma ampliação do nosso empreendimento a fim de atender a demanda e projetamos um crescimento de 10% em receitas para 2016”, afirma Alberto Cestrone, diretor geral do Infinity Blue, que teve crescimento de seis pontos percentuais na ocupação e receita 21% maior em comparação a 2014.
Mesmo com a redução na procura para negócios, o Mavsa planeja, em 2016, dobrar a capacidade de seu Centro de Convenções, que passará a acomodar 2 mil pessoas, e aumentar em 50% o número de apartamentos, chegando a 150 unidades. “Em 2014, crescemos quase 60% em ocupação. Em 2015, esse crescimento foi de 85%. Todos os finais de semana do segundo semestre e feriados tiveram ocupação de 100%. Pela primeira vez, nosso pacote de Natal esgotou, algo que só acontecia com o pacote de réveillon. Porém, o turismo de negócios não acompanhou esse crescimento”, disse a gerente comercial Nilva Meireles.
Já Willian Cavalcanti, sócio fundador da Machu Picchu Brasil, operadora de viagens especializada no Peru, confirma que o primeiro semestre muito bom. “A partir do mês de setembro identificamos uma baixa maior, porém, conseguimos atingir um crescimento de 80% em receita de vendas no ano”, afirma o executivo, que prevê crescimento menor em 2016, da ordem de 50%, e promete uma nova plataforma de interação e vendas voltada apenas para o atendimento do viajante independente.
Responsável por fornecer equipamentos de áudio, vídeo e informática para eventos, especialmente em hotéis, a R1 registrou crescimeno menor do que o esperado. “Tivemos um faturamento 25% superior ao do ano passado, porém, se não fosse a crise, teria sido de 40%”, diz o fundador, Raffaele Cecere, que espera chegar a 50 hotéis parceiros em 2016.
Na área de locação de veículos, Francisco Millarch, CEO do Rentcars.com, diz que o ano de 2015 foi desafiador, porém, de alto crescimento para a indústria de rent-a-car no Brasil. “De toda forma, a crise afetou um pouco o perfil de locação, mas muitos clientes apenas mudaram a categoria do veículo a ser locado, ou o destino de sua viagem, não deixando de realizar a transação na maioria dos casos”, afirma o executivo, que completa: “Crescemos mais de 30% nas locações domésticas e 120% nas locações internacionais. Por isso, no próximo ano, pretendemos expandir nossa atuação de forma global, garantindo que, além dos brasileiros, mais estrangeiros também possam alugar veículos por meio de nossos canais.”
Segundo Carolina Sass de Haro, da Mapie, empresa especializada em gestão estratégica de serviços, o foco dos clientes tem sido em projetos mais estratégicos, para priorizar seus investimentos. “O ano de 2015 foi difícil, apesar de termos realizado projetos bastante relevantes como o Nomaa Hotel e a Mercadoteca, em Curitiba, e de termos dado continuidade a projetos importantes na Accorhotels, InterCity Hotels, Rio Quente Resorts, entre outros.”






