
O estudo The Power of Tr[AI]vel 2050, realizado pela Google em parceria com a Alvarez & Marsal e divulgado em janeiro de 2026, projeta que as viagens internacionais vão atingir 3,5 mil milhões até 2050 e movimentar US$ 6 bi. O relatório analisa mercados emissores, destinos e turismo doméstico e indica que a América Latina, incluindo o Brasil, deverá crescer em volume, enquanto mercados maduros focarão em rentabilidade. A Inteligência Artificial é apontada como elemento central para eficiência, personalização e competitividade.
O turismo internacional deverá mais do que duplicar até 2050, passando de 1,6 mil milhões de viagens em 2025 para 3,5 mil milhões, segundo o estudo “The Power of Travel 2050”, da Google em parceria com a Alvarez & Marsal. No mesmo período, a despesa internacional deverá crescer de US$ 1,8 bilião para US$ 6 biliões, adicionando US$ 4,2 biliões ao mercado global.
A análise da Google baseia-se em modelos preditivos que combinam mais de 20 variáveis estruturais, milhares de milhões de pesquisas na Google, mais de 90 mil pontos de dados de turismo e tendências da Iberia. O objetivo é oferecer uma visão de longo prazo para orientar decisões estratégicas até 2030, com projeções até 2050.
O estudo da Google indica que, até 2050, cerca de 70% da população mundial será potencial viajante, o equivalente a 6,7 mil milhões de pessoas. A população global deverá atingir 9,6 mil milhões, impulsionada pela expansão da classe média e pelo aumento da expectativa de vida. O número de gerações viajando simultaneamente poderá chegar a oito.
A Ásia-Pacífico deverá ultrapassar a Europa como maior mercado emissor até 2050. Índia e China liderarão o ranking de saídas internacionais, com 415 milhões e 365 milhões de viagens outbound, respetivamente. Os Estados Unidos deverão alcançar 295 milhões. O os 5 maiores emissores concentrarão 40% do total mundial, de acordo com a Google.
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Brasil está entre os 15 maiores emissores no relatório da Google

O Brasil aparece entre os 15 maiores mercados emissores projetados pela Google para 2050, com 65 milhões de viagens internacionais, equivalente a 0,32 viagens por membro da classe média. O país integra o grupo classificado como “Major Global Feeders”, mercados relevantes no fornecimento de fluxos internacionais, ainda que não no grupo das três superpotências globais de procura.
No inbound, a Europa deverá manter a liderança como principal região recetora, mas perder participação relativa para a Ásia-Pacífico. Em 2050, Espanha (130 milhões), França (125 milhões), China (110 milhões), Estados Unidos (105 milhões) e Tailândia (100 milhões) deverão liderar em chegadas internacionais.
O relatório aponta que os destinos tenderão à democratização, com perda de participação dos cinco principais mercados e crescimento mais acelerado dos países fora do Top 15. Esse movimento abre espaço para destinos emergentes ampliarem participação no fluxo global.
Embora o Brasil não esteja entre os 15 maiores receptores projetados para 2050, surge no mapeamento de crescimento de despesa inbound entre 2025 e 2050 como destino material, com potencial de expansão tanto em volume quanto em valor. O desempenho dependerá de conectividade, acordos de mobilidade, estabilidade macroeconómica e posicionamento internacional.
No turismo doméstico, o estudo reforça que este continuará a representar mais de 90% das viagens globais. Em mercados-chave, o doméstico é classificado como o “motor de fidelização”. Para o Brasil, onde o mercado interno já representa a maior parte do fluxo turístico, o relatório indica que a fidelização doméstica pode ser porta de entrada para retenção de clientes no mercado internacional.
As viagens per capita (domésticas e internacionais) deverão aumentar em todos os grandes mercados. Nos Estados Unidos, a média deverá atingir cerca de oito viagens por pessoa ao ano até 2050. Nos mercados emergentes, o crescimento será mais acelerado, impulsionado pela expansão da classe média.
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O estudo da Google introduz o conceito de “zonas comerciais”

Europa e Estados Unidos são classificados como “Yield Fortress”, mercados maduros onde o crescimento virá do aumento da receita por viagem e de receitas complementares. Ásia-Pacífico, Médio Oriente, África e América Latina são definidos como “Volume Move”, regiões de expansão em volume que exigirão rápida ampliação de presença e execução disciplinada.
Nesse contexto, o Brasil enquadra-se na lógica de crescimento por volume, mas com necessidade de profissionalização do investimento e maior exigência de retorno por parte de investidores.
O relatório da Google alerta que o crescimento não garantirá rentabilidade automática. O setor enfrentará o que denomina “complexity tax”, com fragmentação regional, diversificação de padrões de viagem, aumento das expectativas dos clientes, multiplicação de canais digitais e pressão por margens consistentes.
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A Inteligência Artificial é apontada como camada transversal para viabilizar o novo ciclo

O estudo da Google indica que a IA permitirá hiperpersonalização em escala, automação de processos, otimização de preços e receitas, modernização tecnológica e suporte a decisões estratégicas. A transição para modelos de “agentic AI”, capazes de executar fluxos de trabalho completos, deverá alterar tanto a experiência do viajante quanto os modelos operacionais.
Entre as prioridades estratégicas apontadas pela Google estão: “Win Tomorrow’s Traveler”, com foco na fidelização da Geração Z; “Go Where Growth Is”, com realocação de capital para mercados de maior expansão; “Run for Profitability”, com revisão de modelos operacionais; e “AI as an Enabler”, integrando tecnologia ao núcleo das operações.
As projeções da Google indicam que o turismo entrará num ciclo de expansão estrutural até 2050, com aumento de volume e de despesa, mas também com maior exigência operacional. Para o Brasil, o cenário combina oportunidade de crescimento no outbound, potencial de ganho no inbound e papel central do mercado doméstico como base de fidelização. A capacidade de integrar tecnologia, ampliar conectividade e alinhar estratégia a mercados emissores emergentes será determinante para ampliar participação no fluxo global.
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