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Levantamento da Robert Half aponta valorização de especialistas em inteligência artificial e dados, competências que podem ganhar espaço em hotéis, companhias aéreas e empresas do trade turístico (Magnific)

A transformação digital e a busca por maior eficiência operacional devem continuar influenciando o mercado de trabalho em 2027, com reflexos também no turismo e no trade turístico. A valorização de profissionais especializados em inteligência artificial, análise de dados e estratégia comercial abre espaço para novas possibilidades de atuação em companhias aéreas, redes hoteleiras, operadoras, agências de viagens e empresas de tecnologia voltadas ao setor.

O movimento acompanha tendências identificadas pelo Guia Salarial da Robert Half, divulgado nesta terça-feira (20), que apresenta projeções de remuneração para mais de 450 cargos em oito áreas do mercado brasileiro. Embora o estudo não detalhe profissões específicas para o turismo, a pesquisa destaca competências que podem ganhar importância nas empresas responsáveis pela venda, distribuição e operação de produtos e serviços do turismo.

Entre as funções mais bem remuneradas do levantamento estão cargos ligados à inteligência artificial e à análise de dados. No mercado brasileiro em geral, engenheiros de inteligência artificial podem receber até R$ 28.200 por mês, enquanto engenheiros de prompt têm remuneração de até R$ 27.150 e especialistas ou cientistas de dados podem chegar a R$ 25.600. Os valores são projeções salariais gerais e não representam remunerações específicas do turismo.

Tecnologia amplia possibilidades no trade turístico

A incorporação de ferramentas de inteligência artificial pode modificar a maneira como empresas de turismo organizam suas operações, comercializam produtos e se relacionam com os consumidores. Sistemas capazes de automatizar tarefas, organizar informações e apoiar decisões comerciais podem ampliar a necessidade de profissionais que compreendam tanto as ferramentas tecnológicas quanto as particularidades do mercado de viagens.

Na hotelaria, por exemplo, o uso de dados pode contribuir para a previsão de demanda, a definição de tarifas e a gestão da ocupação. Nas companhias aéreas, informações sobre comportamento de compra, sazonalidade e procura por destinos podem apoiar estratégias comerciais. Já nas operadoras e agências de viagens, a tecnologia pode facilitar a personalização de ofertas, a organização de roteiros e o relacionamento com os clientes.

Esse cenário não significa necessariamente que todas essas atividades resultarão na criação de novos cargos. Em muitos casos, a transformação pode ocorrer pela incorporação de novas responsabilidades a funções já existentes, exigindo que profissionais de vendas, marketing, distribuição e operações desenvolvam conhecimentos tecnológicos e analíticos.

Análise de dados ganha relevância nas decisões comerciais

A capacidade de transformar informações em decisões é outra competência que pode ganhar importância no setor do turismo. Em um mercado influenciado pela sazonalidade, pela variação de preços e pela concorrência entre destinos e fornecedores, o acompanhamento de indicadores pode ajudar as empresas a identificar oportunidades e ajustar suas estratégias.

O revenue management é um exemplo de área em que essa combinação já faz parte da rotina profissional. A atividade envolve a análise da demanda e a definição de estratégias de preços para melhorar os resultados financeiros, especialmente em segmentos como hotelaria e aviação. Com a evolução das ferramentas analíticas, esses profissionais podem ampliar o uso de modelos preditivos e sistemas de inteligência artificial para apoiar suas decisões.

A análise de dados também pode contribuir para compreender o comportamento dos viajantes, avaliar a rentabilidade de canais de venda e identificar os produtos com maior potencial comercial. Para o trade turístico, que depende da integração entre fornecedores, distribuidores e intermediários, essas informações podem ajudar a direcionar investimentos e melhorar o desempenho das operações.

Marketing e experiência do viajante entram na transformação

As mudanças também alcançam as áreas de marketing e relacionamento com clientes. A possibilidade de cruzar informações sobre preferências, histórico de compras e comportamento digital permite desenvolver campanhas mais direcionadas e ofertas alinhadas aos interesses de diferentes perfis de consumidores.

Nesse contexto, profissionais de CRM, marketing de performance e inteligência comercial podem assumir responsabilidades cada vez mais estratégicas. Além de executar campanhas, essas funções envolvem a interpretação de resultados, a identificação de oportunidades de conversão e o acompanhamento da relação entre investimento publicitário e vendas.

A experiência do viajante também pode se beneficiar desse movimento. A integração de sistemas e o uso de ferramentas digitais podem facilitar etapas como pesquisa, reserva, atendimento e suporte durante a viagem. Ao mesmo tempo, as empresas precisarão equilibrar a automação com o contato humano, especialmente em situações que exigem personalização, resolução de problemas e conhecimento especializado sobre destinos e produtos turísticos.

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O que muda para os profissionais do turismo

O levantamento da Robert Half indica que a valorização profissional não depende apenas do domínio técnico. Pensamento analítico, comunicação, visão de negócios, capacidade de adaptação e aprendizagem contínua também aparecem entre as competências valorizadas pelas empresas ouvidas na pesquisa.

Para quem trabalha com turismo, isso significa que o conhecimento do setor pode ganhar ainda mais força quando combinado com habilidades tecnológicas. Um profissional que compreende a distribuição turística, por exemplo, pode ampliar sua atuação ao dominar ferramentas de análise de dados. Da mesma forma, quem trabalha com marketing pode agregar valor ao aprender a utilizar inteligência artificial para interpretar resultados e desenvolver estratégias comerciais.

A pesquisa ouviu 500 gestores de contratação e 1.000 profissionais de diferentes áreas. Segundo o levantamento, 53% dos gestores afirmam oferecer salários acima do planejado para garantir contratações na área de tecnologia, enquanto 41% dos empregadores já pagam mais a profissionais com experiência em inteligência artificial generativa. Os indicadores ajudam a dimensionar a disputa por essas competências no mercado brasileiro, embora não sejam exclusivos do turismo.

Profissões que podem ganhar espaço no turismo em 2027

A partir das tendências apontadas pela Robert Half e de suas possíveis aplicações no setor, algumas funções merecem atenção de profissionais e empresas do trade turístico. A lista reúne tanto ocupações já existentes, que podem ampliar suas responsabilidades, quanto especialidades ligadas à adoção de novas tecnologias.

  • Especialista em inteligência artificial aplicada ao turismo: identifica oportunidades de automação e desenvolve soluções para aprimorar processos, atendimento e operações em empresas de viagens e hospitalidade.
  • Analista de dados e inteligência de mercado: interpreta informações sobre reservas, vendas, sazonalidade e comportamento dos consumidores para apoiar decisões comerciais e estratégicas.
  • Especialista em revenue management: trabalha com previsão de demanda, definição de tarifas e rentabilidade, utilizando dados para orientar decisões em hotéis, companhias aéreas e outros negócios turísticos.
  • Engenheiro de prompt e especialista em soluções de IA: desenvolve instruções e aplicações para ferramentas de inteligência artificial, com possíveis usos em atendimento, pesquisa de viagens e automação de tarefas.
  • Especialista em CRM e personalização de ofertas: utiliza informações dos clientes para segmentar públicos, aprimorar campanhas e fortalecer o relacionamento entre empresas turísticas e viajantes.
  • Especialista em marketing de performance: analisa campanhas digitais, acompanha indicadores de conversão e direciona investimentos para ampliar a eficiência das estratégias de vendas.
  • Especialista em experiência do cliente: identifica oportunidades de melhoria na jornada do viajante, desde a pesquisa e a compra até a hospedagem e o atendimento após a viagem.
  • Especialista em automação e integração de sistemas: conecta plataformas e automatiza processos para melhorar a eficiência operacional de hotéis, agências, operadoras e empresas de tecnologia para o turismo.

As funções citadas representam possibilidades de aplicação das tendências tecnológicas ao turismo, e não uma previsão oficial de novas vagas para 2027. A demanda efetiva dependerá dos investimentos das empresas, do ritmo de adoção dessas ferramentas e das necessidades de cada segmento.

Com informações de G1