Programa aéreo do governo Voa Brasil patina e não cumpre promessa inicial
Apenas 51 mil passagens foram reservadas desde o lançamento (Banco de imagens/Freepik)

Criado para ampliar o acesso ao transporte aéreo e estimular o turismo interno, o programa Voa Brasil, do governo federal, ficou muito aquém das expectativas anunciadas em seu lançamento. Desde julho de 2024, quando foi apresentado como uma política capaz de democratizar o uso do avião no país, a iniciativa registrou cerca de 51 mil passagens reservadas, segundo balanço oficial divulgado no início de 2026.

O número contrasta com a meta divulgada pelo próprio governo, que estimava a oferta de até três milhões de bilhetes no primeiro ano de funcionamento. A proposta era beneficiar aproximadamente 1,5 milhão de brasileiros, especialmente aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que não costumam viajar de avião.

O programa permite a compra de passagens por até R$ 200 por trecho, utilizando assentos ociosos das companhias aéreas participantes, sem impacto direto no Orçamento da União. Na prática, porém, a adesão tem sido limitada e depende exclusivamente da disponibilidade de lugares não vendidos oferecidos pelas empresas.

De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, não existe um volume fixo de bilhetes destinados ao Voa Brasil. A oferta varia conforme a decisão das companhias aéreas de incluir ou não seus assentos ociosos no sistema, o que reduz a previsibilidade e o alcance da iniciativa.

Especialistas apontam entraves operacionais que ajudam a explicar o desempenho abaixo do esperado. Entre eles, a dependência total da oferta das empresas aéreas e o recorte restrito do público-alvo, limitado a aposentados que não tenham viajado de avião nos últimos 12 meses, um filtro que diminui significativamente o universo de potenciais beneficiários.

Em nota, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que realiza uma avaliação interna para identificar pontos de melhoria e estudar ajustes operacionais que possam ampliar a participação das companhias aéreas e facilitar o acesso dos beneficiários ao programa.

O Voa Brasil é uma das apostas sociais do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O desempenho abaixo do projetado ganha peso político às vésperas de 2026, ano em que o presidente deve disputar a reeleição, em meio a um cenário de desgaste do governo, agravado por recentes crises envolvendo fraudes bilionárias no INSS

Com informações de Jornal O Tempo