A carteira de pedidos total da empresa foi de US$ 516 bilhões, incluindo mais de 5.400 aviões comerciais (Banco de imagens/Pixabay)
Defesa e aviação comercial puxam crescimento, apesar de fluxo de caixa ainda negativo (Banco de imagens/Pixabay)

A Boeing divulgou nesta terça-feira (29) os resultados financeiros do segundo trimestre de 2025. Apesar de ainda registrar prejuízo, a empresa mostra sinais de estabilização após um período marcado por revisões de produção, crises de confiança e investigações nos Estados Unidos. A receita subiu para US$ 22,7 bilhões, puxada pelo aumento no volume de entregas de aviões comerciais, 150 unidades no trimestre.

O prejuízo por ação foi de US$ 0,92 (GAAP) e US$ 1,24 em valores ajustados (não-GAAP). Já o fluxo de caixa operacional fechou positivo em US$ 200 milhões, enquanto o fluxo de caixa livre ficou negativo em igual valor, refletindo principalmente o pagamento de dívidas e a dinâmica de capital de giro.

“O foco em segurança e qualidade começa a dar resultado. Estamos estabilizando operações e entregando aviões melhores e com mais eficiência”, afirmou Kelly Ortberg, presidente e CEO da Boeing, em comunicado. “Seguimos comprometidos em restaurar a confiança do mercado global e acelerar nossa recuperação.”

Produção acelerada e novas encomendas

Entre os destaques do trimestre, o programa 737, carro-chefe da fabricante, alcançou a produção de 38 unidades mensais, e a expectativa é aumentar para 42 por mês ainda este ano, dependendo da aprovação dos órgãos reguladores. Já a linha do 787 está produzindo sete aviões por mês.

A Boeing também comemorou 455 novos pedidos líquidos entre abril e junho, com destaque para grandes encomendas da Qatar Airways (30 aeronaves 777-9 e 120 do modelo 787) e da British Airways (32 unidades do 787-10). Atualmente, a carteira de pedidos da divisão comercial supera 5.900 aviões, com valor estimado em US$ 522 bilhões.

Defesa em expansão e serviços lucrativos

A divisão de Defesa, Espaço e Segurança registrou US$ 6,6 bilhões em receita, com margem operacional positiva de 1,7%. O desempenho foi impulsionado por contratos estratégicos, como o fornecimento de quatro aeronaves T-7A Red Hawk para a Força Aérea dos EUA e o início de testes do drone MQ-25 Stingray para a Marinha.

No setor de Serviços Globais, a Boeing somou US$ 5,3 bilhões em receita com uma expressiva margem de 19,9%. A companhia concluiu a venda de sua unidade de manutenção no Aeroporto de Gatwick, no Reino Unido, e fechou um novo contrato com a Marinha da Coreia do Sul para suporte e treinamento com a aeronave P-8A.

Dívida sob controle e reservas robustas

A Boeing encerrou o trimestre com US$ 23 bilhões em caixa e investimentos, ligeiramente abaixo dos US$ 23,7 bilhões registrados no início do período. A dívida líquida caiu para US$ 53,3 bilhões, graças à amortização programada de obrigações. A empresa ainda mantém acesso a US$ 10 bilhões em linhas de crédito, atualmente não utilizadas.

Impactos legais e cautela no futuro

Os resultados também foram afetados por uma despesa extraordinária de US$ 445 milhões, relacionada ao acordo de não acusação firmado com o Departamento de Justiça dos EUA, após investigações envolvendo práticas internas de segurança e conformidade.

A Boeing ainda alerta para desafios nos próximos trimestres, incluindo disputas regulatórias, volatilidade no fornecimento de peças, escassez de mão de obra especializada, além da aguardada conclusão da aquisição da Spirit AeroSystems, considerada estratégica para consolidar a cadeia de produção.

Mesmo com os prejuízos contábeis, a avaliação do mercado é que a fabricante está, aos poucos, ganhando fôlego para retomar o protagonismo no setor aeroespacial, especialmente com a fila crescente de encomendas e a retomada do ritmo produtivo, dois pontos-chave para os investidores e clientes ao redor do mundo.

Boeing entrega mais aviões, aumenta receita, mas ainda registra prejuízo no 2º trimestre
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