A partir de agosto não será mais possível comprar passagens de voos compartilhados entre Latam e VoePass(Reprodução/Guilherme Dotto)
Companhia parou de voar e responde a ação coletiva por dívidas com trabalhadores (Reprodução/Guilherme Dotto)

Um ano após o acidente aéreo da Voepass que deixou 62 mortos, ex-funcionários da companhia denunciam que ainda não receberam verbas rescisórias, salários atrasados e benefícios como vale-alimentação. Sem operar voos desde março e com dívidas que ultrapassam R$ 400 milhões, a empresa responde a ações trabalhistas coletivas na Justiça.

A Voepass, que já enfrentava dificuldades financeiras desde a pandemia, teve a situação agravada após o desastre com o voo 2283. A empresa entrou em recuperação judicial, mas o plano apresentado não foi aprovado para todas as empresas do grupo.

A ANAC suspendeu todos os voos da companhia em março. Em junho, cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA), impedindo a retomada de qualquer operação no país.

A ação coletiva trabalhista tenta reunir todas as pendências em um único processo. O objetivo é garantir que os pagamentos ocorram conforme os ativos da empresa sejam recuperados, como por bloqueios de contas ou venda de bens.

“A execução coletiva busca meios legais para assegurar o que é direito dos trabalhadores”, explica a procuradora Luana Lima Duarte.

Ex-funcionários relatam que os atrasos começaram ainda em 2023. “Chegaram a descontar a primeira parcela do 13º, mas não pagaram. A empresa não dava explicações.”

O que diz a Voepass

Em nota, a companhia afirma que segue tratando as pendências na Justiça e diz estar comprometida com o apoio às famílias das vítimas do acidente. Sobre o acidente, reforça que colabora com as investigações do CENIPA. Veja a nota completa:

No dia 9 de agosto de 2024, vivemos o episódio mais difícil de nossa história. A queda do voo 2283, na região de Vinhedo (SP), resultou em perdas irreparáveis. Um ano depois, seguimos solidários às famílias das vítimas, compartilhando uma dor que permanece presente em nossa memória. Em mais de 30 anos de operações na aviação brasileira, jamais havíamos enfrentado um acidente.

A tragédia nos impactou profundamente e mobilizou toda a nossa estrutura, humana e institucional, para garantir apoio integral às famílias, nossa prioridade. Nas primeiras horas após o acidente, formamos um comitê de gestão de crise e trouxemos profissionais especializados — psicólogos, equipes de atendimento humanizado, autoridades públicas, seguradoras, além de suporte funerário e logístico.

Temos atuado de forma transparente junto às autoridades públicas e seguimos fortemente dedicados a resolução das questões indenizatórias o quanto antes, neste aspecto com estágio bastante avançado das indenizações restantes. Mantemos o suporte psicológico ativo e continuamos apoiando homenagens realizadas pelas famílias ao longo deste ano. Nos solidarizamos com toda a forma de homenagem às vítimas do acidente.

Sobre a apuração das causas do acidente, reiteramos nossa confiança no trabalho do CENIPA, com o qual temos colaborado desde o início das apurações, e reforçamos que a investigação de um acidente aéreo é um processo complexo, que envolve múltiplos fatores e requer tempo para ser conduzida de forma adequada. Somente o relatório final do CENIPA poderá apontar, de forma conclusiva, as causas do ocorrido. Cabe lembrar que o relatório preliminar divulgado pelo órgão em setembro de 2024 confirmou que a aeronave do voo 2283 estava com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) válido, e com todos os sistemas requeridos em funcionamento. A atuação da empresa esteve sempre pautada em padrões de segurança internacionais, contando inclusive com a certificação IOSA, um requisito de excelência operacional emitido apenas para empresas auditadas IATA, além de ter o acompanhamento periódico da ANAC como agência reguladora. Em três décadas de atuação, em um setor altamente regulado, a segurança dos passageiros e da tripulação sempre foi a prioridade máxima da companhia.

Com relação às tratativas trabalhistas e com credores, elas seguem em andamento no âmbito judicial.

Agimos sempre com responsabilidade, humanidade e empatia. Nossa solidariedade permanece firme e com respeito e sensibilidade a dor dos familiares das vítimas, e com toda a sociedade brasileira.

VOEPASS Linhas Aéreas

*Com informações do G1