ONU Turismo durante fórum em São Paulo
Heitor Kadri, diretor do escritório regional para as Américas da ONU Turismo (Giulia Jardim/M&E)

SÃO PAULO – “A gastronomia já não é mais um acessório, mas, muitas vezes, é o motivo principal da viagem.” A afirmação é de Heitor Kadri, diretor do escritório regional para as Américas da ONU Turismo, durante a abertura do 1º Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas e Caribe, realizado nesta quinta-feira (13), em São Paulo.

O evento reúne autoridades, representantes de organismos internacionais, destinos, produtores e profissionais do trade turístico para discutir o potencial da gastronomia e do enoturismo como ferramentas de desenvolvimento econômico, valorização cultural e diversificação da oferta turística.

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Durante a abertura, Kadri destacou a mudança no comportamento dos viajantes e apresentou dados de um estudo realizado pela ONU Turismo em parceria com o Basque Culinary Center, da Espanha. Segundo ele, 81% dos viajantes levam em consideração a culinária local e a gastronomia antes de escolher uma viagem. Outros 79% buscam novas experiências gastronômicas durante os deslocamentos, enquanto 37% chegam a planejar toda a viagem em função de um restaurante específico.

“Temos 81% dos viajantes que levam em consideração a culinária local e a gastronomia antes de viajar. A gastronomia já não é mais um acessório, senão que muitas vezes é o motivo principal da viagem”, afirmou.

Para o representante da ONU Turismo, os números mostram que o segmento passou a ocupar uma posição estratégica na construção de destinos turísticos. A entidade também apresentou durante o evento a publicação “Good Practices in the Development of Gastronomy Tourism”, desenvolvida a partir da análise de experiências de diferentes países.

O material reúne boas práticas e referências para gestores públicos, empresas e profissionais envolvidos no desenvolvimento do turismo gastronômico. Entre os países contemplados estão Brasil, Canadá, Croácia, México, Eslovênia e Espanha.

Kadri ressaltou ainda que produtos associados à gastronomia podem funcionar como âncoras para o desenvolvimento de experiências turísticas, especialmente no meio rural. Além do vinho, ele citou produtos como café, erva-mate, cacau e queijos.

“Esses produtos podem funcionar como âncora do turismo, em especial o turismo rural”, destacou.

São Paulo como destino gastronômico

Anfitrião do fórum, o secretário de Turismo da cidade de São Paulo, Gustavo Lopes, destacou o potencial da capital paulista para se consolidar como uma referência gastronômica não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina.

Segundo ele, a cidade reúne mais de 156 mil bares e restaurantes, em uma oferta que vai desde pequenos estabelecimentos de bairro até casas reconhecidas internacionalmente. “É motivo de muita alegria ver esse salão lotado em São Paulo, que é a capital da gastronomia não só do Brasil, mas das Américas”, afirmou.

Lopes também ressaltou o reconhecimento internacional da gastronomia paulistana, citando a conquista de três estrelas Michelin por restaurantes da cidade. Para o secretário, premiações desse porte ultrapassam os próprios estabelecimentos e ajudam a projetar São Paulo como destino turístico, além de contribuir para a visibilidade da gastronomia brasileira no exterior.

O cenário gastronômico se soma à força turística da capital. De acordo com Lopes, São Paulo recebeu 47 milhões de turistas no ano passado, dos quais 3 milhões eram estrangeiros. O fluxo internacional, segundo ele, corresponde a cerca de um terço dos turistas estrangeiros que visitaram o Brasil no período.

Integração regional

A programação do fórum também busca aproximar os países das Américas em torno do turismo gastronômico e do enoturismo. Representantes de Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, México e Peru participam das discussões, que abordam políticas públicas, investimentos e estratégias para o desenvolvimento dos segmentos.

Heitor Kadri destacou a importância de compartilhar experiências entre os países, especialmente daqueles que já possuem uma indústria vitivinícola consolidada e um mercado mais desenvolvido. “Temos que entender o que tem sido feito pelos países que são bem-sucedidos. A Argentina e, mais recentemente, o Uruguai e o Chile já têm uma indústria do vinho extremamente forte, um enoturismo extremamente desenvolvido”, afirmou.

A iniciativa também prevê a elaboração de um guia do Mercosul voltado ao desenvolvimento do enoturismo, com orientações para governos e gestores públicos sobre medidas capazes de apoiar empreendedores, produtores e destinos.

CEO da Inner Group e um dos responsáveis pela organização do encontro, Christian Burgos ressaltou o papel do turismo na aproximação entre os diferentes países e na construção de uma agenda conjunta para o segmento. “O turismo foi crucial porque só o turismo conseguiria conectar todos esses países como a gente está conectando aqui”, afirmou.

Burgos também destacou a presença de produtores de vinho de diferentes regiões do Brasil, além de representantes da Argentina e do Chile, que participam do evento para apresentar produtos e experiências. Segundo ele, a proposta é mostrar o potencial da América Latina como destino de turismo gastronômico e enoturístico e, ao mesmo tempo, estimular novos negócios.