Turismo
Manoel Vicente Pereira Neto, CEO da GAV Resorts (Arquivo pessoal)

*Por Manoel Vicente Pereira Neto, CEO da GAV Resorts

Quando pensamos em desigualdade social, normalmente associamos o tema à renda, educação, saúde ou moradia. São debates fundamentais. Mas existe uma desigualdade menos discutida: o acesso ao lazer.

Para milhões de brasileiros, viajar continua sendo um projeto distante. Não por falta de interesse, mas porque a vida exige escolhas. Antes das férias vêm as contas, a escola dos filhos, a prestação da casa, os imprevistos. Sonhos acabam sendo adiados indefinidamente.

Essa realidade merece atenção porque viajar não representa apenas descanso. Significa ampliar repertórios, fortalecer vínculos familiares, conhecer outras culturas e criar memórias que permanecem por toda a vida.

Nos últimos anos, o turismo deixou de ser visto apenas como uma atividade econômica. Cada vez mais, ele tem sido entendido também como uma ferramenta de desenvolvimento humano e inclusão social. Não por acaso, cresce o debate sobre a necessidade de democratizar o acesso às experiências de lazer, tornando-as menos restritas a uma parcela da população.

Essa reflexão ganhou força recentemente em diferentes discussões sobre o setor, que defendem que proporcionar oportunidades de viajar também significa promover bem-estar, pertencimento e qualidade de vida. Afinal, experiências têm um impacto que muitas vezes ultrapassa o próprio destino visitado.

Quem trabalha com turismo presencia isso com frequência.

Por trás de uma reserva existe uma comemoração aguardada durante anos. Um reencontro familiar. A primeira viagem de uma criança. A lua de mel que precisou ser adiada. A celebração de uma conquista pessoal.

São histórias que dificilmente aparecem nas estatísticas, mas que revelam o verdadeiro significado de viajar.

Foi justamente essa percepção que inspirou iniciativas como o GAV Realiza, projeto que seleciona histórias de brasileiros para proporcionar uma viagem com todas as despesas custeadas. Mais do que uma campanha, a proposta procura reconhecer trajetórias marcadas por persistência, desafios e sonhos interrompidos pela realidade financeira.

A primeira história escolhida foi a de um casal que, quatro anos após o casamento, finalmente conseguiu viver a lua de mel que havia sido adiada por dificuldades econômicas. O mais interessante não foi a viagem em si, mas aquilo que ela simbolizou: a possibilidade de concluir um capítulo importante da própria história.

Esse tipo de experiência reforça uma convicção que considero importante para todo o setor.

O turismo não transforma apenas destinos. Ele transforma pessoas.

Naturalmente, nenhuma iniciativa isolada resolve os desafios da desigualdade brasileira. Mas isso não significa que empresas não possam contribuir dentro daquilo que fazem de melhor.

O setor de turismo movimenta economias locais, gera empregos, fortalece pequenos empreendedores, impulsiona a cultura e cria oportunidades de desenvolvimento em diferentes regiões do país. Quando essas iniciativas também conseguem ampliar o acesso de mais pessoas às experiências de viagem, seu impacto torna-se ainda mais relevante.

Talvez seja o momento de ampliarmos a forma como enxergamos o turismo.