
MARRAKECH — O comportamento do turista brasileiro no Marrocos atravessa uma mudança estrutural. Segundo Mohssine Terrab, gerente geral da Monarch Travel, operadora com 15 anos de atuação dedicada ao mercado brasileiro, o viajante nacional tem deixado de lado os roteiros engessados em busca de experiências mais imersivas e flexíveis.
“O brasileiro é um viajante exigente, que precisa ser acompanhado de perto. Ele não quer a experiência básica, quer ir além”, afirma Terrab.
- Operadoras brasileiras mudam percepção sobre o Marrocos após missão da Braztoa; veja opinião
- Braztoa já estuda uma nova edição da Missão Comercial em Marrocos para 2027
- Braztoa conecta operadoras brasileiras ao trade de Marrocos em rodada de negócios; veja fotos
Para o especialista, essa demanda por personalização transformou a operação turística no país. O brasileiro não deseja apenas uma sucessão de pontos turísticos, mas sim sentir que a viagem responde às suas vivências do momento. Na prática, essa nova lógica se traduz em três pilares: o interesse pelo patrimônio histórico, a centralidade das compras em mercados locais (os souks) e o fascínio pelas paisagens naturais, especialmente no deserto.
“O brasileiro transforma a viagem em uma sequência de experiências. Ele não separa visita, compra e vivência. Tudo faz parte do mesmo movimento”, observa Terrab.
O papel do “souk” na viagem ao Marrocos

Diferente de outros públicos que visitam o Marrocos, o turista brasileiro não trata o consumo como uma etapa acessória. O souk é parte integrante da memória da viagem, e a interação com o comércio local é o que muitas vezes predomina no relato dos clientes após o retorno.
- Além de Marrakech: A Casablanca que os brasileiros ainda não descobriram
- Missão Comercial da Braztoa chega no Marrocos: tudo o que você precisa saber
- Braztoa promove missão no Marrocos; veja quais operadoras participam
Essa circulação urbana, que passa por cidades como Casablanca, Rabat, Meknès e Fez, costuma culminar no que é considerado o ponto alto da jornada: o deserto de Merzouga. Terrab nota que esse trajeto promove um “deslocamento simbólico” determinante para a satisfação do turista.
“Ao chegar a Casablanca, o brasileiro encontra uma cidade moderna e com infraestrutura. Mas, ao chegar ao deserto, ele reencontra a imagem que trazia na mente antes de embarcar para o Marrocos: o silêncio, os camelos e as dunas. Esse contraste é o que realmente marca a experiência”, explica.
Adaptação para o mercado

A necessidade de proximidade, característica apontada por Terrab, obrigou a operadora a investir em capital humano. Atualmente, a Monarch Travel mantém uma equipe de cerca de seis guias fluentes em português e representantes nos aeroportos de Casablanca e Marrakech para suporte imediato.
A estratégia reflete uma mudança mais ampla no mercado. Antes visto como um destino “exótico” e dependente de pacotes europeus, o Marrocos se consolidou como uma escolha própria para o brasileiro. “A língua reduz o atrito, mas o principal é a confiança. Sem ela, o brasileiro não relaxa na viagem”, conclui o gestor.
O trabalho de aproximação inclui uma representação exclusiva em São Paulo há mais de uma década, fundamental para que a empresa acompanhe de perto o crescimento da demanda, que hoje chega a cerca de 200 clientes semanais, atendidos tanto em grupos quanto em viagens sob medida.







