
Maio de 2026 passou longe de ser um mês de estabilidade no turismo. O Brasil bateu recordes de entrada de estrangeiros, ampliou sua presença em mercados estratégicos e acelerou acordos de promoção internacional, enquanto empresas aéreas, operadoras e gigantes do entretenimento ajustaram rotas, produtos e estratégias em meio a custos pressionados e disputas por demanda.
No mesmo período, o consumo de viagens seguiu aquecido, com o brasileiro viajando mais, gastando mais e diversificando destinos, ao mesmo tempo em que o setor corporativo e o turismo de eventos ganharam força. O MERCADO & EVENTOS reúne os principais movimentos do mês, que mostram um mercado em expansão, mas também em reorganização constante.
Destaques do Turismo em maio

1 – Brasil bateu recorde de turistas internacionais, firma parcerias e lança campanhas de promoção – O Brasil teve o melhor primeiro quadrimestre da história do turismo internacional em 2026, com mais de 4,3 milhões de visitantes estrangeiros entre janeiro e abril. O crescimento foi puxado por 10 mercados estratégicos da Embratur, com destaque para Colômbia (+37,2%), China (+33,6%) e México (+33,4%). Portugal, Reino Unido e Chile também bateram recordes de emissão de turistas. Segundo a Embratur, o avanço está ligado à promoção internacional do país e à ampliação da conectividade aérea, que cresceu 16% no período.
A Embratur lançou uma campanha inédita de promoção turística na China durante a ITB China, em Xangai, apostando na isenção de vistos para atrair mais viajantes chineses. A estratégia inclui publicidade com foco em natureza e cultura, presença nas redes chinesas WeChat, Weibo e Xiaohongshu, além de um site em mandarim. Segundo a entidade, o número de turistas chineses no Brasil cresceu mais de 33% em 2026. O turismo vê potencial de expansão, apesar dos desafios de conectividade aérea entre os dois países.
Nessa mesma linha, a entidade ampliou negociações com Canadá e México para aumentar voos internacionais ao Nordeste, em meio a mudanças no turismo global. A estratégia, ligada ao Plano Brasis e em parceria com o Consórcio Nordeste, busca diversificar mercados e fortalecer destinos como Fortaleza e Jericoacoara, no Ceará. Além da expansão aérea, a agência aposta em resorts all inclusive, turismo cultural, luxo, observação de aves e nomadismo digital para atrair turistas de maior valor agregado.
Em mais um movimento relevante em maio, a Embratur e a Abav firmaram um acordo de cooperação de 24 meses para ampliar a promoção do turismo brasileiro no exterior. A parceria prevê famtours, compartilhamento de dados de mercado, ações comerciais e capacitação de agências para aumentar a venda de destinos brasileiros e fortalecer o turismo receptivo. O plano inclui foco em mercados estratégicos, como a China, e na preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027.
2 – Turismo internacional promove injeção econômica bilionária no Brasil – O turismo internacional movimentou R$ 20,2 bilhões no Brasil entre janeiro e abril de 2026, alta de 9,2% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Banco Central.
O crescimento foi impulsionado pelo aumento da conectividade aérea, promoção internacional de destinos brasileiros e retomada de mercados estratégicos, como a China. Apenas em abril, turistas estrangeiros gastaram R$ 4,19 bilhões no país.

3 – HUB ME promove primeira trilha de conhecimento para agentes de viagens e entrega conteúdo de valor – O MERCADO & EVENTOS celebrou o primeiro mês do HUB ME com o lançamento do programa “Vendas Inteligentes para Agentes de Viagens”. A iniciativa contou com quatro aulas ao vivo e gratuitas ministradas pelo especialista em marketing e inteligência artificial e CEO da plataforma, João Taylor.
O conteúdo abordou estratégias para que agentes de viagens identifiquem, conquistem, nutram e conduzam leads até a conversão, além de práticas voltadas à fidelização de clientes. Também foram apresentadas ferramentas de inteligência artificial aplicadas ao processo comercial e orientações para uso no dia a dia.
Além das aulas na plataforma, João Taylor realizou uma mentoria ao vivo com a agência Capece Tour, com o objetivo de mapear pontos de fricção na jornada do cliente. A ação dá continuidade à trilha de conhecimento e foi bem recebida pelos agentes de viagens, que destacaram a aplicabilidade dos conteúdos e das estratégias apresentadas.
O HUB ME também firmou parceria com a Affinity Seguro Viagem, que passa a ser mantenedora do canal dedicado ao tema dentro da plataforma.
4 – Interesse e consumo dos brasileiros por viagens seguem em alta – Dados importantes sobre o consumo do mercado brasileiro no turismo vieram a público em maio. Pesquisa do Expedia Group aponta que 71% dos brasileiros pretendem viajar pelo país nas próximas férias, enquanto 84% demonstram maior interesse em destinos nacionais em relação ao ano passado. O levantamento também mostra que eventos, viagens que combinam trabalho e lazer e destinos ligados a filmes e séries influenciam o comportamento dos turistas.
Já um estudo da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) apontou que a Europa liderou os gastos internacionais de brasileiros com cartão de crédito no primeiro trimestre de 2026, com R$ 11,7 bilhões movimentados, alta de 19,9% em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com R$ 9,7 bilhões.
Juntos, os dois destinos concentraram 77% das transações internacionais no turismo. No período, os brasileiros gastaram R$ 27,9 bilhões no exterior e em compras internacionais. O cartão de crédito respondeu pela maior parte das operações, com R$ 21,7 bilhões. Ásia e Oceania também registraram crescimento relevante nas despesas, indicando maior diversificação dos destinos de consumo internacional.
Também merece destaque o anúncio do resgate de 231 bilhões de milhas e pontos por produtos, serviços e cashback no quarto trimestre de 2025, alta de 9% em relação a 2024, segundo a Abemf. O avanço foi impulsionado pelo aumento do uso em benefícios não aéreos, que já representam 32,7% dos resgates. O setor também registrou crescimento de 32,9% nas transações e queda na expiração de pontos, indicando uso mais ativo dos programas de fidelidade.
No turismo corporativo, os gastos com viagens de negócios cresceram 45% no último ano no Brasil, segundo levantamento da Vólus. O estudo mostra que cada colaborador gasta, em média, R$ 20 mil por ano com deslocamentos profissionais, com ticket médio de R$ 2.254 por viagem.
A retomada de reuniões presenciais e o avanço do trabalho híbrido impulsionam o turismo de negócios, que segue concentrado em viagens regionais: 80% ocorrem dentro do próprio estado. O setor já movimenta mais de R$ 135 bilhões no país e beneficia áreas como hotelaria, aviação e eventos corporativos.

5 – CVC mexe com o mercado em meio a rumores de venda – Maio de 2026 foi marcado por forte movimentação na CVC Corp, com rumores de aquisição pela Despegar/Decolar, reestruturação interna, mudanças na liderança e divulgação de resultados financeiros. A empresa negou negociações de venda, apesar da especulação ter impulsionado as ações na Bolsa e ampliado debates sobre concentração no turismo latino-americano.
Ao mesmo tempo, a companhia promoveu cortes de mais de 100 funcionários, reorganizou áreas estratégicas e redistribuiu cargos de liderança, alegando busca por maior eficiência operacional diante do cenário econômico e da alta de custos no setor.
No balanço do primeiro trimestre, a CVC registrou crescimento nas reservas, receita e EBITDA, puxado pelo mercado brasileiro e pelo segmento B2B. Apesar da melhora operacional, a empresa manteve prejuízo líquido ajustado de R$ 63,1 milhões, impactado por fatores externos e aumento de investimentos.
6 – Gestão de crise: da imagem aos custos de operação – A Latam Airlines enfrentou em maio uma crise de imagem após uma passageira denunciar ter sido retirada de um assento premium em voo entre Frankfurt e São Paulo por erro no sistema de reservas.
Ao mesmo tempo, a companhia destacou queda nas reclamações de consumidores, ampliou operações ligadas ao turismo e eventos, como o show de Shakira no Rio, e manteve planos de expansão no Brasil com novas rotas e futura chegada dos jatos Embraer E195-E2, além da inauguração da rota Brasília-Campina Grande, reforçando a relevância do mercado do Nordeste.
Apesar do lucro de US$ 576 milhões no primeiro trimestre de 2026 e do crescimento no número de passageiros, a empresa também passou a enfrentar pressão nos custos com combustível, o que pode gerar aumento nas passagens e redução pontual da operação nos próximos meses.
A empresa também entrou no debate sobre o possível fim da escala 6×1. O CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, afirmou que pilotos e comissários continuarão seguindo as regras previstas na Lei do Aeronauta, mesmo com eventuais mudanças trabalhistas no país. Segundo ele, possíveis adaptações deverão atingir principalmente os aeroviários, profissionais que atuam em solo.

7 – Copa do Mundo não movimenta o mercado como esperado – A menos de um mês da Copa do Mundo da Fifa de 2026, o turismo nos EUA vive um contraste: há aumento nas buscas e projeções de forte impacto econômico (US$ 4,3 bilhões), mas hotéis nas cidades-sede ainda têm ocupação abaixo do esperado, pressionados por vistos lentos, dólar alto, custos elevados e maior oferta de quartos.
No Brasil, cresce o interesse pelo evento: 7 em cada 10 brasileiros pretendem acompanhar os jogos em bares ou eventos, e as buscas por pacotes internacionais mais que dobraram. Canadá e EUA lideram a demanda, com forte planejamento antecipado.
Ao mesmo tempo, há ajustes e tensões: regras migratórias mais rígidas para alguns países, flexibilização para outros, e iniciativas locais como ingressos populares via sorteio em Nova York para tentar ampliar o público nos estádios.
8 – Experiências Disney reimaginadas e mercado brasileiro em foco estão no radar – A Disney anunciou uma séria de novidades para o Walt Disney World neste ano, com foco em ampliar experiências imersivas, aumentar a permanência dos visitantes e impulsionar a economia do turismo. Entre os destaques estão o retorno do “Cool Kids’ Summer”, novas atrações com personagens e a reformulação da Rock ‘n’ Roller Coaster, que abriu com tema dos Muppets em 26 de maio.
O plano inclui ainda modernização de atrações clássicas, expansão de franquias como “Cars”, “Encanto” e “Monsters Inc.” e maior integração entre parques, hotéis e cruzeiros. Além, disso, a Disney Cruise Line deve crescer de 8 para 13 navios até 2031.
A empresa também lançou promoções para o verão de 2026 e reforçou o foco em experiências personalizadas, especialmente para o público brasileiro. Fora dos parques, o Disney On Ice retorna ao Brasil com sessões em São Paulo e Rio.
No resultado financeiro, a Disney teve lucro líquido de US$ 2,24 bilhões (-31,4%,) no primeiro trimestre de 2026, apesar do crescimento de 7% na receita, puxado por parques, cruzeiros e streaming.

9 – Um ano de Epic, novo parque e novas atrações na Universal – A Universal está ampliando sua atuação em três frentes: crescimento do público internacional, fortalecimento de atrações baseadas em grandes franquias e diversificação do portfólio com novos parques e eventos.
Na América Latina, a empresa reforçou estratégias de capacitação de agentes e promoção de novidades em Orlando, com bom desempenho recente em mercados como Brasil e Argentina. Em atrações, o destaque é a nova montanha-russa de “Fast & Furious”, em fase de testes em Hollywood e prevista para 2026, com tecnologia de rotação de 360° e futura expansão para a Flórida.
No entretenimento sazonal, o Halloween Horror Nights segue como pilar, com 42 noites e novas casas temáticas em 2026, incluindo produção inspirada em “Sinners”. Já na diversificação, a empresa anunciou o Universal Kids Resort, no Texas, parque voltado ao público infantil com abertura prevista para julho e modelo focado em famílias e visitas curtas.
Em Orlando, o Epic Universe completa seu primeiro ano de operação consolidado como principal motor de crescimento do complexo e ferramenta relevante para o Turimo dos EUA. O parque, inaugurado em maio de 2025, elevou o tempo médio de permanência dos visitantes na cidade e reforçou o modelo de viagem centrado em experiências imersivas.
Segundo a empresa, houve adesão acima do esperado do público brasileiro, com aumento na compra de ingressos integrados e maior integração do parque ao restante do complexo. O primeiro ano também foi marcado por ajustes operacionais, fortalecimento do posicionamento premium e conexão direta com o Universal Helios Grand Hotel, consolidando o Epic Universe como uma plataforma em expansão contínua dentro de Orlando.
10 – Azul amplia marketing, rotas e avanço corporativo em maio – A Azul combinou ações de marketing, parcerias e expansão operacional em maio, com forte foco em futebol, cultura e turismo. No marketing, destacou ativações com Fini, Panini e campanhas publicitárias e imersivas, reforçando a marca em experiências de voo e eventos culturais.
Na malha aérea, ampliou rotas e oferta em destinos turísticos e regionais, com reforço para férias de julho de 2026 e novas ligações como BH–Diamantina e Congonhas–Cuiabá. Também registrou crescimento na fidelização, com alta nos resgates internacionais e no consumo de serviços do Azul Fidelidade.
A companhia ainda celebrou aniversários de operação em bases como Porto Seguro, Congonhas e Uberlândia, destacando a relevância dessas rotas ao longo dos anos. No campo corporativo, concluiu reestruturação nos EUA e iniciou negociação de ações em Nova York, mantendo a B3, além de avançar em reputação, sendo líder no Brasil em índice de confiança e admiração no trimestre.
11 – O mercado de resorts no Brasil deve ganhar 7,2 mil novos quartos até 2027 – O volume chega com a construção de 20 empreendimentos em diferentes regiões do país, segundo levantamento do setor. A expansão é puxada pelo crescimento do turismo doméstico, viagens em família e pelo avanço da multipropriedade.
O Nordeste segue como principal polo de resorts, mas o Sul vem ganhando destaque, com novos projetos e maior atratividade para investimentos. Em Santa Catarina, Penha concentra um dos empreendimentos em desenvolvimento, o Amazon Parques & Resorts, que ficará próximo ao Beto Carrero World.
O setor também passa por maior profissionalização, com metade dos resorts já integrados a redes hoteleiras e sistemas de intercâmbio de férias. O modelo permite que proprietários utilizem períodos de hospedagem em diferentes destinos.
A tendência é de fortalecimento de projetos ligados a lazer integrado, parques temáticos e viagens curtas, acompanhando mudanças no comportamento do turista brasileiro.

12 – A Azul Viagens anunciou mudanças na liderança e uma expansão acelerada da rede física no Brasil – Giulliana Mesquita foi nomeada diretora da operadora, com foco em crescimento, ampliação da presença nacional e reforço da oferta de viagens personalizadas.
No plano comercial, a empresa abriu cinco novas lojas no Pará, Goiás, Minas Gerais e São Paulo, incluindo o modelo “light” para cidades menores. Entre as localidades estão Santarém (PA), Itaberaí (GO), Bom Despacho (MG) e Lins (SP). A operadora também prevê a abertura de 120 novas unidades até o fim de 2026, o que deve levar a rede a cerca de 250 lojas no país, com concentração em São Paulo e Minas Gerais.
13 – A Gol ampliou sua malha doméstica e internacional com novas rotas e retomadas estratégicas. No Brasil, inaugurou ligação entre Rio (Galeão) e Uberlândia com três voos semanais e retomou Manaus–Fortaleza, reforçando a integração entre Norte, Nordeste e hubs como o Galeão e Fortaleza. No internacional, abriu vendas para Rio–Nova York (JFK), com início previsto para março de 2027, e anunciou Rio–Salta, na Argentina, a partir de dezembro de 2026, ampliando presença no eixo Brasil–América do Sul e Estados Unidos.
No plano financeiro, o Grupo Abra, controlador da Gol, registrou lucro de US$ 208 milhões no 1º trimestre de 2026, alta de 26,2%, com crescimento de receita e demanda. A Gol aumentou capacidade e passageiros transportados, mas projeta pressão de custos e possível alta de até 20% nas tarifas até o fim do ano, influenciada pelo preço do combustível e câmbio.
Em operação e segurança, o Cenipa classificou como incidente grave uma aproximação indevida entre aeronaves da Gol e da Azul em Congonhas, sem feridos. Já no produto e marca, houve mudança no acesso ao Lounge Gol Smiles Internacional no Galeão, e a companhia anunciou patrocínio à turnê de Djavan, reforçando ações de marketing e posicionamento institucional.
14 – A MSC Cruzeiros promoveu a 6ª Convenção Internacional de Vendas – O evento ocorreu no Mediterrâneo a bordo do MSC Splendida, com mais de 700 agentes e foco em capacitação e relacionamento comercial. Ao final, a armadora anunciou o encontro do ano seguinte a bordo do MSC World America, reforçando o conceito de “destino flutuante”, e apresentou novos projetos voltado às famílias no MSC World Asia.
O mês também foi marcado pelo lançamento do assistente virtual MSC Concierge e pela ampliação das operações sazonais no Norte da Europa, Alasca e Caribe, com novos roteiros, experiências a bordo e oferta gastronômica expandida.
15 – A Costa Cruzeiros lançou uma série de 40 vídeos curtos nas redes sociais – O objetivo é mostrar os bastidores e o cotidiano a bordo do navio Costa Diadema. O conteúdo inclui áreas comuns, operação do navio e rotina dos tripulantes, com foco em uma visão mais realista da experiência em cruzeiros.
A iniciativa busca aproximar o público, reduzir incertezas na decisão de compra e funcionar como uma “pré-viagem digital”, alinhada à tendência de transparência no marketing do turismo.

16 – Qualificação profissional, debates setoriais e inserção internacional estiveram no foco das ações da Alagev em maio – Na área de capacitação, a entidade liberou 10 cursos gratuitos na plataforma Alagev Educa, ampliando trilhas de Viagens Corporativas e Soft Skills, além de conteúdos como webinars e encontros globais. O ecossistema reúne cerca de 2,5 mil usuários e mais de 23 mil matrículas, com apoio de inteligência artificial para organização de conteúdos.
No campo das discussões, 14 encontros sobre temas como reforma tributária, inteligência artificial, indicadores e falta de mão de obra qualificada, com foco nos impactos operacionais e financeiros do setor foram promovidos.
Já no cenário internacional, durante a Imex Frankfurt, a Alagev destacou a diversificação de destinos em viagens de incentivo, com crescimento do interesse por mercados fora do eixo tradicional europeu e asiático, além da manutenção de alta demanda por eventos presenciais com agenda avançada até 2031.
17 – O mundo ficou em alerta diante de casos confirmados e suspeitas de hantavírus – Registros de suspeitas de hantavírus em viagens começaram no fim de abril e ganharam repercussão em maio, após um surto no cruzeiro MV Hondius, com 11 infecções e três mortes, associado à cepa Andes. A OMS acompanhou o caso, manteve risco global baixo de pandemia e afirmou não haver evidência de disseminação ampla ou transmissão sustentada entre humanos.
Investigações internacionais identificaram casos isolados em países como Canadá, Holanda, Espanha e África do Sul, ligados a passageiros do cruzeiro, com medidas de isolamento e monitoramento. Autoridades reforçaram que a principal via de transmissão do hantavírus segue sendo o contato com roedores, sobretudo em ambientes rurais, e que infecções em navios são consideradas raras.
No setor de transporte aéreo, foram adotadas medidas preventivas e propostas de triagem, embora especialistas mantenham avaliação de baixo risco em cruzeiros. Episódios inicialmente associados ao vírus, como um surto em navio na França e casos no Paraná, foram descartados após investigação, com confirmação de outras causas ou ausência de vínculo com o evento internacional.
18 – A Norwegian Cruise Line (NCL) abriu as dos ingressos para o Great Tides Waterpark – O novo parque aquático da marca possui 19 toboáguas na ilha privativa Great Stirrup Cay, nas Bahamas, e tem inauguração prevista para 4 de setembro. O acesso inclui serviços como alimentação, armários, toalhas e transporte interno. O parque faz parte da modernização da ilha, que também ganhou novas áreas de lazer, piscina gratuita e um clube exclusivo para adultos, além de um novo píer para atracação direta de navios.
A empresa também reportou alta de 10% na receita no 1º trimestre de 2026, para US$ 2,3 bilhões, e lucro líquido de US$ 108 milhões. Apesar do resultado positivo, revisou para baixo as projeções anuais por causa de tensões geopolíticas, aumento de custos de combustível e demanda mais fraca, mantendo foco em eficiência e corte de custos.

19 – O turismo de natureza no Brasil viveu um pico em 2025 – Os dados divulgados em maio deste ano apontam para o volume de 11,8 milhões de visitantes em Parques Nacionais, o maior número já registrado. O avanço de 8% em relação a 2024 acompanha uma tendência global de busca por viagens mais ligadas ao bem-estar, à natureza e à desconexão digital.
Esse movimento ajuda a explicar a concentração de visitantes em alguns destinos-chave. O Parque Nacional da Tijuca lidera com folga, seguido por Iguaçu, Jericoacoara e Fernando de Noronha, que continuam sendo os principais cartões-postais do ecoturismo brasileiro. Ao lado deles, destinos como Lençóis Maranhenses e áreas de serra e Mata Atlântica reforçam a diversificação da oferta turística no país.
O impacto não é apenas ambiental ou no turismo de lazer: o setor movimentou R$ 40,7 bilhões, gerou mais de R$ 20 bilhões no PIB e sustentou mais de 332 mil empregos. Na prática, o turismo de natureza deixou de ser nicho e virou um dos motores econômicos do turismo brasileiro, puxado por conservação ambiental e demanda crescente por experiências autênticas.
20 – Ministério do Turismo lançou uma uma linha de crédito para microempreendedores individuais de baixa renda – O projeto contempla empresas ligadas ao turismo, oferecendo empréstimos de até R$ 21 mil, com juros limitados a 5% ao ano e operação inicial no Nordeste, a fim de formalizar a situação de trabalhadores informais.
Na área institucional, foram nomeados Anderson Wilson Sampaio Santos para a diretoria do Departamento de Ordenamento, Inteligência e Desenvolvimento do Turismo e Wilken José Souto Oliveira para a Assessoria Especial de Assuntos Técnicos, reforçando estruturas de planejamento e suporte técnico à tomada de decisão.
Em paralelo, a pasta abriu um edital em parceria com a Unesco para aprimorar a gestão de sítios brasileiros reconhecidos como Patrimônio Mundial, com ações voltadas à sustentabilidade e capacitação de gestores.
No campo da inclusão e formação, o Ministério do Turismo abriu inscrições para o Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, que discutirá liderança feminina e desigualdade de gênero no setor, além do lançamento de um guia de atendimento a turistas neurodivergentes, com orientações práticas para ampliar acessibilidade em serviços turísticos.
21 – O TikTok está se aventurando no segmento de Turismo – Em maio a plataforma lançou uma ferramenta que permite reservar hotéis, passeios e atrações diretamente no app, integrando conteúdo de viagens com a possibilidade de compra. A função, criada com parceiros do setor, conecta recomendações de criadores a serviços de turismo e reforça a estratégia da plataforma de unir inspiração e conversão em um só ambiente.

22 – Tecnologia a favor da venda no Turismo – O Sindepat Summit realizado neste mês, no Rio de Janeiro, destacou o uso do WhatsApp como principal canal de conversão no turismo, por reduzir etapas entre interesse e reserva e concentrar parte das vendas em interações diretas com o cliente. O evento reuniu especialistas para discutir a digitalização da jornada do consumidor e a integração de dados na cadeia turística.
Os debates também apontaram a inteligência artificial como suporte ao atendimento e à personalização, com uso em CRM, automação de respostas e qualificação de leads, além de perspectivas de agentes conversacionais mais avançados. Foram citados riscos como baixa governança de dados, fragmentação de sistemas e padronização excessiva.
O encontro ainda tratou de turismo de natureza, sustentabilidade e modelos integrados de operação, com apresentação de cases internacionais e discussão sobre gargalos de infraestrutura e integração do setor.
23 – Digitalização no turismo – O Google Wallet passou a permitir no Brasil a adição de uma versão digital do passaporte no celular. A função, chamada “passe de identificação”, serve para comprovar identidade e idade em serviços compatíveis, mas não substitui o documento físico em viagens internacionais ou imigração. O cadastro é feito no app, com leitura do passaporte via NFC, foto do documento e validação facial, e os dados ficam armazenados de forma criptografada no aparelho.
Já a Samsung adicionou suporte a passaporte digital na Samsung Wallet, entrando no mesmo caminho de Apple e Google. O recurso, feito em parceria com a Clear, está disponível inicialmente nos Estados Unidos e permite validar identidade pelo celular em pontos da TSA, e também não substitui o passaporte físico no embarque. Na prática, o usuário cadastra o documento no app e usa o celular para identificação via aproximação ou QR Code, reduzindo a dependência de documentos físicos, embora com uso ainda limitado por enquanto.
Em novembro do ano passado a lançou o recurso “Digital ID” no app Wallet. A funcionalidade permite usar o iPhone ou Apple Watch como documento de identidade nos Estados Unidos, com base no passaporte americano. A ferramenta já funciona em mais de 250 aeroportos para voos domésticos e verificações de identidade, após autenticação biométrica no próprio aparelho. Os dados ficam criptografados e armazenados localmente. O uso do passaporte físico se mantém obrigatório.
24 – A Justiça de São Paulo suspendeu o projeto “Times Square paulistana” – Ainda em decisão liminar, o projeto previa a instalação de grandes painéis de LED no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, no centro da capital, além de intervenções no Boulevard São João.
A decisão apontou risco de impacto urbano e possível flexibilização da Lei Cidade Limpa. O projeto, estimado em R$ 42 milhões, havia sido firmado por Governo do Estado e Prefeitura e previa ainda obras de revitalização, eventos culturais e contrapartidas como restauração de fachadas e melhorias urbanas. A Prefeitura ainda pode recorrer. A discussão teve inicio em abril com um projeto o Governo de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo.

25 – A receita global de viagens cresceu 10% no 1º trimestre de 2026 – A informação foi apurada pela Criteo, que também destaca a alta de 19% no setor aéreo nas Américas. O estudo aponta jornadas de compra mais longas e fragmentadas no turismo, com consumidores analisando cerca de 25 ofertas de hotéis antes de reservar e levando, em média, 9,5 dias para voos e 11,5 dias para hotéis.
Além disso, a inteligência artificial integra o processo de planejamento de viagens. O estudo constatou que 41% usam IA para identificar atividades, 40% usam para destinos e hospedagem, e 30% para montar itinerários. Apesar disso, a decisão final ainda é guiada por avaliações (66%), cancelamento gratuito (48%) e flexibilidade de reembolso (38%).
26 – Abear vê ameaça à aviação com escala 6×1 – O setor aéreo entrou em confronto com o debate sobre o fim da escala 6×1, que foi aprovada no Congresso. A Abear afirma que a proposta pode afetar a operação de companhias brasileiras do turismo, especialmente em voos internacionais e regionais, por ignorar regras técnicas de jornada ligadas à segurança, fadiga e fusos horários. A entidade diz que mudanças sem adequação à aviação civil podem reduzir competitividade e abrir espaço para empresas estrangeiras.
As companhias também pressionam por medidas para lidar com o aumento do custo do querosene de aviação, que já responde por cerca de 46% das despesas operacionais. O setor relata redução de voos e projeção de novos cortes, com impacto mais forte no Norte e Nordeste. Paralelamente, busca linhas de crédito bilionárias para manter a operação, incluindo recursos do BNDES.
Do outro lado, o Sindicato Nacional dos Aeronautas rebate as críticas e acusa as empresas de alarmismo. A entidade afirma que a legislação já regula jornadas e que eventuais mudanças devem ser feitas por negociação coletiva. O sindicato também questiona normas da Anac que permitem jornadas mais longas em algumas operações.
27 – Os Estados Unidos vêm ampliando medidas que endurecem regras de imigração, entrada no país e controle operacional em aeroportos – Em maio, o governo alterou o processo de concessão do green card, passando a exigir que estrangeiros em situação temporária deixem o país para solicitar residência permanente, exceto em casos avaliados individualmente. O ajuste de status deixa de ser automático e passa a depender de justificativas específicas, segundo o USCIS.
A mudança integra um pacote mais amplo que inclui revogação de vistos e suspensão do Diversity Visa Program. O governo afirma que as ações buscam reforçar a aplicação da lei e reduzir brechas no sistema migratório, enquanto críticos alertam para possíveis impactos em grupos vulneráveis.
No campo da mobilidade internacional, também estão em discussão possíveis restrições ao sistema ESTA, que permite entrada sem visto de cidadãos europeus em viagens curtas. A eventual mudança poderia afetar viajantes com dupla cidadania, incluindo brasileiros com passaporte europeu, mas ainda não há decisão oficial.
Paralelamente, o Department of Homeland Security avalia restringir operações da U.S. Customs and Border Protection em aeroportos de cidades que não cooperam com políticas federais de imigração, o que pode afetar o fluxo de voos internacionais.
No setor aéreo, a Transportation Security Administration (TSA) iniciou o piloto “Straight to Gate” no aeroporto Logan, em Boston. O projeto antecipa a inspeção de segurança para centros externos, eliminando a fila tradicional no terminal e testando um novo modelo de embarque diante do aumento do tráfego aéreo nos Estados Unidos. O pacote de iniciativas governamentais tem afetado a imagem do país e apresentado reflexos no turismo.

28 – Mercado brasileiro é visto como prioridade no turismo dos EUA – O IPW 2026, principal feira de turismo dos Estados Unidos, aconteceu em Fort Lauderdale com mais de mil expositores de cerca de 70 países, foco em negócios e projeção de crescimento do turismo global.
Destinos como Orlando, Nova York, Washington DC, Porto Rico e Nova Orleans apresentaram alta de visitantes, expansão de voos e reforço de infraestrutura, com aposta em eventos esportivos e culturais como a Copa do Mundo de 2026, NFL e grandes shows.
O mercado brasileiro foi tratado como estratégico para o turismo dos EUA, com destaque para alto consumo de experiências e permanência média elevada. Executivos citaram desafios como custos de viagem e barreiras de entrada, mas mantiveram projeção de expansão da demanda global por viagens. A próxima edição será em New Orleans em 2027. O M&E fez uma cobertura completa e detalhada.
29 – Conexão emocional e experiencias personalizadas no centro do turismo de Luxo – O turismo de luxo passa por uma mudança estrutural e deixa de ser guiado por hotéis icônicos e alto custo para se concentrar em experiências personalizadas, propósito e conexão emocional, segundo análise da rede Virtuoso e dados da Euromonitor.
O movimento já tem impacto global e no Brasil: o país é hoje o segundo maior mercado de turismo de luxo da América Latina e o nono do mundo, com projeção de crescimento de 31% até 2030. A demanda cresce especialmente por viagens sob medida, experiências intimistas e vivências ligadas a bem-estar, natureza e cultura.
A transformação é impulsionada por digitalização e maior conectividade, com viajantes usando plataformas e inteligência artificial para planejar viagens, mas ainda dependendo de curadoria humana. Nesse cenário, consultores passam a atuar como curadores de experiências, e o turismo de Luxo se consolida como um mercado orientado por significado e não por preço.
30 – A TAP Air Portugal vive uma fase simultânea de expansão operacional, melhora de resultados e debate sobre privatização – O CEO Luís Rodrigues defende a entrada de um parceiro estratégico no capital como forma de sustentar a competitividade no médio prazo, em um contexto de aumento da concorrência no mercado português com a futura operação do aeroporto de Alcochete, que deve ampliar slots em Lisboa e reduzir a participação dominante atual da companhia no hub.
No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou avanço de desempenho: receitas de 914,4 milhões de euros (+11%), 3,7 milhões de passageiros, taxa de ocupação de 83,5% e aumento de capacidade de 3,9%. O EBITDA recorrente foi de 95,5 milhões de euros e o EBIT de -36,1 milhões, ambos com melhora em relação a 2025. A liquidez ficou em 879,8 milhões de euros e a alavancagem caiu para 2,2x, refletindo redução de dívida e geração operacional, enquanto a companhia mantém foco em custos e reestruturação.
No operacional e comercial, a TAP ampliou a malha com a rota Lisboa–Santa Maria (Açores), elevando a conectividade no arquipélago para 48 frequências semanais, além de ajustar a frota conforme a sazonalidade. Também passou a oferecer isenção de taxa de alteração em bilhetes emitidos entre 15 de maio e 15 de junho de 2026, ampliando flexibilidade ao passageiro.
No eixo de relacionamento com o mercado, a companhia realizou o TAP Awards 2026, premiando parceiros globais de vendas, com destaque para empresas brasileiras, reforçando a importância da distribuição internacional na receita da empresa.
31 – A frota global de navios de cruzeiro deverá passar de 459 embarcações no início de 2026 para cerca de 540 até 2037 – Os dados são do relatório anual 2026 da Cruise Industry News, que também estima crescimento da capacidade de passageiros de aproximadamente 36 milhões para quase 50 milhões no mesmo período, trazendo grande impacto para o turismo.
O avanço será sustentado por uma carteira robusta de encomendas em estaleiros internacionais e por entregas de grandes operadoras como Royal Caribbean e MSC Cruises, além de fabricantes como Chantiers de l’Atlantique e Meyer Turku. Em 2026, estão previstos 13 novos navios, com investimentos que superam US$ 9,5 bilhões e custo médio acima de US$ 350 mil por leito.
O crescimento também é puxado por embarcações de maior porte: a média dos novos navios é de 2.085 passageiros, com destaques como o Legend of the Seas (5.610 passageiros) e o MSC World Asia (5.400). A expansão inclui ainda projetos de expedição, como o Magellan Discoverer, voltado à Antártica.
Na distribuição por segmentos, o maior incremento em 2026 ocorre no modelo contemporâneo, com 22.841 novas camas, enquanto o luxo adiciona 4.166 e a expedição apenas 100. O setor deve crescer 9% em capacidade de passageiros neste ano, com desaceleração gradual nas taxas anuais até a próxima década, ainda mantendo expansão em volume absoluto.







